CAPÍTULO 18 — O DIA EM QUE A VILÃ PERCEBE QUE ESTÁ PERDENDO

975 Words
O sol m*l tinha nascido quando Soo-Yeon entrou no prédio da Haneul Corp com passos calculados, salto ecoando como aviso de guerra. O rosto estava impecável, maquiagem perfeitamente aplicada, sorriso treinado — mas os olhos denunciavam tudo. Fúria. Raiva. Medo. Ela tinha passado a madrugada acreditando que tinha vencido. Acreditando que Hana estava emocionalmente destruída. Acreditando que Ji-Won se afastaria dela. Acreditando que tudo voltaria “ao normal”. Mas então… Ela viu. Pela primeira vez, Soo-Yeon viu algo que não estava preparada para ver: Ji-Won sorrindo. Sorrindo enquanto entrava na empresa com o cachecol de Hana no pescoço. Não era aquele sorriso polido para reuniões. Era suave. Natural. Humano. Era um sorriso que ela nunca conseguiu arrancar dele. Mas Hana… conseguiu. O coração de Soo-Yeon queimou. Ela observou de longe quando Ji-Won entrou no elevador. Antes da porta fechar, outra cena a destruiu por dentro: Hana surgiu poucos segundos depois, ainda com o casaco dele dobrado nos braços. Ela caminhava com serenidade, um cansaço suave no olhar… mas também havia ali uma luz. A luz de alguém que foi acolhida. — Não… — Soo-Yeon murmurou, apertando a bolsa. — Não pode ser. Ela correu até o painel, mas o elevador já tinha subido. A respiração dela acelerou. Eles estiveram juntos. Depois de tudo que eu fiz… eles se aproximaram? O ódio subiu pela garganta. Soo-Yeon virou nos saltos e seguiu para o 17º andar, onde a diretoria já começava suas atividades. Arremessou a bolsa sobre a mesa e chamou sua assistente com voz cortante: — Quero todos os acessos de ontem. Todos. Agora. A assistente empalideceu. — S-sim, senhorita Soo-Yeon. Mas Soo-Yeon não queria dados. Queria controle. Queria sentir que ainda comandava algo. Quando a assistente saiu, Soo-Yeon se olhou no reflexo do vidro. E viu a si mesma… perdendo. — Eu não vou permitir — ela sussurrou. — Não depois de tudo. Ele é MEU. Mas a verdade era c***l: nunca foi. ⸻ Enquanto isso, no 20º andar, Ji-Won estava completamente diferente do homem de uma semana atrás. A confiança ainda estava quebrada, os medos ainda existiam… mas agora havia algo mais forte: Determinação. Ele pegou o celular e digitou uma mensagem curta: Hana, quando puder, quero te mostrar algo. Nada urgente. Só quando você se sentir bem. Ele apagou duas vezes antes de mandar. Estava com medo de pressioná-la. Com medo de machucá-la de novo. Mas finalmente enviou. E só de enviar… algo em seu peito acalmou. ⸻ Hana viu a notificação enquanto organizava documentos em sua mesa. O nome dele acendeu seu coração, mas, diferentemente do dia anterior, não doeu. Ela respirou fundo e sorriu suavemente. Min-Ho, que estava ao lado dela revisando um relatório, percebeu. — Está falando com alguém especial? — perguntou com um sorriso provocador. Hana ficou vermelha. — Min-Ho… — Está tudo bem — ele disse, gentil. — Ele te magoou, mas… sei quando um homem está arrependido de verdade. E Ji-Won… está. Hana olhou para o chão, tocada. — Eu… ainda não sei o que vai acontecer — ela confessou. — Não precisa saber agora — Min-Ho respondeu. — Só não deixe ninguém decidir essa história no seu lugar. Nem Ji-Won. Nem a empresa. E muito menos… — ele suspirou — a Soo-Yeon. Hana sorriu, agradecida. Mas antes que pudesse responder, a porta do andar se abriu com força. Soo-Yeon entrou. E o mundo inteiro pareceu prender a respiração. O olhar dela percorreu a sala até encontrar exatamente o que procurava: Hana. E, pior ainda… Hana rindo com Min-Ho. As unhas de Soo-Yeon arranharam a lateral da própria bolsa. Ela caminhou até eles com passos longos, cada um carregado de veneno. — Que cena bonita — ela disse, com um sorriso falso. — Dois funcionários… tão confortáveis… durante o horário de expediente. Min-Ho cruzou os braços. — Estamos trabalhando. — Trabalhando? — ela repetiu, inclinando a cabeça. — Porque o que parece, doutor Min-Ho, é que você está ocupadíssimo demais… cuidando de assuntos pessoais. Hana permaneceu em silêncio. Não por medo — mas porque não queria alimentar o fogo. Soo-Yeon deu um passo à frente, de modo que apenas Hana pudesse ouvir: — Você está achando que ganhou, não é? Que um cachecol… ou um sorriso… significa algo? Hana respirou fundo, mas não recuou. — Eu não estou competindo com você — respondeu, firme. — Nunca estive. O sorriso de Soo-Yeon desmanchou. Por um segundo, ela perdeu o controle. — Mas devia — ela declarou, olhos faiscando. — Porque eu estou prestes a esmagar você como deveria ter feito desde o começo. Min-Ho deu um passo à frente, irritado. — Chega, Soo-Yeon. Você já fez demais. Ela encarou Min-Ho com desprezo. — Você acha que pode protegê-la? — ela perguntou. — Pode proteger ele também? Porque o plano que estou preparando… vai destruir os dois. Hana sentiu o estômago revirar. — O que você está dizendo? — perguntou. Soo-Yeon sorriu. Um sorriso lento. c***l. Orgulhoso. — Só digo isso: Ainda não perdi. E eu só fico assim… — ela inclinou o rosto — quando percebo que estou perto de algo que é MEU sendo tirado das minhas mãos. Min-Ho apertou os punhos. — Ji-Won nunca foi seu. Soo-Yeon virou-se para ele, séria. — Mas vocês vão ver o que acontece… quando alguém tenta tirar algo de mim. E então saiu da sala como uma tempestade em salto alto. Hana ficou pálida. Min-Ho respirou fundo. E, no exato momento em que Soo-Yeon desapareceu pelo corredor… O celular de Hana vibrou. Era uma mensagem do TI confidencial: Hana, encontramos algo sobre o caso. Precisamos falar com você e o Sr. Kang imediatamente. É sério. Hana sentiu a pele arrepiar. Min-Ho leu por cima e seu olhar endureceu. — Seja o que for… não vai ser leve — ele disse. E Hana soube. A guerra estava oficialmente declarada.
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