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542 Words
enquanto isso do outro lado da cidade Kevin Brown estava sozinho no último andar do prédio. A cidade inteira brilhava lá embaixo através das paredes de vidro, mas ele nem parecia notar. Só o silêncio do escritório e o peso do copo de whisky na mão. 36 anos. CEO multimilionário. Um homem conhecido por decisões frias, diretas, sem espaço para emoção. Rude. Calculista. Intocável. Ele apoiou o cotovelo na mesa e encarou o celular outra vez. A foto dela ainda estava aberta na tela. Vitória. Ele não sabia explicar por que tinha parado naquela imagem. Não era o tipo de coisa que ele fazia. Nunca se envolvia. Nunca hesitava. Mas algo ali tinha quebrado o padrão. Ele deu um gole lento no whisky, os olhos escuros fixos na foto. — Então é você… — murmurou baixo, quase irritado consigo mesmo. Ela não parecia interesseira. Não parecia o tipo de mulher que se oferecia por dinheiro. Parecia… desesperada. Cansada. Forte do jeito errado. E isso era perigoso. Kevin largou o copo com força na mesa. Pegou o celular e começou a digitar. Diferente de antes, agora ele não estava mais curioso. Ele estava decidido. A mensagem foi curta, seca, como ele: — Uma semana é muito. Três dias. — Me envie o local. — E não gosto de perda de tempo. Ele ficou olhando a tela depois de enviar, como se esperasse uma reação dele mesmo. Não devia ter feito isso. Mas já tinha feito. Ele levantou, foi até a janela e ficou observando a cidade. E pela primeira vez em muito tempo… algo fora dos negócios, dos números e do poder tinha entrado na mente dele. E isso o irritou mais do que ele queria admitir. Os três dias passaram rápido demais. Vitória m*l conseguiu dormir direito. Cada vez que olhava para a filha no berço, sentia o peso da decisão que tinha tomado. Não era só um encontro. Era um contrato. Era a vida dela em jogo de novo — só que agora de outra forma. Na manhã marcada, ela tomou banho devagar, como se estivesse tentando organizar os pensamentos junto com a água. Escolheu um vestido bonito, simples, mas que valorizava sua presença sem exagero. Soltou os cachos ruivos, que caíam soltos e vivos pelos ombros. A maquiagem veio leve, mas marcada nos olhos. E o batom vermelho dava a ela uma força quase invisível, como se estivesse vestindo coragem. O colar dourado, os brincos e a pulseira completaram o visual — não de alguém que estava pedindo ajuda, mas de alguém que, mesmo quebrada, ainda sabia se segurar de pé. Ela olhou para o berço da filha. — Mamãe já volta… — disse baixinho. Mas nem ela sabia se era verdade. O telefone do hotel tocou. — Senhora Vitória? O senhor Brown está aqui. O coração dela apertou. Por alguns segundos, ela ficou imóvel, respirando fundo como se tentasse controlar o próprio medo. Então respondeu: — Pode mandar subir. Ela ajeitou o vestido uma última vez, passou a mão no cabelo e ficou de pé no meio do quarto. A porta era só uma barreira fina agora. E atrás dela vinha alguém que ela ainda não conhecia direito… mas que já tinha poder suficiente para mudar tudo de novo.
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