O sol m*l tinha nascido quando Soo-Yeon entrou no prédio da Haneul Corp com passos calculados, salto ecoando como aviso de guerra. O rosto estava impecável, maquiagem perfeitamente aplicada, sorriso treinado — mas os olhos denunciavam tudo.
Fúria.
Raiva.
Medo.
Ela tinha passado a madrugada acreditando que tinha vencido.
Acreditando que Hana estava emocionalmente destruída.
Acreditando que Ji-Won se afastaria dela.
Acreditando que tudo voltaria “ao normal”.
Mas então…
Ela viu.
Pela primeira vez, Soo-Yeon viu algo que não estava preparada para ver:
Ji-Won sorrindo.
Sorrindo enquanto entrava na empresa com o cachecol de Hana no pescoço.
Não era aquele sorriso polido para reuniões.
Era suave.
Natural.
Humano.
Era um sorriso que ela nunca conseguiu arrancar dele.
Mas Hana… conseguiu.
O coração de Soo-Yeon queimou.
Ela observou de longe quando Ji-Won entrou no elevador. Antes da porta fechar, outra cena a destruiu por dentro:
Hana surgiu poucos segundos depois, ainda com o casaco dele dobrado nos braços. Ela caminhava com serenidade, um cansaço suave no olhar… mas também havia ali uma luz.
A luz de alguém que foi acolhida.
— Não… — Soo-Yeon murmurou, apertando a bolsa. — Não pode ser.
Ela correu até o painel, mas o elevador já tinha subido.
A respiração dela acelerou.
Eles estiveram juntos.
Depois de tudo que eu fiz… eles se aproximaram?
O ódio subiu pela garganta.
Soo-Yeon virou nos saltos e seguiu para o 17º andar, onde a diretoria já começava suas atividades. Arremessou a bolsa sobre a mesa e chamou sua assistente com voz cortante:
— Quero todos os acessos de ontem. Todos. Agora.
A assistente empalideceu.
— S-sim, senhorita Soo-Yeon.
Mas Soo-Yeon não queria dados.
Queria controle.
Queria sentir que ainda comandava algo.
Quando a assistente saiu, Soo-Yeon se olhou no reflexo do vidro.
E viu a si mesma…
perdendo.
— Eu não vou permitir — ela sussurrou. — Não depois de tudo. Ele é MEU.
Mas a verdade era c***l:
nunca foi.
⸻
Enquanto isso, no 20º andar, Ji-Won estava completamente diferente do homem de uma semana atrás.
A confiança ainda estava quebrada, os medos ainda existiam… mas agora havia algo mais forte:
Determinação.
Ele pegou o celular e digitou uma mensagem curta:
Hana, quando puder, quero te mostrar algo. Nada urgente. Só quando você se sentir bem.
Ele apagou duas vezes antes de mandar.
Estava com medo de pressioná-la.
Com medo de machucá-la de novo.
Mas finalmente enviou.
E só de enviar… algo em seu peito acalmou.
⸻
Hana viu a notificação enquanto organizava documentos em sua mesa.
O nome dele acendeu seu coração, mas, diferentemente do dia anterior, não doeu.
Ela respirou fundo e sorriu suavemente.
Min-Ho, que estava ao lado dela revisando um relatório, percebeu.
— Está falando com alguém especial? — perguntou com um sorriso provocador.
Hana ficou vermelha.
— Min-Ho…
— Está tudo bem — ele disse, gentil. — Ele te magoou, mas… sei quando um homem está arrependido de verdade. E Ji-Won… está.
Hana olhou para o chão, tocada.
— Eu… ainda não sei o que vai acontecer — ela confessou.
— Não precisa saber agora — Min-Ho respondeu. — Só não deixe ninguém decidir essa história no seu lugar.
Nem Ji-Won.
Nem a empresa.
E muito menos… — ele suspirou — a Soo-Yeon.
Hana sorriu, agradecida.
Mas antes que pudesse responder, a porta do andar se abriu com força.
Soo-Yeon entrou.
E o mundo inteiro pareceu prender a respiração.
O olhar dela percorreu a sala até encontrar exatamente o que procurava:
Hana.
E, pior ainda… Hana rindo com Min-Ho.
As unhas de Soo-Yeon arranharam a lateral da própria bolsa.
Ela caminhou até eles com passos longos, cada um carregado de veneno.
— Que cena bonita — ela disse, com um sorriso falso. — Dois funcionários… tão confortáveis… durante o horário de expediente.
Min-Ho cruzou os braços.
— Estamos trabalhando.
— Trabalhando? — ela repetiu, inclinando a cabeça. — Porque o que parece, doutor Min-Ho, é que você está ocupadíssimo demais… cuidando de assuntos pessoais.
Hana permaneceu em silêncio.
Não por medo — mas porque não queria alimentar o fogo.
Soo-Yeon deu um passo à frente, de modo que apenas Hana pudesse ouvir:
— Você está achando que ganhou, não é?
Que um cachecol… ou um sorriso… significa algo?
Hana respirou fundo, mas não recuou.
— Eu não estou competindo com você — respondeu, firme. — Nunca estive.
O sorriso de Soo-Yeon desmanchou.
Por um segundo, ela perdeu o controle.
— Mas devia — ela declarou, olhos faiscando. — Porque eu estou prestes a esmagar você como deveria ter feito desde o começo.
Min-Ho deu um passo à frente, irritado.
— Chega, Soo-Yeon. Você já fez demais.
Ela encarou Min-Ho com desprezo.
— Você acha que pode protegê-la? — ela perguntou. — Pode proteger ele também? Porque o plano que estou preparando… vai destruir os dois.
Hana sentiu o estômago revirar.
— O que você está dizendo? — perguntou.
Soo-Yeon sorriu. Um sorriso lento. c***l. Orgulhoso.
— Só digo isso:
Ainda não perdi.
E eu só fico assim… — ela inclinou o rosto — quando percebo que estou perto de algo que é MEU sendo tirado das minhas mãos.
Min-Ho apertou os punhos.
— Ji-Won nunca foi seu.
Soo-Yeon virou-se para ele, séria.
— Mas vocês vão ver o que acontece… quando alguém tenta tirar algo de mim.
E então saiu da sala como uma tempestade em salto alto.
Hana ficou pálida.
Min-Ho respirou fundo.
E, no exato momento em que Soo-Yeon desapareceu pelo corredor…
O celular de Hana vibrou.
Era uma mensagem do TI confidencial:
Hana, encontramos algo sobre o caso.
Precisamos falar com você e o Sr. Kang imediatamente.
É sério.
Hana sentiu a pele arrepiar.
Min-Ho leu por cima e seu olhar endureceu.
— Seja o que for… não vai ser leve — ele disse.
E Hana soube.
A guerra estava oficialmente declarada.