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Jogo Provocante

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Blurb

Isabel Ramos deixou sua vida pacata em Lake Geneva e se mudou para Boston com um único objetivo: se formar em gastronomia e realizar o grande sonho de se tornar uma chef de cozinha reconhecida. Ela vive para o trabalho. Depois de passar meses queimando os dedos para pagar as contas, ela finalmente recebe a proposta da sua vida: mudar sua cafeteria para dentro de uma livraria conceitual e um baita investimento. Determinada a fazer dar certo, Bela agarra a oportunidade com unhas e dentes. Seus planos são claros: trabalhar duro, comprar metade da cafeteria, juntar dinheiro para abrir seu próprio bistrô autoral e mandar ajuda para sua família no interior.

Ela não tem tempo, paciência ou qualquer interesse pelo mundo dos esportes.

Ethan Cooper é o camisa 28 dos Chicago Bruins. Calmo, protetor e focado, ele fechou seu coração para o amor depois de uma grande desilusão na juventude e decidiu que sua carreira viria sempre em primeiro lugar. Só que a mídia sensacionalista não o deixa em paz, cobrando namoradas perfeitas, ao mesmo tempo em que ele começa a sentir que seu lugar no time está ameaçado. Ele precisa provar para a diretoria que sua vida está estável para focar apenas no futebol americano.

Um encontro por acaso, uma conversa mais próxima e um gesto de carinho inocente sob as luzes de um evento são tudo o que a imprensa precisava. Da noite para o dia, fotos dos dois explodem na internet. Isabel passa a ser perseguida por paparazzi em todos os lugares, vendo o sossego da sua vida e a paz do seu negócio virarem de cabeça para baixo.

Para resolver o caos, Ethan faz uma proposta: um contrato de namoro falso. Para ele, é a chance de afastar os boatos e segurar sua vaga no time. Para ela, o dinheiro extra que precisa desesperadamente para salvar a família no interior e proteger o futuro do seu sonho na cozinha.

Eles combinam que será apenas um negócio, e que no máximo vão tentar construir uma boa amizade nos bastidores para aguentar a pressão. Mas com a proximidade forçada, a rotina dividida entre os estádios e o calor da cozinha, eles vão descobrir que fingir sentimentos é um jogo perigoso... e que o amor não aceita nenhum tipo de contrato.

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A proposta da minha vida
POV: Isabel Ramos - Droga! - Depois de queimar os dedos algumas vezes na minha antiga máquina de café, a dormência na ponta dos dedos se tornou quase familiar. - Vamos, querida, preciso que me ajude! - O segundo horário de pico do dia se aproxima e, como todos os dias, eu estou lutando com a minha antiga máquina, que já viu dias melhores, para que ela fique pronta para quando o movimento da minha cafeteria sair de zero clientes para todos os clientes do mundo. O rangido do moedor finalmente ecoa ao meu redor, me arrancando um suspiro de alívio, na sequência o sino da porta me avisa que a minha tarde vai ser complexa. O sonho da menininha de Lake Geneva que fui quase some durante os dias de trabalho duro e de queimaduras. E agora, não existe tempo para entrar numa grande reflexão, eu tenho um trabalho a fazer e também um sonho para realizar. - Boa tarde! - A dona da nova livraria no final da rua sorri para mim. - Como vai, querida? Mia Dalton é sempre muito simpática e não tem a menor idéia da gratidão que eu sinto por ela colocar uma livraria aqui, o que aumentou consideravelmente o movimento da minha cafeteria. - Boa tarde, Mia. - Me movo, antes que ela faça o pedido. - O mesmo de sempre? - Todos os dias, nesse mesmo horário, ela ou a Ash, amiga e sócia dela, vem até aqui, tomar café. - Na verdade… Hoje quero te pedir outra coisa… - Congelo no lugar, com a garrafa de leite numa mão e a xícara tamanho big na outra. - Podemos conversar por alguns minutos? Sobre negócios… - Congelo no lugar, com a garrafa de leite numa mão e uma caneca enorme na outra. Pisco, olhando para ela de verdade. Para os sites sensacionalistas, ela é apenas a garota que "tirou a sorte grande", casou com a estrela do time da cidade e ganhou uma livraria de presente do marido. As materiais as pintam como uma víbora interesseira, mas a realidade não poderia ser mais distante disso. Quando pesquisei sobre ela logo que a livraria abriu, percebi que, por trás das manchetes maldösas, existia uma verdadeira lutadora. E, depois de conhecer ela, o marido e o grupo de amigos deles, tive certeza: a mídia não conhece nada sobre Amélia Dalton. Ela é cheia de vida, tem um coração enorme e exala uma felicidade genuína. Fisicamente, somos opostas. Enquanto sou baixinha e com o cabelo claro, a Mia tem os cabelos castanhos e tem curvas voluptuosas que agora parecem ainda mais radiantes com a barriguinha linda de grávida. Mas o que me chama a atenção agora não é a gestação, e sim a sua postura. Ela parece quase… nervosa? - Podemos sim. - Respondo, finalmente. - Eu não gostaria de ser interrompida, então… - Ela vira a placa de aberto na porta da loja, evidenciando o fechado. - Ainda vou precisar do meu café… - Sorrio, porque depois de quase seis meses da presença dela aqui, todos os dias, mais ou menos no mesmo horário, eu sei que o conceito dela de precisar do café com leite e baunilha que eu faço é quase uma necessidade fisiológica. - Faça algo para você também. - Assinto e me concentro no que estou fazendo, porque uma ansiedade imensa começa a subir pelo meu corpo, porque esperei por meses esse dia chegar, e parece, que ele finalmente chegou. O dia que ela colocaria um espaço de café dentro da livraria. Roubando toda a clientela que ela mesma me entregou. Mesmo que eu esteja empurrando o meu pequeno negócio com unhas e dentes, vivendo um dia de cada vez, apenas para sobreviver para o dia seguinte. Acho bacana ela se dar o trabalho de vir me avisar. Ela não teria obrigação de fazer isso… Apoio a xícara big diante dela e me sento no balcão, ao seu lado, apertando com força demais o meu próprio café. - Café descafeinado, com leite e baunilha, tamanho Big. - Ela sorri, segurando a xícara. - Você sabe que eu adoro o seu café… - Respiro fundo e ela aperta os lábios numa linha fina, antes de dar um gole generoso. - Pronto, agora consigo pensar. O meu sorriso para ela é contido, porque não consigo sentir raiva do que ela está prestes a me falar. Infelizmente, não sou o tipo de pessoa que pega ranço daqueles que fazem o que precisam fazer, mesmo que isso prejudique indireta ou diretamente os outros. E ela não me deve nada. Na verdade, só consegui organizar as coisas devido ao negócio dela. A semana de inauguração da livraria me rendeu quase um ano de faturamento e isso salvou completamente o meu negócio, no momento em que eu estava considerando fechar as portas. 6 meses foi tudo o que sobrevivi, afinal, a minha dívida estudantil e o suporte a minha família leva cada centavo do que eu faturo. - E imagino que você entenda que livros e café combinam muito… - Não consigo mais disfarçar a minha tristeza e ela deve ver isso no meu rosto, porque segura as minhas mãos. - Não posso dizer que somos amigas, mas você tem sido uma presença constante na minha vida e da minha família e é uma menina batalhadora, e eu sei que você luta muito para manter tudo isso aqui… - Mas, você precisa colocar um café dentro da livraria, e isso vai roubar o meu movimento. - Completo para ela, porque não gosto dessa enrolação. - Sim e não. - Ela admite e agora abre um sorriso enorme. - Na verdade, quero te propor uma parceria. - Abro os olhos, sentindo o choque. - Quero que mude o seu negócio para o primeiro ou segundo andar da livraria. - Suspiro, tentando recalcular todas as emoções que correm por mim. - Sei que pode ser algo enorme, e que não é bem o que você imaginou… - Calma. - Peço, porque sinto um gelado nas costas, de pânico absoluto. - Você não vai abrir outra cafeteria lá? - Ela negä com a cabeça. - Você quer que eu mude a minha cafeteria para lá? - Ela assente, com um sorriso imenso e agora os meus olhos estão pinicando de lágrimas. - Mia, isso é… - Perfeito? - Ela sugere e arregalo os meus olhos castanhos. - A idéia mais genial que tive em dois anos? - Ela faz uma expressão convencida e isso me faz rir alto. - Eu não sei se a minha estrutura dará conta. - Admito e olho ao redor. - O meu maquinário é todo usado, e o aluguel aqui cabe no meu orçamento… - Ela dá de ombros e dá mais um gole no café. - Bela… Conheço pouco dá sua história, mas consigo ver que você ama isso aqui. - Uma lágrima escorre pelo meu rosto. - E sei que batalhou muito para manter esse espaço, cuida dele com amor e é uma potência culinária, que terá muito sucesso num futuro bem próximo. - Não consigo controlar as lágrimas agora. - Por isso, eu quero uma parceria pelo seu talento. - Ela bebe mais um gole do café. - Eu tenho uma reserva muito generosa para expandir o segundo andar da livraria… Tenho planos imensos de comprar o prédio do lado… - Ela suspira e quase consigo ver a menina sonhadora que ela é desde sempre. - Bem, acho que precisamos de uma reunião para te mostrar tudo… Mas, o que eu quero é abrir um café lá dentro, com você administrando. Eu farei o investimento em tudo o que você precisa… - Continuo tentando acompanhar, mas ela parece completamente decidida. - Quero que seja nossa sócia. - Eu não tenho capital para investir. - Admito, baixinho. - Claro que tem. - O sorriso dela me promete o mundo. - Você tem o seu intelecto. Você tem a sua formação que sei que está próxima, e você tem disposição de fazer acontecer. A parte financeira combinamos depois, mas agora vamos começar com… Eu te ofereço o cargo de gestora executiva do café e uma fatia boa do negócio, pelos primeiros dois anos. Depois você terá capital financeiro para fazer o que quiser. - Mia isso…é… - Um sim? A proposta da sua vida? A melhor ideia que eu já tive? - É fácil deixar a tensão sair do meu corpo conversando com ela. - Os detalhes e letras miúdas veremos em milhares de reuniões que a Ash com certeza vai organizar, mas agora, eu preciso apenas saber se você aceita. Eu tenho o dinheiro e você o conhecimento, é uma receita perfeita. Por 5 segundos eu penso. Ou menos. - Mia, estou muito grata pela proposta… - A insegurança gira tanto no meu estômago que sinto que poderia desmaiar ou gritar. Ela parece tão nervosa quanto eu. - Eu aceito. - Declaro e ela dá um pulo em cima de mim, me abraçando com força, enquanto grita de alegria. Não viro a placa para abrir depois disso. Eu finalmente tive a oportunidade da minha vida. E esse foi a primeira surpresa do universo para mim.

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