1-O Retorno de Elena
O Retorno de Elena
Entre Vitórias e Perdas
A Comemoração
Após mais uma luta vencida, tudo o que eu queria era um banho e o descanso da minha própria cama. Mas, ao chegar em casa, Maitê já me esperava, radiante.
— Amiga, vamos para a balada mais tarde comemorar sua vitória! — exclamou Mai.
— Hoje não, amiga. Estou exausta — respondi, tentando escapar.
— Por favor! Quero dançar um pouco. Amanhã você descansa, eu juro.
Revirei os olhos, mas acabei cedendo. Fui para o quarto, tomei meu banho e apaguei.
Acordei horas depois com Maitê pulando em cima de mim. Olhei o relógio: 21h00.
Levantei a contragosto, lavei o cabelo e me preparei. Escolhi um vestido preto colado, salto alto e deixei os cabelos soltos. Ao descer, encontrei Maitê pronta, estilosa, usando um short, uma blusa com decote em V e uma rasteirinha.
— Está a maior gata, hein? Vai conquistar corações! — disse ela, animada.
— Você que está uma gata. Se eu fosse homem, te pegaria, sua delícia!
Rimos e seguimos para a noite.
Dançamos e bebemos até o amanhecer. Conheci um rapaz chamado Eduardo e aproveitei o momento. Voltamos para casa às três da manhã. Comi algo rápido, coloquei meu baby doll e finalmente dormi.
O Convite e o Passado
Pela manhã, fui despertada por uma ligação de Aleh, organizador do UFC.
Ligação On
— Bom dia, Elena. Vamos fazer algo diferente. Levaremos algumas lutas do próximo mês para o Brasil, especificamente para o Rio de Janeiro e São Paulo. Estou ligando para informar. Depois passo as datas.
— Tudo bem, Aleh. Vou conferir meu passaporte para deixar tudo em dia.
Ligação Off
Fui para a cozinha encontrar meu pai e Maitê. Enquanto comia minhas torradas, dei a notícia:
— Pai, o Aleh ligou. Terá lutas no Rio de Janeiro e em São Paulo a partir do mês que vem.
Meu pai parou de comer, com uma expressão preocupada.
— Filha, você sabe que sua mãe não quer que você volte para lá.
— Eu não vou ficar, pai. É lutar e voltar. Vou ficar em um apartamento na Zona Sul. Ninguém vai saber.
— Elena, as lutas são transmitidas ao vivo. Podem te reconhecer.
— Ninguém sabe meu nome real nas lutas, só o Aleh. O resto conhece apenas meu pseudônimo.
— Vá... mas tome cuidado, por favor.
Fui para o quarto e as lembranças me atingiram. Lembrei do dia em que fugi, do medo que senti daquele homem que me perseguia e do abraço de despedida da minha mãe no aeroporto.
"Me prometa que não volta nunca mais", ela disse.
Uma lágrima escapou. Eu sentia tanta saudade dela.
A Tragédia
Dias depois, enquanto eu e Maitê resolvíamos algumas pendências na rua, meu celular tocou. Era do hospital.
Meu pai havia passado m*l.
Corremos para lá e fomos recebidas por um médico com semblante grave.
— Elena, seu pai teve uma parada cardíaca e, na queda, bateu a cabeça. O estado dele é grave. Ele está chamando por você no quarto 350.
Entrei no quarto e o vi cercado por aparelhos.
— Pai, quem fez isso com o senhor? — perguntei, desesperada.
— Filha... — falou com dificuldade. — Me promete que vai ser forte. Não tenha medo. Nada fica escondido para sempre... Enfrente o que vier. Maitê, não a abandone.
Eu prometi, chorando, sem entender totalmente o que ele queria dizer.
Ele disse que me amava e, naquele instante, o som contínuo dos aparelhos anunciou o fim.
Meu pai se foi.
O Recomeço
Vinte dias se passaram. O luto ainda pesava, mas a decisão estava tomada.
Eu queria largar tudo, mas Maitê não deixou.
Decidimos que não iríamos apenas para lutar; iríamos para morar.
Voltaríamos para o Rio de Janeiro, para o Complexo do Alemão.
No aeroporto, olhei para trás uma última vez.
— Agora é hora de se despedir daqui — suspirei.
— Vou sentir saudades deste lugar — completou Maitê.
Entramos no avião.
Seriam doze horas de viagem rumo ao passado que eu havia jurado nunca mais enfrentar.