Draco
Estava preocupado com Alhena, seu plano era arriscado e muito perigoso, ela tinha apenas dezesseis anos, não deveria estar por aí fazendo acordos com um Lord das Trevas.
Essa semana seria a nossa última tentativa para conseguirmos matar Dumbledore, porque depois estaríamos de férias novamente.
Ela chorava sempre que pensava nessa ideia, todas as noites que ficávamos na sala-precisa, eu me odiava por fazer isso com ela. Não temos escolha, sinto que Alhena estava um pouco isolada e distante, mas como poderia não estar?
— Você está pronta? — Me aproximei olhando seu reflexo no espelho.
— Não, e você? — Suspiro.
— Nenhum pouco, nada do que fiz até agora afetou o diretor, o colar, a bebida e até mesmo o anel, nada.
— Você se lembra do plano?
— Eu vou enfrentá-lo e você vai o defender e por fim, eu concluo. — Abaixei a cabeça em seu ombro — Me perdoa.
— Você não tem culpa, apenas fez o que precisava fazer. — Me abraçou — Se algo der errado hoje...
— Eu te amo, e me odeio por te colocar nessa posição. — Interrompi sua fala e a abracei forte.
— Eu também te amo. — Me encarou, e me beijou. Sempre que Alhena me tocava eu sabia que valeria a pena todo esse esforço, não posso viver sem ela.
Ficamos quietos e apenas ficamos nos olhando enquanto estávamos na sala-precisa, Dumbledore poderia chegar a qualquer momento, a passagem já estava aberta para os comensais entrarem, apenas estavam esperando o sinal.
Ouvimos passos indo em direção à torre de astronomia e seguimos, o avistei de longe e Dumbledore estava conversando sozinho.
— Preciso fazer isso agora. — Soltei sua mão e acelerei os passos para a torre — Com quem está falando? — Dumbledore virou-se e sorriu.
— Draco! Como está sua noite? Eu costumo conversar sozinho, deveria fazer o mesmo, é muito bom para esclarecer algumas coisas.
— Está biruta! — Pego minha varinha e me dei conta que meus olhos estavam cheios de lágrimas, droga! Até um maldito elfo saberia que não quero fazer isso.
— Sei que pode estar confuso, Malfoy. Mas essa não seria sua melhor escolha, vale a pena tudo isso?
— Vale. — Escutei uma gargalhada atrás de mim e era ela.
— Mate-o Draco! O Lord das Trevas está esperando — ordenou Bellatrix me rodeando enquanto outros comensais estavam atrás dela.
— Bellatrix Lestrange, há quanto tempo — exclamou Dumbledore, ele não parecia tão preocupado.
— Mate-o ou eu farei! — Um comensal gritou.
— Não! O mestre quer que Draco faça.
— Ele não vai conseguir, está abalado. — Severo apareceu entre os comensais e sacou a varinha.
— Eu farei! — gritei enquanto as lágrimas caiam.
— Severus, por favor — murmurou Dumbledore.
— Avada Kedavra! — O diretor voou para fora da janela e caiu da torre de astronomia, Severus não demonstrava nenhum sentimento, nada.
As gargalhadas de Bellatrix tomaram conta da sala e ela deixou a marca n***a no céu. Quando eu ia sair da sala Snape me segurou e balançou a cabeça negativamente.
Todos fomos para fora do castelo, seguindo em direção à floresta proibida, Alhena não estava em lugar algum, muito menos onde eu havia a deixado, será que ela desistiu?
Alhena
Quando eu ia entrar na torre, alguém me puxou e eu estava novamente na sala-precisa, eu precisava ajudar Draco.
— Você vai me contar agora o que está acontecendo! — Abri os olhos e vejo Gina com os gêmeos.
— Eu preciso ir, eu não posso ficar aqui, Draco precisa de mim.
— Ele pode se virar sem você. — Gina cruzou os braços e eu respirei fundo.
— Vamos gatinha, quanto mais rápido falar, mais rápido vai poder voltar — disse Fred
sorrindo. Contei tudo o que aconteceu desde o dia que eu desapareci e voltei.
— Você está maluca? — perguntou Jorge.
— Eu fiz o que tinha que fazer.
— Um acordo com Voldemort? — Gina bateu o pé — Que acordo era esse? — Mordo meu lábio inferior e abaixo a cabeça.
— Ele queria que o Draco matasse o Dumbledore ou ele me mataria.
— Meu Merlin! — exclamou Fred, levantando-se e colocando as mãos na cabeça.
— Ele sabia que o Draco não iria conseguir, por isso aceitou que eu ajudasse. Eu contei tudo à Dumbledore, e ele me disse que daria um jeito, por isso preciso estar lá com Draco, ele não sabe que contei para Dumbledore.
— Eu não acredito nisso! — Gina levantou e saiu da sala, Jorge foi atrás para tentar acalmá-la.
— Quem te viu, quem te vê, hein? — Fred jogou-se ao meu lado e me encarou — Você está bem com tudo isso?
— Não, não quero carregar a morte dele nas minhas costas. Não mais uma. — Me encolhi e Fred aproximou-se.
— Voldemort faria de qualquer maneira, você só teve o azar de entrar no meio disso.
— Poderia ter sido qualquer um.
— Mas o Draco gosta de você, Voldemort sabe que ele não teria como escolher, porque quando você ama alguém, sabe. Você só quer ver a pessoa bem, mesmo que não esteja com você. — Fred me abraçou e deitei a cabeça em seu peito, eu poderia chorar, mas não tenho mais lágrimas para isso — Vai ficar tudo bem, confia em mim.
— Queria que fosse verdade, que fosse fácil. — Fred deu risada e me olhou.
— Se fosse fácil, não teria graça. Fecha os olhos. — Fechei os olhos e senti ele colocando algo em minha mão, abri os olhos e vi duas flores uma amarela e uma vermelha — Duas tulipas para você lembrar de mim sempre.
— Não teria motivo para te esquecer.
— Bom, não vão ser dias fáceis.
— Você é incrível. — O abracei e ele retribuiu.
— Eu sei disso. — Sorriu e me encarou. Seus olhos eram castanhos, mas combinavam com seus cabelos ruivos, era uma mistura impossível, mas que de alguma maneira dava certo — Quer sair daqui? Não vão acontecer coisas muito boas se ficarmos tão próximos assim.
— Tipo? — O encarei ainda segurando as flores. Seu rosto ficou mais vermelho que seus cabelos, nunca vi Fred com vergonha de algo, o que estaria acontecendo? — O que foi?
— Me desculpa. — Fred me puxou e me beijou, eu estava imóvel, não sabia o que fazer, seu beijo era quente parecia fogo. Suas mãos estavam em meu rosto, ele não acariciava meu corpo, mas tentava colar nossos corpos. Era bom e ao mesmo tempo errado. Fred parou o beijo e grudou nossas testas ainda com os olhos fechados — Eu esperei tanto por isso, eu sei que não deveria, me desculpa.
— Está tudo bem, nosso segredo está guardado aqui dentro. — passei a mão em seu rosto e ele sorriu, era diferente de Draco, ele sorria por tudo, não existia nada que poderia abalar sua alegria. Era diferente.
Draco
Todos fizeram a maior festa naquela noite, mas como eu poderia? Dumbledore estava morto, eu não fazia ideia de onde Alhena estava ou se ela estava viva, apenas quero sumir daqui. Não aguentaria viver mais um dia assim, que p***a! Cadê o Malfoy? Agora eu só choro, não consigo fazer mais nada além de chorar, a única coisa que me faz ficar aqui todos os dias e levantar da cama é a Alhena, o que ela fez comigo? Preciso encontrar ela.