As coisas estavam pior do que Lyana sequer imaginara. Sebastião mantinha a obsessão — sem amor, apenas posse. Para ele, ela era um objeto caro comprado ainda no primeiro ano de casamento, quando seu mundo se encheu de promessas, máscaras e silêncios. Lyana foi arremessada sobre a cama como se não pesasse nada, enquanto ele a segurava pelos pulsos com força. Inclinou-se, o rosto tão perto que o hálito de vinho lhe encheu as narinas, e sussurrou em seus ouvidos:
“Agora que você está aqui, não tem para onde fugir. Você é minha, e ninguém vai roubar o que é meu. Ou você acha que eu não sei do seu amiguinho Carlos?”
O nome caiu sobre ela feito um golpe. Carlos? Seu companheiro de faculdade de moda, o amigo que a ajudara a erguer-se quando se sentia enterrada em dor — agora transformado, nos olhos dele, em rival. Lyana piscou, o peito acelerado, e conseguiu reunir forças para gritar:
“Você está louco, Sebastião? Carlos é só um amigo! Um amigo querido!”
Mas ele nem piscou. Começou a acariciar a perna dela, os dedos firmes como garras, marcando território. “Não estou louco”, murmurou. “Acha que não sei que ele te ama? Eu sou homem, sei quando um homem insiste em olhar para a mulher de outro. E deixei bem avisado quando fui atrás dele na Inglaterra, depois que você fugiu. Aquele olhar dele implorava para eu parar de bater no seu rosto.”
Lyana sentiu o chão sumir. Lembranças de Carlos machucado, ele fingindo que estava tudo bem que foi um acidente “Como você pode fazer isso?”, choramingou. “Carlos … ele é meu amigo!”
Ele ergueu-se, jogando o corpo contra o dela. “Por favor, Lyana, você é uma mulher casada e sempre será. Nem que eu tenha que arrastá-la de volta.” A voz era um misto de súplica e autoritarismo. Cada sílaba parecia fechar as grades de uma prisão ao redor dela.
Quando tentou escapar, ele foi mais rápido. Levantou-a no colo, leve como uma pena, e agarrou sua pequena maleta com a outra mão. Num impulso, lançou-a no banco do passageiro do conversível que aguardava do lado de fora. As pessoas na porta cochichavam e apontavam, comentando baixo: “Deve ser briga de casal…” e “Olha só essa cena”. Lyana, vermelha de vergonha e raiva, esbravejava mentalmente: “Como ele ousa? Quem se acha esse homem das cavernas?”
Sentada ao lado dele, sentiu o frio do cinto apertar os quadris. Ele não falou uma palavra até chegar ao hotel, onde retornou para pegar o resto das suas malas. No caminho de volta à fazenda, cada arrancada do carro era uma flecha de fúria em seu peito. Lyana o xingava em silêncio: odiava-o por mostrar-se sempre tão insensível, tão dominador. Ele agia como se o casamento fosse um contrato empresarial, cada cláusula definindo seus direitos sobre ela.
Sem opção, voltou para a propriedade já tarde da noite. As luzes estavam apagadas, e o vento frio parecia sussurrar lembranças dolorosas. Lyana desceu do carro bufando, subiu as escadas correndo, ansiando pela segurança do quarto de hóspedes. Sebastião, que carregava sua mala, olhou-a com o ar de alguém reencontrando uma paixão antiga:
“Agora, minha querida esposa, que tal começarmos de novo?”
Ela parou, ofegante, e ergueu o dedo em riste. “Você nunca mais vai ter eu nesse maldito casamento! Me dê o divórcio. Você também não quer casar com outra mulher?” Ele permaneceu em silêncio, as mãos nos bolsos, impedindo-a de ver qualquer fraqueza. Lyana deu o último t**a de raiva: “Você tem que assinar!” E entrou no quarto, batendo a porta. Lá dentro, sentou-se na beira da cama, a mente girando: como, em pleno século XXI, ainda precisava implorar por algo tão simples?
Exausta, acabou adormecendo sem perceber. Quando a clareza do dia invadiu o quarto, ela rolou na cama e sentiu um peso ao lado. Pisou para trás com um pulo e um grito: “Sebastião, seu bastardo, o que está fazendo na minha cama?!” Ele despertou como se acordasse de um sonho, bocejando, os olhos azuis encontrando os dela sem um pingo de arrependimento:
“Você é minha esposa. Qual a dúvida?”
Lyana arrancou o lençol, pulou da cama e saiu em defesa própria: “Não sou sua mulher há cinco anos! Quantas vezes tenho que repetir?” Ele a segurou pelo pulso, firme: “Não por escolha minha, Lyana. Fiz de tudo por você.” Ela riu, irônica: “Fazer? O que você fez por mim, seu maldito? Me deixou sozinha, passou noites longe, e ainda tinha essa relação estranha com sua prima!”
Ele ergueu os ombros. “Já te disse muitas vezes: ela é como uma irmã.” Lyana encarou-o, incrédula: “Irmã? Pare com essas explicações! Nosso casamento acabou há cinco anos. Então deixe de brincadeira e saia da minha vista!” Sebastião saltou para fora da cama com um sobressalto, trajando apenas uma cueca branca que marcava seu corpo esculpido — 1,80 m de pura provocação que ela se recusava a admitir.
O silêncio se alongou até que o celular começou a tocar em cima do criado-mudo. No visor, um nome brilhou em letras grandes: Carlos.