enquanto isso do outro lado da cidade Kevin Brown estava sozinho no último andar do prédio.
A cidade inteira brilhava lá embaixo através das paredes de vidro, mas ele nem parecia notar. Só o silêncio do escritório e o peso do copo de whisky na mão.
36 anos. CEO multimilionário. Um homem conhecido por decisões frias, diretas, sem espaço para emoção.
Rude. Calculista. Intocável.
Ele apoiou o cotovelo na mesa e encarou o celular outra vez.
A foto dela ainda estava aberta na tela.
Vitória.
Ele não sabia explicar por que tinha parado naquela imagem. Não era o tipo de coisa que ele fazia. Nunca se envolvia. Nunca hesitava.
Mas algo ali tinha quebrado o padrão.
Ele deu um gole lento no whisky, os olhos escuros fixos na foto.
— Então é você… — murmurou baixo, quase irritado consigo mesmo.
Ela não parecia interesseira. Não parecia o tipo de mulher que se oferecia por dinheiro. Parecia… desesperada. Cansada. Forte do jeito errado.
E isso era perigoso.
Kevin largou o copo com força na mesa.
Pegou o celular e começou a digitar.
Diferente de antes, agora ele não estava mais curioso.
Ele estava decidido.
A mensagem foi curta, seca, como ele:
— Uma semana é muito. Três dias.
— Me envie o local.
— E não gosto de perda de tempo.
Ele ficou olhando a tela depois de enviar, como se esperasse uma reação dele mesmo.
Não devia ter feito isso.
Mas já tinha feito.
Ele levantou, foi até a janela e ficou observando a cidade.
E pela primeira vez em muito tempo… algo fora dos negócios, dos números e do poder tinha entrado na mente dele.
E isso o irritou mais do que ele queria admitir.
Os três dias passaram rápido demais.
Vitória m*l conseguiu dormir direito. Cada vez que olhava para a filha no berço, sentia o peso da decisão que tinha tomado. Não era só um encontro. Era um contrato. Era a vida dela em jogo de novo — só que agora de outra forma.
Na manhã marcada, ela tomou banho devagar, como se estivesse tentando organizar os pensamentos junto com a água.
Escolheu um vestido bonito, simples, mas que valorizava sua presença sem exagero. Soltou os cachos ruivos, que caíam soltos e vivos pelos ombros. A maquiagem veio leve, mas marcada nos olhos. E o batom vermelho dava a ela uma força quase invisível, como se estivesse vestindo coragem.
O colar dourado, os brincos e a pulseira completaram o visual — não de alguém que estava pedindo ajuda, mas de alguém que, mesmo quebrada, ainda sabia se segurar de pé.
Ela olhou para o berço da filha.
— Mamãe já volta… — disse baixinho.
Mas nem ela sabia se era verdade.
O telefone do hotel tocou.
— Senhora Vitória? O senhor Brown está aqui.
O coração dela apertou.
Por alguns segundos, ela ficou imóvel, respirando fundo como se tentasse controlar o próprio medo.
Então respondeu:
— Pode mandar subir.
Ela ajeitou o vestido uma última vez, passou a mão no cabelo e ficou de pé no meio do quarto.
A porta era só uma barreira fina agora.
E atrás dela vinha alguém que ela ainda não conhecia direito… mas que já tinha poder suficiente para mudar tudo de novo.