(...)
— Draco?
— Fala.
— Vamos sair amanhã?
— Para onde?
— Que tal uma festa? Ou qualquer coisa assim.
— Já estamos em uma festa.
— Não, nós estamos deitados na sua cama enquanto os adultos brincam de se gostar lá embaixo.
— Só não estamos fazendo uma festa porque você não quer. — Levanto-me e arrumo minha roupa.
— Palhaço, o que acha de irmos à Londres?
— Londres? Com os trouxas?
— Sim.
— Se está afim de me matar, quebra os cristais do meu pai e fala que fui eu.
— Ah, para, vai ser legal. — Puxo suas mãos tentando fazê-lo levantar, mas o mesmo me puxa para cima dele.
— Se meu pai sonhar que está cogitando ir a Londres comigo.
— O que? Ele não pode mandar em toda sua vida, não estou pedindo para vivermos entre os trouxas, apenas para nos divertimos. — Draco respirou fundo me encarando.
— E o que eu ganho?
— Já fiz o seu natal ser bom, agora quero minha recompensa.
— Ah, então você fez meu natal ser bom? — pergunta com deboche.
— O que estaria fazendo a essa hora se eu não estivesse aqui?
— Certo, certo. Aceito ir, mas só porquê você veio e provavelmente eu estaria conversando com os amigos do meu pai. — Sorri e o beijei — Você deixou mais interessante também.
— i****a.
Draco
Alhena ficou por um bom tempo comigo, e se irritava toda vez que eu tentava convencer de que poderíamos ir à Hogsmeade ao invés de Londres, o único problema era que ela é mais teimosa do que eu.
Eu não tinha intenção alguma de subir com ela para meu quarto, mesmo a festa estando um saco e termos nos beijado lá em cima. Mas assim que vi a louca da minha tia Bellatrix entrar pela porta, sabia que não seria mais uma festa comum.
Prefiro evitar que Alhena fique exposta a essas pessoas, mesmo meu pai me obrigando a participar das reuniões, me sinto horrível por não conseguir tomar as rédeas da minha própria vida.
Não estava tão animado para ir à Londres e me misturar com os trouxas, mas se preciso fazer isso para ficar perto dela, eu farei.
— Ah, eu estou tão animada.
— Eu também. — Balanço as mãos.
— Poxa, Draquinho. Prometo que vai gostar.
— Draquinho?
— Sim. — Reviro os olhos e entramos no trem que estava vazio — Sabia que você fica muito lindo, quando está bravo?
— Sabia.
— Vamos lá, daqui há uma semana as aulas voltam e eu vou ter que aturar a Pansy em cima de você.
— Não ligo para ela, só quero você em cima de mim. — A puxei para perto e a abracei — Até mesmo porque eu não viria com nenhuma garota para Londres.
Em alguns minutos chegamos em Londres, ela tinha razão, a cidade estava linda, não tinha muitas pessoas pelas ruas, Alhena queria parar em todas as lojas e ficar olhando tudo.
— Quer comer algo? — perguntou.
— Sim, o que quer comer?
— Pizza.
— Pizza? — A olhei confuso.
— Você vai gostar, pode esperar um pouco aqui? Eu já volto. — Ela não esperou minha resposta, atravessou a rua e entrou em uma loja.
Fiquei um tempo esperando ela aparecer, estava começando a ficar bravo quando a vi saindo da loja com uma flor. É incrível a maneira como essa menina me acalma, sem ao menos perceber o que faz comigo.
— Me fez esperar tudo isso por uma flor?
— Não é só uma flor, é uma dália amarela — respondeu me entregando a flor. O que me deixou sem reação, sorri e ela saiu puxando minha mão.
— Obrigado, mas por que uma flor? E por que dália?
— Eu não vou conseguir te dizer o que estou sentindo agora e gosto muito de flores.
— E o que a dália quer dizer? — Alhena parou de caminhar e me olhou ficando corada toda vez que tentava falar.
— Quer dizer que estou feliz porque veio, e estou com o mesmo sentimento que você. — Abaixou a cabeça sorrindo — Vamos comer sua pizza?
— Vamos. — Entramos em uma loja, que ela chamou de lanchonete, os pratos pareciam ser saborosos mas não me atrevi a escolher — Como conhece tanto o mundo dos trouxas?
— Em Nova Iorque não tem uma Hogsmeade, tem lojas de bruxos, mas são tão bem escondidas que os trouxas não reparam e não são tão legais quanto os outros lugares. Eu tive que morar entre os trouxas e por isso conheço muitas coisas. — Fiquei surpreso, eu realmente não conhecia ela totalmente e muito menos Nova Iorque.
Alhena
Draco parecia bem pensativo, tanto que tomou um susto quando o garçom perguntou se podia servir. Não consegui segurar a risada.
— Vão querer refrigerantes ou sucos?
— Quero uma cerveja amanteigada — respondeu Draco, e o garçom o encarou confuso.
— Ele está brincando. — Dei risada — Pode trazer dois refrigerantes, por favor.
— Não tem cerveja amanteigada?
— Não, mas tem outras bebidas que não podemos beber. — Draco balançou a cabeça negativamente e olhou para seu prato.
— Como eu como isso?
— Pode ser com as mãos. — Sorri, ele pegou a pizza e comeu um pedaço.
— Tá, eu gostei.
— Eu falei que ia gostar.
— Com licença. — O garçom colocou as bebidas na mesa.
— Obrigado. — Agradeci olhando Draco — Bebe um pouco.
Ficamos por um tempo na lanchonete, enquanto Draco comentava que os bruxos precisavam tomar a pizza para eles, acho que o mau humor era fome.
— Ainda tem pesadelos?
— Às vezes, mas não como antes. — Estávamos indo em direção ao parque que estava coberto de neve.
— Se precisar conversar, pode falar comigo.
— Eu sei. — Peguei sua mão e fomos para o balanço.
— Senta, eu vou te balançar. — Obedeci o seu pedido e ele começou a me balançar devagar.
— Mais alto, eu quero voar. — Dei risada e ele parou o balanço.
— Você sabe que pode voar, não é? — perguntou me abraçou por trás e colocou a cabeça em meu ombro. — O que acha de irmos voar, tipo agora?
— Faz tempo que não voo.
— Adoraria fazer isso com você.
— E como vai arrumar uma vassoura em Londres?
— Assim. — Draco olhou para cima e um vulto preto passou rapidamente entre as árvores — Vem. — Fomos para as árvores, ele não estava nenhum pouco preocupado com alguém nos ver, mas olhei ao redor e parecia que Londres era apenas nossa — Está tudo bem?
— Só estou vendo se não tem ninguém. — Draco sorriu, toda vez que ele sorri parece outra pessoa, isso me desmonta.
(...)
— Pode subir. — Draco já estava flutuando a alguns centímetros do chão, ele me ajudou a subir e abracei seu corpo — Espero que não tenha medo de altura.
— Só vamos. — Fechei os olhos, senti o vento tomar conta do meu cabelo e o frio em minhas mãos.
— Abre os olhos, vai gostar da visão. — Abro os olhos e estamos acima das árvores, Draco voava devagar, conseguimos ver o lago e alguns animais nas árvores — Está tudo bem?
— Sim. — Apoiei a cabeça em suas costas.
— Se segura. — Draco acelerou com a vassoura, estávamos em um campo vazio e então descemos rápido, meu coração quase saiu por minha boca. Draco estava rindo e gritando — Lhena abre os olhos.
— Não.
— Por favor. — Abri os olhos e várias flores de dália surgiram no gramado. Dei risada, estávamos a poucos centímetros do chão.
— Eu já disse que você é maluco?
— Sim. — Descemos da vassoura e ele me abraçou — Eu não ligo, nenhum pouco.
— Hoje foi um dos melhores dias que tive nos últimos meses.
— Você vai me deixar maluco, Lhena.
Draco me puxou para perto e nos beijamos, ele estava leve, não parecia o Draco aterrorizante que todos diziam por aí, nunca imaginei que pudesse ser romântico.
— Quem é você e o que fez com o Malfoy?
— Eu sou o Draco, Draco Lucius Malfoy.
Ficamos até a noite em Londres, Draco me levou para Hogwarts e foi para sua casa, estou sem palavras para descrever o dia de hoje.