Capítulo 3: Eu odeio jantares malucos

2416 Words
A porta foi aberta por uma mulher ruiva de olhos pretos e um olhar extremamente sedutor! Sim era a mãe dos irmãos Garcias. A Kristen Garcia. Eu ainda não acreditava em sua idade, pois eu daria uns 30 anos para ela. ─ Olá pessoal, podem entrar. ─ Diz ela com um sorriso simpático. A Kristen tinha traços idênticos aos de Calvin. Entramos em sua casa. Eu já tinha entrado aqui muitas vezes, porque a mamãe era amiga da Kristen, mas era desconfortante. Porque é uma casa muito bem decorada. Tinha uma sala de jantar de dar inveja e a sua casa era tão organizada que a pessoa que entrava ali, poderiam se sentir uma completa mendiga. Experiência própria. ─ Charlie, meu deus, meu amor, como você está linda. – Kristen me abraçou me fazendo sentir o seu cheiro de "flores do campo". ─ Obrigada sogrin... Senhora Garcia! ─ Haha, pode só me chamar de Kristen amorzinho. Porque quando me chamam de senhora eu me sinto uma completa idosa. ─ Ah, acredite a única velha aqui é minha mãe. ─ Falei rindo e Kristen arregalou os olhos e segurou os lábios tentando não rir. Senti um pisão nos meus pés lindinhos, sim era a minha mãe. ─ Bom, irei chamar o Benjamin. ─ Não demorou muito para que desse um grito. ─ Querido, os convidados chegaram. Ela ia até a cozinha quando se esqueceu de cumprimentar os meus irmãos que por uma vez na vida pareciam gente de tão bem vestidos que estavam. ─ Por deus, como pude esquecer-me dos meus adultos prediletos? ─  Eles são mais criança do que criança chorando por perder um doce. Meus irmãos, abraçam minha futura sogra e depois se afastaram com aquele "sorrisinho" falso. Eu não vou dizer que os Garcias eram ricos, eles eram da classe média, assim como eu, não eram ricos, mas também não eram pobres, ele tinham um bom dinheiro para manter a casa e o necessário, mas do jeito que eles eram com a organização, estava mais para uma família certinha e exigente. Menos o Joey, porque esse sim é todo errado. Benjamin desceu as escadas lentamente, junto com o seu filho Calvin, percebi naquele momento que eu estava sorrindo como uma boba vendo a sua blusa polo marinha bem limpa e com sua calça jeans comum que usava normalmente, assim seu cabelo estava arrumado deixando um ar de garoto certinho. Okay, eu era toda errada, azarada e ele era muita areia pro meu caminhãozinho, mas e daí? Cadê aquele ditado de que os opostos se atraem? Em? Em? Suspirei muito até ouvir uma voz grossa falar em minha orelha: ─ Se prepare para o show maninha não se esqueça do nosso trato! ─ Nesse mesmo instante me senti uma covarde, avistei o sorriso sombrio nos lábios do meu irmão. ─ Se prepare você seu espantalho do fandangos. ─ Revidei. Virei o rosto destemida. d***a, d***a, d***a! Meu Deus eu quero ir embora, o que aquele maluco vai fazer? Eu juro que entro no seu quarto e corto o seu p... Eu estava tensa, muito tensa. ─ Nossa Charlie, como você está linda! ─ Falou o senhor Garcia me abraçando. ─ Obrigada. ─ Forcei um sorriso parecendo um "anjo". Só se for do capeta mesmo. ─ Oi Charlie! ─ Calvin acenou para mim, enquanto se aproximava. O seu sorriso me deixava derretida igual manteiga. Senti os seus braços se envolverem em volta de meu corpo, fazendo as borboletas serem ativadas em meu estômago. Ele me abraçou. E eu morri. Mentira. Mas quase, porque meu coração só faltava saltar pela boca e minha mão estava tão fria que parecia que tinha voltado do Alasca. Ele curvou os seus lábios de ladinho e depois foi cumprimentar a minha família, assim como o seu pai estava fazendo. ─ Joey, saia desse videogame. ─ Benjamin falou olhando para o andar de cima. Nossa estava tão bom aqui que tinha até me esquecido da aberração. Joey desceu apressadamente as escadas e logo vi. Seus cabelos pretos estavam bagunçados e pingava água, com certeza acabou de sair do banho. Ele estava com uma camisete jeans azul que por sinal marcava o seu belo corpo. Ele é um trouxa, mas não posso negar que é lindo, junto usava uma calça jeans preta e um tênis que eu não sei que marca que é e eu não sou stalker pra saber! E claro não podia faltar... Aqueles óculos que ele usava quando precisava, confesso que dava um ar de inteligente, mas no final era apenas um burro. Um burro gato... Espera o que eu estou pensando? Ele parou no último degrau e me fitou com os seus olhos, ele me olhava de baixo para cima assim como eu o olhava. Ficamos uns segundos assim. Acho que eu estava mais focada na morte da bizerra. ─ Filho dê oi para a família da Charlie. Ele comprimentou todos, mas quando chegou em mim, sua expressão facial mudou. Eu não ia abraçar aquele b****a, nunca, nunca, nunca. ─ Charlie abrace o Joey. Eu revirei os olhos cruzando os braços e de repente senti um abraço quente e um forte cheiro de colônia de perfume percorrer pelo meu nariz, cheiro de homem. O abraço não durou nem três segundos, pois nos soltamos, até porque nem dava direito o cara é um muro. 1,90 de altura, queria o quê? Que eu olhasse pro chão? Acho que até uma menina alta consegue ser menor que esse muro gigante. ─ Vamos jantar? Se não a comida vai esfriar, e eu estou faminta. ─ Falou Kristen Os Garcias levou a gente até a sala de jantar. Minha barriga parecia um trovão, só de sentir o cheiro. Mas agora o assunto era. O que o i****a do meu irmão vai fazer? Nos sentamos na cadeira um do outro. ─ Charlie senta ao lado do Calvin. ─ Afirmou Benjamin pra que ele pudesse sentar no lado de meu pai e puxar melhor assunto. Senti minhas mãos suarem e o pior nem era isso, Joey sentava bem no meu lado e o i****a do Miguel sentava bem na minha frente. Legal eu estava no meio dos irmãos Garcias. Agora eu morro. Fiquei lá parada, enquanto os adultos conversavam sobre negócios, famílias, e blah blah blah. ─ Charlie? ─ Eu olhei para Kristen. ─ Sim? ─ Perguntei de boca cheia. Ah d***a me lembrei do meu marido. Charlie delicadeza. Ela deu um sorriso quando engoli a comida de uma vez, minha mãe parecia envergonhada e meu pai nem prestava atenção, pois estava rindo enquanto conversava com Benjamin. ─ O que você quer ser quando crescer? ─ Perguntou ela. Eu tomei um gole de água que estava na mesa e falei: ─ Grande. ─ Todos praticamente riram na mesa,menos a minha mãe. ─ Charlie. ─ Ela chamou a minha atenção. ─ O quê? Ela perguntou o que eu queria ser, e eu só falei a verdade. Poxa eu nunca cresço. ─ Não só no tamanho como na mentalidade né? ─ Comentou aquele bostolão a b***a. Senti novamente mais risadas. Bebi um copo da água. ─ Ok Charlie, então... Você já tem namoradinho? ─ Kristen e suas perguntas. Poxa ela tinha que perguntar isso quando eu estava bebendo mais um copo de água? Eu cuspi a água toda na roupa de meu irmão Hunter: ─ Charlie! Sua viada. ─Joey riu da situação assim como Calvin e Benjamin. Caramba que vergonha. Hunter começou se secar com o guardanapo, liberei um sorriso falso. – Bom eu... – Charlie está a fim de um garoto sim! Mas ele é velho demais pra ela e ele não a nota não é maninha? – Falou Miguel sorrindo diabolicamente. Eu arregalei os olhos e chutei o seu pé fazendo ele gemer de dor. ─ Sério Charlie? E quem é o menino sortudo? Posso saber? ─ Está mais para azarado. ─ Ah mãe qual é? Todo mundo sabe. ─ Falou Joey sorrindo. DESGRAÇADO! Eu o encarei com o meu olhar ameaçador. Desgraçado. Desgraçado. Desgraçado. ─ Vamos mudar de assunto? ─ Perguntei trêmula. ─ Ah Charlie conta vai. ─ Hunter não está ajudando também. ─ É conta! ─ Dessa vez foi o Miguel. Senti alguém se aproximar da minha orelha: ─ É Charlie fala do seu amor platônico! O quanto gostaria de gemer o nome dele em sua cama. ─ Arregalei os olhos espantada com o comentário do Joey. ─ Conta, conta, conta! ─ Pedia todos da mesa enquanto batiam as palmas juntos. Que isso um ritual satânico gente? Para. ─ Gente para. ─ Calvin era o único tranquilo naquela mesa. Um silêncio tocou na mesa, mas claro o energumeno do Joey tinha que estragar isso. ─ A Charlie gosta do Cal...─ Tampei a sua boca com a minha mão e sem querer escapei umas palavrinhas: ─ Enfia um piano no r**o! E caga uma sinfonia do Bethoven. Agora foi a vez de Calvin cuspir a água, e para a minha "sorte" foi em meu vestido. Ele começou a ria tanto que eu jurei que estava tendo um ataque cardíaco. Eu tirei as mãos da boca do i****a do Joey, que ria da minha situação assim como os meus irmãos. Meu vestido estava todo encharcado cara! Ai que ódio. – QUACK! QUACK! QUACK! – Que m***a é essa? Eu olhei para o lado e era um pato? Mamãe comia de boas enquanto tentava esconder o seu constrangimento. Ela nem tinha que mostrar constrangida, ela é a pessoa que mais me faz passar vergonha. E eu nem tinha reparado, mas eu ainda estava no colo do i****a do Joey. O pato começou a andar pela casa que nem doido. ─ QUAAAAACK.─ E então ele pulou em cima da mesa. ─ Alguém pega esse pato. – Gritou Kristen. ─ Não chama ele de pato, mãe, ele não gosta. E Gilbert! Pare de falar. ─ Gritou Calvin. Então parece que o tal do pato ficou p* por que a Kristen o chamou de pato, então ele correu em cima da mesa fazendo uma tremenda bagunça. E claro pra não faltar. O copo cheio de vinho caiu em cima de mim, manchando o meu vestido.E eu ainda estava sentada no colo do i****a do Joey. E ai veio o silêncio. ─ O...Meu... Vestido. ─ Falei de olhos arregalados. Eu olhei para o pato. Mas acho que ele gosta de um deboche. ─ Quack? ─ Ah eu vou m***r esse pato! ─ Pulei em cima da mesa e comecei a enforcar o pato, mas Joey e Calvin tentaram me segurar enquanto o pato se esgoelava na mesa. ─ QUACK! QUACK! QUAAAACK! Benjamin bateu a mão com tudo na mesa de jantar e todos se manterão em silêncio novamente. ─ Charlie! Solte o pato você irá mata-lo. E a cena era...Eu enforcando o pato enquanto o Joey me segurava pela cintura e o Calvin a minha mão, Hunter gravando toda a cena pelo celular e Miguel estava de olhos arregalados. Kristen e minha mãe estavam paralisadas com a cena e o meu pai segurando a risada. E Benjamin não estava com uma cara agradável... Até ele falar isso: ─ Esse... É o melhor jantar da minha vida! ─ Respondeu Benjamin. Gente maluca. (...) ─ Agora Calvin nunca mais vai querer olhar pra mim de novo! ─ Falei chorando no meio da rua com a minha mãe em meu lado. ─ Está brincando? Foi duro pra mim fingir ser normal! ─ Mamãe disse. Eu a encarei enxuguei as minhas lágrimas e entrei dentro de casa batendo a porta do meu quarto. Logo em seguida eu me joguei em minha cama: ─ Eu odeio Jantares malucos. ─ Falei entre choros. A mim mesma. – QUEM QUE TEM UM PATO DE ESTIMAÇÃO? ─ Eu. Olhei para a minha sacada. E era o i****a do Joey. ─ Daqui a pouco vai aparecer um macaco atrás de você. Levantei-me da cama apressadamente e fui a sua direção. ─ Eu te odeio. – Falei começando a bater nele. Ele começou a rir e disse: ─ Nossa você está h******l. Arranquei os óculos que ele usava e joguei no chão. ─ NÃO,sua dinossaura, você quebrou a minha lente. -Ele falou indo em direção ao óculos com as lentes quebradas. ─ CHORE! ─ Gritei. ─ Você vai me oagar um novo. Sua criança mimada. ─ Mais adulta que você. ─Gritei, eu já estava muito estressada. Ele se aproximou de mim revirando os olhos. ─ Olha, eu só entrei nesse cafofo pra dizer que o i****a do meu irmão gostou do jantar maluco OK?! Então não precisa ficar chorando pelos cantos que nem uma bebêrrona. Eu arregalei os olhos: ─ O quê?. ─ me aproximei dele. ─ É isso mesmo, sua chata chorona! Eu nem sei porque fiz isso, mas fiquei tão feliz que pulei nos braços de Joey e dei um forte abraço ─ Ahhh agora estou tão feliz! Eu gritava com um grande sorriso. Joey me empurrou para o lado: ─ Não me abraça de novo sua beberrona! Por sua culpa estou sem óculos. Aff. Eu peguei os seus braços com toda a minha força e entreguei os seus óculos junto. ─ Tá agora saí daqui! ─ Falei fazendo força pra empurra-lo para fora da minha sacada. ─ Já estou indo, sua m*l agradecida! Em seguida ele saiu do meu quarto indo de volta pro seu. ─ AHHHHHH!!! – Gritei de felicidade pulando em cima da cama. Miguel! Acho que o seu plano falhou. Sai do quarto invadindo o quarto do meu irmão mais velho, a cena não foi muito agradável. ─ Saí do meu quarto pirralha! Arregalei aos olhos ao ver aquilo. ─ você está se... Ele veio em minha direção e tampou minha boca com tudo. ─ Cala a boca! Tirei as suas mãos sujas da minha boca: ─ Que nojo, tire as suas mãos sujas de mim! Seu palhaço falido de circo clandestino. ─ O quê? ─ Indagou. ─Só vim aqui para dizer que o meu futuro marido amou o jantar! ─ Tanto faz, saí daqui. Miguel me pegou pelo braço e me jogou pra fora de seu quarto. ─ Eu te odeio! ─ Falei socando a porta. Bufei e fui para a sala de estar e claro não deixei de ouvir alguns gemidos vindo do quarto de Hunter.  Ele e suas piranhas. Revirei os olhos, limpei a minha boca com água e fui assistir alguma série na TV enquanto comia Doritos, Donatt e coca-cola zero! É o mínimo que eu mereço pelo que eu passei.
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