O dia estava estranho desde o início.
O céu cinzento, a empresa mais silenciosa que o normal, os corredores parecendo mais longos.
Hana sentia um peso inexplicável no ar — como se algo estivesse prestes a acontecer.
E aconteceu.
Ela estava revisando documentos quando ouviu passos apressados, murmúrios e o som de mensagens pipocando nos celulares.
As pessoas começaram a se reunir em pequenos grupos, sussurrando com espanto.
— Você viu isso?
— Não pode ser verdade…
— Isso vai destruir a imagem dele…
Hana se levantou, inquieta.
— O que está acontecendo? — perguntou a uma funcionária.
A mulher hesitou, nervosa, antes de virar o celular para Hana.
Na tela, um post anônimo começava a se espalhar pela internet:
“O CEO da Haneul Corp escondeu informações sobre um acidente que ele mesmo causou anos atrás. Uma pessoa morreu.”
O sangue de Hana gelou.
— Isso é mentira — ela sussurrou automaticamente, mesmo sem saber a verdade.
Mas a funcionária continuou rolando.
Havia fotos.
Uma jovem sorrindo na beira de um lago.
Uma reportagem antiga sobre um acidente de carro.
Um carro destruído.
Um sobrenome igual ao de Ji-Won.
Hana sentiu a garganta secar.
— Quem fez isso? — ela perguntou, a voz fraca.
A funcionária engoliu em seco.
— Não sabemos… mas parece que alguém vazou documentos internos.
Documentos internos.
Hana sentiu um arrepio estranho percorrer o corpo.
— Onde está o Ji-Won? — ela perguntou.
— Na sala de crise — respondeu alguém. — A diretoria inteira está lá.
Hana correu pelo corredor, mas antes de chegar à porta da sala de reuniões, ouviu a voz de Soo-Yeon lá dentro.
Alta.
Firme.
Acusatória.
— Isso é resultado de incompetência e negligência! Se essa história vazar completamente, ele jamais poderá continuar como CEO!
Hana encostou na porta, o coração batendo tão forte que parecia querer sair do peito.
Então ouviu outra voz.
Uma que doía só de ouvir.
Ji-Won.
— Eu assumo total responsabilidade — ele disse, voz rouca.
Hana entrou na sala sem pensar.
Todos se viraram.
Ji-Won estava pálido.
Os olhos vermelhos.
A expressão… destruída.
Ele parecia um homem que acabara de ser quebrado em pedaços.
— Ji-Won… — Hana sussurrou.
Mas ele não olhou para ela.
Soo-Yeon sorriu — um sorriso pequeno, satisfeito, venenoso.
— Ora, se não é a estrangeira favorita da empresa — ela disse com sarcasmo. — Chegou a tempo de ver a queda do homem que tenta proteger você.
— Chega, Soo-Yeon — Ji-Won disse, finalmente erguendo a voz. — Isso não tem nada a ver com ela.
— Tem sim — Soo-Yeon retrucou, dando um passo à frente. — Foi depois que ela chegou que tudo começou a desmoronar.
Hana respirou fundo.
— Isso é uma coincidência — respondeu.
— Coincidência? — Soo-Yeon riu. — Você deveria olhar melhor.
E então, lentamente, ela virou o tablet para mostrar a todos.
Na tela, havia um documento interno vazado.
Com data.
Assinatura.
E um nome em destaque:
HANA ALBUQUERQUE
Responsável pelo envio e manuseio do arquivo.
Hana sentiu o chão sumir.
— Isso é uma armação — ela disse, a voz tremendo. — Eu nunca vazaria nada. Eu m*l tinha acesso a documentos assim quando cheguei!
Mas os olhares na sala se voltaram para ela.
Sussurros começaram.
Dúvidas.
E então…
Ji-Won finalmente olhou para Hana.
E seu olhar era um espelho de dor.
E de algo pior:
Medo.
— Hana… — ele começou, vacilante. — Você… teve acesso a essa pasta na semana passada.
O mundo dela desabou.
— Você acha que fui eu? — ela perguntou, com lágrimas surgindo nos olhos.
Ji-Won não respondeu.
E esse silêncio matou mais do que qualquer acusação.
— Eu preciso saber a verdade — ele disse, com a voz baixa. — Por favor, me diga que não—
— Eu NÃO fiz isso! — Hana gritou, magoada. — Como você pode pensar isso de mim?
Foi então que Min-Ho entrou correndo na sala, ofegante.
— NÃO FOI A HANA! — ele gritou, segurando o celular. — Tenho provas!
Todos se viraram.
— Alguém entrou no sistema usando o login dela — Min-Ho continuou — mas o acesso foi feito de um computador que não é o dela. É uma clonagem.
Hana levou a mão à boca, aliviada e ao mesmo tempo quebrada.
Soo-Yeon apertou os olhos por um segundo.
Um erro minúsculo.
Mas suficiente para revelar que ela não esperava que Min-Ho investigasse.
Ji-Won respirou fundo, o rosto perdido entre alívio e culpa.
— Hana… eu—
Mas ela deu um passo para trás.
— Não. — A voz dela quebrou. — Você duvidou de mim… de novo. Mesmo sabendo o que eu vivi. Mesmo sabendo como isso me afeta. Você me pediu para confiar em você… mas você não confia em mim.
Ji-Won tentou se aproximar.
— Hana, por favor—
Ela recuou mais um passo.
— Eu não posso ficar aqui — disse com a voz embargada. — Não assim.
E Hana saiu da sala enquanto a chuva começava a cair lá fora, como se o céu chorasse junto com ela.
Ji-Won ficou parado.
Incapaz de seguir.
Com a única pessoa que estava aprendendo a amar… indo embora porque ele falhou.
De novo.
E Soo-Yeon sorriu discretamente.
A reviravolta tinha começado.