CAPÍTULO 11 — A VERDADE QUEBRADA QUE NINGUÉM ESPERAVA

880 Words
O dia estava estranho desde o início. O céu cinzento, a empresa mais silenciosa que o normal, os corredores parecendo mais longos. Hana sentia um peso inexplicável no ar — como se algo estivesse prestes a acontecer. E aconteceu. Ela estava revisando documentos quando ouviu passos apressados, murmúrios e o som de mensagens pipocando nos celulares. As pessoas começaram a se reunir em pequenos grupos, sussurrando com espanto. — Você viu isso? — Não pode ser verdade… — Isso vai destruir a imagem dele… Hana se levantou, inquieta. — O que está acontecendo? — perguntou a uma funcionária. A mulher hesitou, nervosa, antes de virar o celular para Hana. Na tela, um post anônimo começava a se espalhar pela internet: “O CEO da Haneul Corp escondeu informações sobre um acidente que ele mesmo causou anos atrás. Uma pessoa morreu.” O sangue de Hana gelou. — Isso é mentira — ela sussurrou automaticamente, mesmo sem saber a verdade. Mas a funcionária continuou rolando. Havia fotos. Uma jovem sorrindo na beira de um lago. Uma reportagem antiga sobre um acidente de carro. Um carro destruído. Um sobrenome igual ao de Ji-Won. Hana sentiu a garganta secar. — Quem fez isso? — ela perguntou, a voz fraca. A funcionária engoliu em seco. — Não sabemos… mas parece que alguém vazou documentos internos. Documentos internos. Hana sentiu um arrepio estranho percorrer o corpo. — Onde está o Ji-Won? — ela perguntou. — Na sala de crise — respondeu alguém. — A diretoria inteira está lá. Hana correu pelo corredor, mas antes de chegar à porta da sala de reuniões, ouviu a voz de Soo-Yeon lá dentro. Alta. Firme. Acusatória. — Isso é resultado de incompetência e negligência! Se essa história vazar completamente, ele jamais poderá continuar como CEO! Hana encostou na porta, o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito. Então ouviu outra voz. Uma que doía só de ouvir. Ji-Won. — Eu assumo total responsabilidade — ele disse, voz rouca. Hana entrou na sala sem pensar. Todos se viraram. Ji-Won estava pálido. Os olhos vermelhos. A expressão… destruída. Ele parecia um homem que acabara de ser quebrado em pedaços. — Ji-Won… — Hana sussurrou. Mas ele não olhou para ela. Soo-Yeon sorriu — um sorriso pequeno, satisfeito, venenoso. — Ora, se não é a estrangeira favorita da empresa — ela disse com sarcasmo. — Chegou a tempo de ver a queda do homem que tenta proteger você. — Chega, Soo-Yeon — Ji-Won disse, finalmente erguendo a voz. — Isso não tem nada a ver com ela. — Tem sim — Soo-Yeon retrucou, dando um passo à frente. — Foi depois que ela chegou que tudo começou a desmoronar. Hana respirou fundo. — Isso é uma coincidência — respondeu. — Coincidência? — Soo-Yeon riu. — Você deveria olhar melhor. E então, lentamente, ela virou o tablet para mostrar a todos. Na tela, havia um documento interno vazado. Com data. Assinatura. E um nome em destaque: HANA ALBUQUERQUE Responsável pelo envio e manuseio do arquivo. Hana sentiu o chão sumir. — Isso é uma armação — ela disse, a voz tremendo. — Eu nunca vazaria nada. Eu m*l tinha acesso a documentos assim quando cheguei! Mas os olhares na sala se voltaram para ela. Sussurros começaram. Dúvidas. E então… Ji-Won finalmente olhou para Hana. E seu olhar era um espelho de dor. E de algo pior: Medo. — Hana… — ele começou, vacilante. — Você… teve acesso a essa pasta na semana passada. O mundo dela desabou. — Você acha que fui eu? — ela perguntou, com lágrimas surgindo nos olhos. Ji-Won não respondeu. E esse silêncio matou mais do que qualquer acusação. — Eu preciso saber a verdade — ele disse, com a voz baixa. — Por favor, me diga que não— — Eu NÃO fiz isso! — Hana gritou, magoada. — Como você pode pensar isso de mim? Foi então que Min-Ho entrou correndo na sala, ofegante. — NÃO FOI A HANA! — ele gritou, segurando o celular. — Tenho provas! Todos se viraram. — Alguém entrou no sistema usando o login dela — Min-Ho continuou — mas o acesso foi feito de um computador que não é o dela. É uma clonagem. Hana levou a mão à boca, aliviada e ao mesmo tempo quebrada. Soo-Yeon apertou os olhos por um segundo. Um erro minúsculo. Mas suficiente para revelar que ela não esperava que Min-Ho investigasse. Ji-Won respirou fundo, o rosto perdido entre alívio e culpa. — Hana… eu— Mas ela deu um passo para trás. — Não. — A voz dela quebrou. — Você duvidou de mim… de novo. Mesmo sabendo o que eu vivi. Mesmo sabendo como isso me afeta. Você me pediu para confiar em você… mas você não confia em mim. Ji-Won tentou se aproximar. — Hana, por favor— Ela recuou mais um passo. — Eu não posso ficar aqui — disse com a voz embargada. — Não assim. E Hana saiu da sala enquanto a chuva começava a cair lá fora, como se o céu chorasse junto com ela. Ji-Won ficou parado. Incapaz de seguir. Com a única pessoa que estava aprendendo a amar… indo embora porque ele falhou. De novo. E Soo-Yeon sorriu discretamente. A reviravolta tinha começado.
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