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1162 Words
A batida na porta ecoou pelo quarto como um aviso definitivo. Vitória respirou fundo uma vez. Depois outra. Quando girou a maçaneta e abriu, o mundo pareceu diminuir ao redor dela. Ele estava ali. Kevin Brown. Alto — quase intimidando o próprio espaço. Mais de dois metros de presença pura. Terno perfeitamente alinhado, como se nem o vento tivesse coragem de tocar nele. Ombros largos, postura rígida, dominante. Cabelos pretos bem arrumados. E os olhos… frios, profundos, calculando tudo antes mesmo da fala. Ele olhou para ela de cima a baixo. Sem pressa. Sem disfarçar. E então… um meio sorriso surgiu no canto da boca dele. Não era gentil. Era curioso. Quase como se tivesse encontrado algo inesperado. — Então você é a Vitória… — a voz dele era baixa, firme. Ela engoliu seco. — Sim… pode entrar. Ele passou por ela como se o ambiente já fosse dele. Olhou o quarto, analisou cada detalhe, depois voltou os olhos para ela. — Você é ainda mais bonita pessoalmente. — Obrigada… — ela respondeu, tentando manter a firmeza. O silêncio entre os dois pesou por alguns segundos. Kevin tirou o casaco com calma, jogando-o no encosto da cadeira sem pedir licença. Sentou na poltrona como se estivesse em uma reunião de negócios. — Por que você tem interesse em fechar um contrato de submissão? A pergunta veio direta. Sem filtro. Sem delicadeza. Vitória respirou fundo. — Bom… senhor Brow— — Kevin. A interrupção foi seca. Um comando, não um pedido. Ela hesitou um segundo. — Certo… Kevin. Vou resumir minha vida para você. E depois você decide se realmente me aceita. Ele não respondeu. Só a observou. Analisando cada microexpressão, como se ela fosse um contrato vivo. Vitória continuou: — Me chamo Vitória Moreira. Tenho 24 anos. Eu era casada há três anos com um milionário. Ela fez uma pausa curta. A voz ficou mais pesada. — Mas eu engravidei… e tive minha filha há cinco dias. Kevin franziu levemente o olhar. Ainda em silêncio. — O problema… — ela continuou — é que ele surtou porque eu tive uma menina. Não um menino. O maxilar de Kevin travou. — Assim que eu saí da sala de parto… ele me forçou a assinar o divórcio. Mandou os seguranças colocarem minhas malas no hospital… e me deu um cheque de cinquenta mil. Por um instante, o ar pareceu mudar. Kevin soltou uma risada curta. Fria. Quase incrédula. — Cinquenta mil? — Exatamente isso — ela confirmou, sem desviar o olhar. A risada dele morreu na mesma hora. O rosto endureceu de novo. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, os olhos mais escuros. Vitória continuou, agora mais firme, como se já tivesse passado da parte mais dolorosa: — Eu não quero vingança. Não quero nada dele. Mas eu estou na rua. Só tenho esse dinheiro. Ela respirou fundo. — Entrei naquele site… e você comprou meu perfil. O silêncio voltou. Mais pesado. Mais denso. — Minha proposta é o seguinte — ela disse, finalmente. — Eu serei sua submissa em tudo. E você estipula quanto quer pagar e o tempo do contrato. Kevin não se mexeu. — Eu só preciso de pelo menos trinta dias… para meu corpo se recuperar do parto. Eu continuo no hotel ou onde você quiser que eu esteja. Ela engoliu seco, mas seguiu. — Com o dinheiro, eu pago uma babá para minha filha quando eu estiver com você. Você não precisa se preocupar com ela. Não vai ser um pai para ela. A última frase saiu rápida, quase defensiva. — Eu farei tudo o que você quiser… em troca de conseguir sustentar minha filha. Ela levantou um pouco o queixo, apesar do nervosismo. — Eu ainda estou… me adaptando a tudo isso. Mas até os trinta dias meu corpo vai estar melhor. Eu me cuido. Sempre me cuidei. Alimentação, treino, flexibilidade… Ela parou por um segundo, percebendo o quanto estava tentando se justificar. — Se você quiser… podemos fazer um bom contrato. A voz dela baixou. — Eu casei virgem. Então… você seria o segundo homem da minha vida. E se você não me quiser… eu vou entender. O silêncio que seguiu foi absoluto. E Kevin ficou alguns segundos em silêncio. A forma como ela falou não tinha drama exagerado. Não tinha tentativa de convencer. Era só… exaustão. Uma decisão tomada no limite. Ele cruzou as mãos à frente do corpo, ainda sentado, observando-a como se estivesse tentando desmontar cada palavra dela. — Então você acabou de ter uma filha… — ele repetiu, mais baixo agora. — E quer assinar um contrato de submissão. Vitória respirou fundo. Os olhos dela vacilaram por um segundo, mas a voz saiu firme. — É loucura… eu sei. Mas eu não tenho outra saída. Ela deu um passo leve para frente, como se quisesse deixar tudo claro antes que ele decidisse virar as costas. — É melhor eu me tornar sua submissa e ter como sustentar ela do que ver minha filha sofrer. O quarto pareceu ficar ainda mais silencioso. — O senhor estipula as regras. Sem contato fora do necessário. Sem i********e emocional. Sem conversas desnecessárias. Ela engoliu seco. — Eu entro… faço o que o senhor mandar… e depois volto para minha filha. Kevin finalmente desviou o olhar dela por um segundo, como se aquilo tivesse sido mais direto do que ele esperava. Quando voltou a encará-la, a expressão dele estava mais dura. — Você está transformando a sua vida em um acordo porque foi abandonada com um bebê de cinco dias. A frase não foi uma pergunta. Vitória não respondeu de imediato. Só assentiu, devagar. Kevin se levantou. O movimento dele encheu o quarto inteiro. Ele deu alguns passos, parando perto da janela, olhando a cidade lá fora como se estivesse organizando pensamentos perigosos. — Você não está pensando direito — ele disse, sem olhar para ela. — Você está em desespero. Ela apertou as mãos. — Eu estou sendo realista. Ele virou de volta para ela. Os olhos dele agora estavam mais frios do que antes. — Realista seria proteger sua filha primeiro. Não se vender por um contrato que você nem entende completamente. A palavra “vender” bateu nela com força. Vitória respirou fundo, mas não recuou. — Eu já fui descartada uma vez. Não vou deixar minha filha passar fome por orgulho. Silêncio. Kevin ficou encarando ela por longos segundos. E então, pela primeira vez, a voz dele baixou um pouco. — E se eu disser não? Ela fechou os olhos por meio segundo. Quando abriu, estavam marejados, mas firmes. — Eu vou encontrar outro jeito… mesmo que demore. Mesmo que seja mais difícil. Ela olhou direto para ele. — Mas eu não vou voltar para aquela vida. O ar entre os dois ficou pesado de novo. Kevin a observou como se estivesse vendo algo que não encaixava no mundo dele. E isso, mais do que qualquer contrato… era o que realmente incomodava ele.
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