Capítulo 4 – O CEO Intocável

839 Words
O som ritmado dos sapatos italianos ecoava pelo luxuoso prédio de vidro e aço no coração de São Paulo. Cada funcionário que cruzava o corredor rapidamente desviava o olhar, tentando evitar o olhar frio e implacável do homem que caminhava com passos firmes em direção à sala de reuniões. Caio Vasconcellos. O nome que agora domina o mercado financeiro. Aquele que um dia fora um jovem de origem humilde, apaixonado pela filha de um senador, agora era um dos homens mais influentes do país. CEO do Grupo Vasconcellos, um império construído à base de estratégia, determinação e uma fome insaciável por sucesso. É vingança. Ele se tornou tudo o que um dia disseram que ele não poderia ser. Poderoso. Intocável. Mas ao preço de quê? O elevador se abriu, revelando a elegante e sofisticada sala de reuniões envidraçada. Os executivos o esperavam, tensos, já acostumados com seu comportamento impassível e olhar indecifrável. — Senhores, sem rodeios — sua voz firme preencheu a sala. — Quero números. Resultados. E não desculpas. O diretor financeiro limpou a garganta e começou a apresentação. Caio cruzou os braços, ouvindo com atenção, mas sua mente divagava. Ele conseguiu tudo. Dinheiro. Poder. Respeito. Mas nada preenchia o vazio que Isabela havia deixado. Ela havia sumido da sua vida como um fantasma. Sem cartas, sem notícias. Apenas um silêncio ensurdecedor que o perseguiu por anos. E agora, ele não acreditava mais no amor. A paixão? Era uma distração. O desejo? Um jogo que ele controlava com perfeição. Mulheres entravam e saíam de sua vida, mas nenhuma ficava. Ele não permitia. Seu coração, há muito tempo, havia se transformado em pedra. O passado estava morto. Ou, pelo menos, era o que ele queria acreditar. Mas tudo estava prestes a mudar. Porque Isabela estava de volta. Caio se recostou na cadeira, seus olhos fixos na tela do notebook, mas a mente longe. O som da apresentação continuava a se arrastar, mas ele não estava mais ouvindo. Sua mente estava ocupada com outra coisa, algo que não conseguia afastar. Isabela. O nome dela ainda ecoava em sua mente, como um fantasma que nunca o deixava em paz. Ele a havia esquecido? Não. Jamais. Era impossível. Ela ainda estava lá, em algum lugar, preso nas memórias mais profundas dele. Ela era a razão de sua luta para alcançar o sucesso, a razão de seu desejo de ser mais, de ser alguém imbatível. Mas, naquele momento, ele se perguntava se ela ainda pensava nele. A imagem de Isabela, jovem e sorridente, tão cheia de vida, ainda o assombrava. O jeito como ela sorria, como ele a protegia, como ela acreditava que o amor deles seria suficiente para superar tudo. Eles eram inseparáveis, até o momento em que a vida os separou, e ele não foi capaz de impedir. Mas agora ela estava de volta. Ele não sabia como, nem por quê, mas sabia que isso mudaria tudo. "Caio?" A voz do diretor financeiro interrompeu seus pensamentos. Ele ergueu os olhos e viu que todos estavam observando-o com expectativa. Ele não havia prestado atenção em nada da reunião, e agora todos o aguardavam uma resposta. — A reunião está encerrada. — Sua voz saiu baixa e firme, sem emoção, como de costume. — Concentrem-se nos números e tragam-me as atualizações até amanhã. Não falhem. Os executivos assentiram, sabendo que não haveria mais espaço para discussões. Caio se levantou, e os outros rapidamente saíram da sala, deixando-o sozinho. Ele estava tenso, agitado, e, ao mesmo tempo, imerso em uma inquietude que não conseguia controlar. O que ele faria quando a visse novamente? O que ele diria? A porta da sala de reuniões se fechou atrás dele, e Caio caminhou até sua janela, olhando para a cidade. As luzes da metrópole brilham como estrelas distantes, e ele se viu em um mar de perguntas sem respostas. Ele construiu seu império, tornou-se tudo o que o mundo queria que ele fosse, mas, no fundo, ele sabia que ainda havia uma peça faltando. E essa peça era Isabela. Ele tentou se convencer de que não precisava dela. Que tinha superado tudo. Que ela não era mais relevante. Mas os dias passaram, os anos passaram, e, mesmo com todas as conquistas, ele nunca se livrou da sensação de que algo estava incompleto. Uma saudade que ele havia enterrado, mas nunca eliminado. Agora, ela estava de volta, e ele não sabia o que fazer com isso. A porta de seu escritório se abriu, e seu assistente entrou, interrompendo seus pensamentos. — Caio, você tem uma reunião importante com investidores daqui a uma hora. A apresentação está pronta? — Sim. — Ele respondeu, sua voz fria e distante. — Deixe-os entrar. O assistente assentiu e saiu. Caio ainda estava perdido em seus próprios pensamentos, mas sabia que precisava se concentrar. Havia mais a ser feito, mais a ser conquistado. Mas, naquele momento, ele não conseguia afastar a sensação de que o passado estava prestes a alcançar o futuro de maneira imprevista, e que, dessa vez, ele não poderia fugir.
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