Capítulo 2: Eu odeio passar vergonha

1395 Words
Eu quero esconder o meu rosto em um buraco. A turma da universidade entrou pela porta e no mesmo instante eu abaixei a minha cabeça. Eu preciso sair daqui, eu preciso sair daqui. O seguinte plano era... Rastejar no chão até chegar à porta e sumir. Belo plano não?  Mas a burra aqui, se esqueceu de que ele estava perto da porta.   ─ Bom, crianças... ─ Fala sério? Crianças? Revirei os olhos, e os estudantes começaram a se aproximar dos estudantes, prestes a entrevistar alguns alunos e ai foi o meu momento. Comecei a me rastejar no chão, o que atraiu um pouco a atenção das pessoas, mas como eles sabiam que eu era retardada, deixaram eu me rastejar. Eu estava lá, quase lá.  ─ Professor a Charlie está se rastejando no chão, igual uma barata. ─ Ahhh. Que vergonha, que vergonha, sabe o que é todos te olhando? E você apenas com as mãos levantadas para abrir a maçaneta da porta?   ─ Charlie Maia Sampaio! ─ Gritou o meu professor para todos ouvirem aquele sobrenome horroroso. Mantive-me quieta com os olhos fechados, tentando não ver o meu futuro marido me encarando e mais uma vez o i****a do professor gritou pra me fazer passar vergonha.   ─ Saia do chão agora! - Bom, o que fazer? Agora eu apenas ouvia as minhas minis Charlies malucas em minha mente, dando ideias completamente uteis, e claro que eu faria isso se eu tivesse uma oportunidade:   ─ Por que você não pega esse seu professor e coloca em um fogão com água fervente? - Disse a Charlie no meu ombro direito.   ─ Que isso Charlie número dois... Ela tem que pegar a esposa dele e faze-la de escrava até a morte! - Juro que foi a Charlie número um e foi a do ombro esquerdo. Balancei a cabeça e parei de imaginar Charles. Isso parecia coisas de filmes, imaginar um mini anjinho e uma mini diabinha. Mas não, eu imagino duas malvadinhas me dando ideias completamente úteis. Levantei-me do chão com aquela juba do rei leão e aquela roupa que parecia mais um pijama. ERA UM PIJAMA.   ─ Por que estava na porta? ─ Gritou o professor. Porque sei lá! Quis fugir do meu "namorado". Quer dizer, mais ou menos. ─ Responda senhorita. ─ Gritou o professor. Legal, além de ter a turma inteira me encarando como se fosse um extraterrestre, o que eu não duvidaria que fosse, ainda tinha aquela turma da faculdade... E claro o meu "marido".   ─ Sabe professor... Eu estava procurando... Na verdade eu vi uma barata e queria caça-la pra joga-la no lixo! - Nossa Charlie, "melhor desculpa". Toda a sala riu, inclusive o meu "marido". Que por sinal me encarava com aqueles olhos apaixonantes e aquele tom de cabelo que eu amava: ruivo. Ele era mais velho que eu, tinha 22 anos, mas e daí? Eu adorava os seus olhos pretos, e do tamanho de sua altura... 1,88cm, adorava o seu jeitinho carinhoso, nem parecia que era irmão daquele monge.   ─ Charlie, que tal procurar baratas na diretoria?─ Gritou o professor.   ─ Ah, não obrigada! - Falei rindo. Todos riram juntos mas ele ficou sério. Espera ele estava falando verdade? Parei de rir no mesmo estante. ─ Vá se sentar, se quer chamar atenção vá para o circo. – Uma vez eu bati em um palhaço. Esquece. Fui apenas para o meu lugar em silêncio, tentando evitar o olhar do meu "marido". Depois desse transtorno, fiquei com a cabeça deitada, pensando em como seria bom se minha mãe não tivesse me feito.  ─ Oi Charlie. ─ Ouvi uma voz doce vindo atrás de mim. Eu me virei, pois sabia muito bem quem era.   ─ Calvin? - Perguntei. Ele abriu um sorriso, parecia que todos os meus problemas tinham sumido naquele mesmo instante. Ele se sentou ao meu lado. Meu deus, meu deus, meu deus!   ─ É... Posso te entrevistar?   ─ Entrevistar? - Perguntei.   ─ Sim, primeiro temos que fazer algumas perguntas para vocês e depois temos que dar algumas dicas chatas sobre... Adolescência! - Falou ele rindo. Eu abri um sorriso.  ─ Pode - Gritei fazendo todos olharem para mim. Eu mereço? Dizem-me eu mereço?...─ Desculpa! – Mordi os lábios.   ─ Tudo bem. Bom primeira pergunta é... Não vou nem perguntar o seu nome inteiro porque eu já sei.   ─ Sabe? – Lógico que ele sabe, nossas mães são melhores amigas. Porém eu e Calvin nunca trocávamos uma sequer palavra.   ─ Bom, mas em fim... Vamos começar? - Eu balancei a cabeça com um "sim". Meu deus eu sou tão azarada e... Sortuda. Eu amarrei o meu castanho puxado um pouco para o "ruivo". Eu não era exatamente ruiva. Todos diziam ao contrário, mas ninguém sabe do meu cabelo. ─ Primeira pergunta... Com quantos anos você deu o seu primeiro beijo?  ─ Que espécie de pergunta é essa?  ─ Não precisa ficar com vergonha se você nunca beijou.   ─ Que espécie de entrevista é essa? - Ele riu da forma indignada que eu falei.   ─ Tá, então me diz... Com que idade você...  ─ Por que tem perguntas dessas no questionário?  ─ A gente vai dar conselhos de r************l. Também. – Senti meu rosto queimar.  E assim foi, ele ficou me fazendo perguntas atrás de perguntas. Graças a deus que ele não perguntou se eu era virgem. ─ Sabe Charlie, foi até bom essas pesquisas... Assim pude te conhecer melhor... Você é muito engraçada, poderíamos dialogar mais vezes.  ─ Obrigada. – O meu estômago deveria estar soltando fogos de artificio. Ele retribuiu com um sorriso de lado. E foi na frente da sala dar dicas sobre vida amorosa e bláh bláh bláh. Logo a sua turma foi embora, e eu fiquei lá com a cabeça apoiada em cima da minha mão, pensando no quanto aquele cara é lindo!   ─ Bom pessoal voltando à aula!... Aff. Horas depois. Eu voltei para a casa alegremente pensando em como o meu vizinho é lindo, perfeito e... Espera eu estou falando do Calvin não daquele i****a do Joey. Quando o meu celular apita:   ─ Quem é a desgraça que está me incomodando?   ─ Perguntei séria para o ser que estaria atrás daquela tela.   ─Mais respeito menina! Ainda sou sua mãe.   ─ Ainda! ─  Como? ─ Nada! O que você quer sua doida?  ─ Queria que te avisar pra chegar mais cedo, porque nós vamos jantar na casa do nosso vizinho. ─  Arregalei os olhos. ─ Qual vizinho? O vizinho do lado direito, esquerdo ou vizinho da frente?  ─ Esquerdo!  ─ Na casa do Calvin e Joey?─Gritei chamando a atenção de muitas pessoas na rua.  ─Sim filha! Por quê?... Na verdade não precisa nem dizer, eu sei que você odeia o Joey e ama o Calvin mas...  ─  Eu não amo o Calvin! ─ Gritei chamando a atenção novamente. - Quer saber tchau! - Fui para casa emburrada. Cheguei em casa vendo Miguel e Hunter jogando no videogame, mas ignorei. Mentira não deu. Por quê? Porque na hora que eu ia subir as escadas, Miguel me viu e veio em minha direção.   ─ Me solta! Me solta. ─ Gritei batendo em meu irmão i****a de 19 anos.   ─ Sabe o que eu vou fazer hoje? Charlie Maia Sampaio.  ─ Seu b****a, mãe! - Miguel estava me segurando pelos braços me impedindo de se soltar, e agora eu sentia sua mão f**a em minha boca, me impedindo de falar.   ─Eu vou contar ao Calvin que você ama ele desde que era um esperma.   ─ Se você fazer isso, eu destruo a sua reputação naquela faculdade. E ai? Tchau garotas. Hunter ria de toda aquela situação enquanto se jogava no sofá.  ─ Nossa crianças, da pra ouvir vocês lá de cima!  Miguel revirou os olhos preste a subir para o seu quarto, mas mamãe não deixou.   ─ ok? Hoje eu comprei um vestido pra você e um novo tênis, porque sei que não usa sapatilhas!  ─Vestido?  ─ Sim, agora vá. (...) Eu estava com os meus cabelos castanhos "outono" amarrado em um r**o de cavalo com uma fita preta ridícula. E além de tudo eu estava com aquele vestido florido ridículo! Eu estava muito delicadinha! Oque eu odiava ser! Acho que a única coisa que eu gostei ali que estava em meu corpo era o meu all star preto. Bom e lá vamos nós para aquele jantar chato.
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