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O Marido Que Eu Tenho Que Matar

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Blurb

E se o cara que te abraça forte todo dia à noite... for o próprio demônio que você quer arrastar pro inferno?

De dia, a Seiji é só uma estagiária de TI tímida de óculos. Já o Eric Vance é o típico herdeiro bilionário mimado que só arruma confusão. O casamento de fachada deles não passa de um contrato frio e super calculado — só uma encenação familiar bonitinha que não faz m*l a ninguém.

Mas quando o sol se põe, as máscaras caem por terra.

Na escuridão da noite, a Seiji é a Viper: a rainha da cibersegurança, fria, calculista e dona do submundo de Omira. Já o Eric é o The Iron: o codinome de um comandante militar impiedoso do Norte, que tem as mãos sujas com o sangue dos homens da Viper. Eles são inimigos mortais e juraram matar um ao outro.

Só que as provas começam a entregar as mentiras deles. O Eric acha um fio de cabelo verde/dourado da Seiji no colete tático dele, e a Seiji descobre um código militar do Eric trancando o quarto dela. Aí, a ilusão começa a ruir.

Finalmente... os dois se deram conta de quem realmente esteve do lado deles esse tempo todo.

Mas a loucura só tá começando: é uma negação de enlouquecer qualquer um.

Eles estão com tanto medo de se perderem que não conseguem tirar as máscaras. O Eric apaga ilegalmente os dados biométricos da Seiji do sistema principal do Norte só pra proteger ela da própria família. Ao mesmo tempo, a Seiji junta a elite dos seus atiradores pra eliminar os mercenários que o Conselho mandou pra apagar o marido dela.

Eles topam destruir o mundo inteiro só pra manter a "coelhinha inocente" e o "maridinho mimado" a salvo nessa gaiola de ouro?

Será que eles vão se destruir quando a verdade nua e crua vier à tona? Ou vão tocar fogo no mundo juntos e assumir o trono manchado de sangue?

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O Disfarce de Viper
Uma luz de alerta vermelho-sangue piscou no canto da tela: Infiltração detectada no Porto do Setor Quatro. — Quem é o desgraçado? — sussurrou Sigrid baixinho, com uma voz de arrepiar até a espinha. O Setor Quatro era a entrada logística secreta do Sindicato Viper, a maior organização mafiosa de Oomera, liderada por ela. Os dedos dela voaram pelo teclado para disparar o protocolo de defesa militar. Mas antes que conseguisse hackear o invasor de volta, a conexão foi cortada de vez, deixando apenas um logotipo de ferro cinza na tela. — The Iron... — murmurou Sigrid, estreitando os olhos. — Um sindicato gringo do Norte. Quanta audácia vir meter o nariz no meu território. Sigrid Victory começou a se perguntar o que diabos essa gangue de fora queria aprontando em Oomera. Ela girava uma caneta entre os dedos, sentada em sua mesa no departamento de cibersegurança da Vertex Corp, uma empresa de TI da cidade. — Sigi! Quantas vezes eu vou ter que te avisar?! — gritou Ronald, o supervisor de TI, acabando com o silêncio do escritório. — O relatório de criptografia de rede do setor financeiro era pra estar na minha mesa antes do almoço! Você tá querendo me fazer de o****o na frente do diretor?! Alguns funcionários pararam de digitar na hora, olharam pra trás e seguraram o riso vendo a cena. — Des-desculpa, Seu Ronald... — murmurou Sigrid Victory, ou melhor, Sigi. Com um gesto todo desajeitado, ela ajeitou os óculos de grau grossos que tinham escorregado até a ponta do nariz. — O servidor tá dando umas travadas porque o tráfego de dados do porto tá super pesado hoje de manhã — continuou Sigrid, com os dedos fingindo tremer. — Já tô limpando o cache e recriptografando tudo. Ronald jogou uma pilha enorme de documentos na mesa de Sigrid, fazendo a xícara de chá dela balançar e derramar. — Não vem com desculpinha técnica furada pra cima de mim! Se o seu tio não tivesse implorado pro diretor do RH, eu já tinha te chutado daqui na primeira semana. Uma garota como você devia estar trabalhando no arquivo do subsolo, não na divisão cibernética de Oomera! — Tudo bem, senhor. Vou terminar o relatório agora mesmo — respondeu Sigrid, abaixando a cabeça e fingindo segurar o choro. Ronald se virou e caminhou cheio de marra de volta pra sua sala. Assim que a porta de vidro se fechou, Sigrid levantou a cabeça devagar. Seus ombros se alinharam com uma postura fria e elegante. Por trás das lentes embaçadas, os olhos verde-esmeralda, antes sem brilho, faiscaram com uma intensidade perigosa. Se você soubesse que eu posso sumir com todos os seus bens só com um estalar de dedos... já estaria ajoelhado no meu pé, pensou Sigi, xingando o chefe mentalmente. Mas ela se segurou. O papel de "Sigi, a Medrosa" era o disfarce perfeito para ter acesso à rede principal de fibra óptica da cidade. Ela voltou a atenção pra tela. Seus dedos começaram a voar pelo teclado com uma velocidade absurda, tentando rastrear outras rotas criptografadas. De repente, o celular satelital secreto no fundo da gaveta vibrou. Sigrid pegou o aparelho e correu pro banheiro com uma cara de pânico ensaiada, andando rápido e de cabeça baixa no meio dos colegas. Chegando lá, se trancou na última cabine e atendeu na hora. — Fala, Gideon — ordenou Sigrid. Seu tom mudou da água pro vinho: frio, grave e exalando autoridade. — Viper, temos uma emergência — disse Gideon, seu braço direito, do outro lado da linha criptografada. — A Receita Federal de Oomera e a Inteligência estão fazendo uma devassa nos ativos da cidade. Uma investigação de grande porte. — Qual é o X da questão? — perguntou Sigrid, direta ao ponto. — Todos os principais bens da organização estão diretamente no seu nome como herdeira da família Victory — explicou Gideon, tenso. — Se os fiscais descobrirem que uma estagiária de TI que ganha uma merreca tem bilhões de dólares fluindo em contas off-shore, seu disfarce já era. Sigrid apertou a borda da pia com tanta força que os nós dos seus dedos ficaram brancos. — E qual é a solução? — Você precisa arrumar uma cobertura social o mais rápido possível. Um escudo doméstico legal — respondeu Gideon. — Se você se casar no papel com um estrangeiro de ficha limpa, o sistema de auditoria vai categorizar a sua movimentação financeira como fusão de bens de um casal expatriado. É uma brecha na lei perfeita pros próximos três anos. — Você quer que eu me case? — Sigrid deu uma risada seca. — Com quem? Um cara qualquer que vai desmaiar de pavor no primeiro segundo que me ver segurando uma faca? — A gente precisa de um gringo que não faça a menor ideia do peso do nome "Victory" nesta cidade — continuou Gideon. — Já filtrei alguns candidatos que chegaram há pouco tempo. Um deles é um executivo de tecnologia que acabou de se mudar pro centro. Sigrid fechou os olhos, engolindo a raiva. Por um lado, o inimigo com o escudo do The Iron estava tentando tomar seu porto; pelo outro, o governo estava na cola dela. — Manda o perfil deles pro meu servidor pessoal hoje à noite — ordenou Sigrid, fria. — Eu mesma vou escolher qual coitado vai ser o meu peão nesse casamento de fachada. — Feito, Viper. Tô te mandando os dados. Sigrid desligou, conferiu a expressão no espelho e ajeitou os óculos. A figura da Sigi frágil e ingênua estava de volta no reflexo. — Casamento, é? — sussurrou Sigrid para a própria imagem, abrindo um sorriso ameaçador. — Vamos ver quanto tempo esse gringo aguenta morar debaixo do mesmo teto que uma cobra venenosa antes de perceber que vendeu a própria alma.

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