CAPÍTULO 35 — ELE PASSOU A VIGIAR O PERIGO EM SILÊNCIO

758 Words
Ji-Won não dormiu depois daquela noite. O corpo estava ao lado de Hana, quente, presente — mas a mente permanecia em alerta. Ele sabia. Alguém estava atacando pelas sombras. E ele não cometeria o mesmo erro de antes: não esperaria a dor virar desastre. Quando Hana finalmente adormeceu, exausta do próprio medo, Ji-Won se levantou com cuidado, pegou o celular e foi até a varanda. O vento frio da madrugada atingiu seu rosto, mas não esfriou a decisão que já estava tomada. Ele ligou para uma única pessoa. — Eu preciso que você investigue algo para mim. Sem registros oficiais. Sem deixar rastros. Do outro lado da linha, um silêncio breve. — Entendido — respondeu a voz. — Quem é o alvo? Ji-Won fechou os olhos por um instante. — Yoon-Hee. Na manhã seguinte, Hana acordou com o cheiro de café fresco. Ji-Won estava na cozinha, como se nada tivesse acontecido. Camisa branca, mangas dobradas, expressão tranquila demais para quem tinha passado a madrugada em guerra. — Dormiu bem? — ele perguntou. Ela hesitou antes de responder. — Um pouco melhor. Ele sorriu suave. — Fico feliz. Ji-Won não perguntou nada. Não pressionou. Não pediu explicações. E isso, estranhamente, deixou Hana ainda mais nervosa. — Você… não vai me perguntar o que aconteceu ontem à noite? — ela disse, sentando-se à mesa. Ji-Won colocou a xícara diante dela com cuidado. — Quando você estiver pronta para falar, eu vou ouvir. Ela o encarou. — E se for algo f**o? — Então eu vou sentar ao seu lado mesmo assim. As palavras eram simples, mas tocaram fundo. Hana sentiu vontade de chorar. Mas também sentiu algo diferente: confiança. Enquanto Hana tentava seguir o dia normalmente, Ji-Won fazia o que sempre soube fazer melhor — agir com precisão. Na empresa, chamou discretamente o chefe de segurança. — Quero monitoramento total de mensagens anônimas ligadas ao nome da Hana. — Isso inclui e-mails externos, redes sociais e qualquer tentativa indireta de contato. — Entendido. — E mais uma coisa — Ji-Won completou, com o olhar frio. — Quero um histórico completo de tudo que Yoon-Hee fez desde que voltou ao país. O homem engoliu seco. — Tudo, senhor? — Tudo. À tarde, Ji-Won recebeu o primeiro retorno da investigação paralela. As mensagens anônimas tinham origem mascarada. Mas o padrão era claro. Não eram ataques aleatórios. Eram psicológicos. — Ela está tentando quebrá-la antes de se expor — disse o investigador. — Quer que Hana se afaste por conta própria. Ji-Won apertou o maxilar. — Não vai acontecer. — Há algo mais — a voz continuou. — Yoon-Hee tem um dossiê. Antigo. Detalhado. Ela não vazou tudo… ainda. Ji-Won sentiu o estômago revirar. — O que ela está esperando? — O momento em que Hana estiver mais instável. O silêncio que se seguiu foi pesado. Ji-Won olhou pela janela do escritório, a cidade pulsando lá embaixo, alheia à guerra íntima que se travava. — Então vamos antecipar. Em casa, naquela noite, Hana percebeu pequenas mudanças. O porteiro a cumprimentou de forma mais cuidadosa. O elevador parecia mais monitorado. O celular não vibrou com mensagens estranhas. — Você fez algo — ela disse, desconfiada. Ji-Won fechou a porta e se virou para ela. — Fiz o que eu devia fazer desde o começo. Ela cruzou os braços. — Ji-Won… eu não quero que você lute minhas batalhas sozinho. Ele se aproximou devagar. — Eu não estou lutando por você. — tocou o rosto dela com carinho. — Estou lutando com você, mesmo quando você ainda não consegue. Hana sentiu o nó na garganta. — E se isso te custar tudo? — ela perguntou, a voz frágil. Ji-Won respondeu sem hesitar: — Então eu pago o preço. Ela o abraçou forte, como se o mundo estivesse tentando arrancá-lo dela. E ele ficou. Firme. Inteiro. Mais tarde, quando Hana já dormia, Ji-Won recebeu uma última mensagem naquela noite. Uma foto. O mesmo envelope pardo. Agora nas mãos de Yoon-Hee. A legenda dizia apenas: Ela ainda não te contou tudo, não é? Ji-Won fechou os olhos. Não de medo. De controle. — Você subestimou a pessoa errada — murmurou. Ele bloqueou o celular e voltou para o quarto. Deitou-se ao lado de Hana, puxando-a para perto. Ela se mexeu, ainda dormindo, e encostou o rosto no peito dele. Ji-Won a segurou com mais força. A guerra estava declarada. Mas, dessa vez, Hana não seria pega sozinha. E Yoon-Hee estava prestes a descobrir uma coisa perigosa: amar em silêncio não é fraqueza. É estratégia.
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