Ji-Won permaneceu ajoelhado diante de Hana por longos segundos — não por obrigação, mas por respeito. Por reconhecer a dor que causou. Por reconhecer, finalmente, o valor que ela tinha em sua vida.
Hana enxugou as lágrimas com as costas da mão, respirando fundo antes de dizer:
— Vamos levantar, por favor… está frio.
Ele obedeceu imediatamente, como se cada palavra dela fosse uma ordem sagrada. Levantou devagar, ainda segurando a mão de Hana, mas pronto para soltá-la se ela pedisse.
Ela não pediu.
Os dois ficaram em silêncio, observando o reflexo das luzes na água do rio Han. Havia algo bonito naquela quietude — algo que não precisava ser explicado. Apenas sentido.
Ji-Won passou os dedos pelo próprio cabelo, tentando disfarçar o nervosismo.
Era estranho aquele lado dele: tão humano, tão vulnerável, tão diferente do CEO impecável de sempre.
— Você está tremendo — Hana percebeu de repente. — Sua camisa está encharcada…
Ele abriu a boca para responder, mas ela tirou o cachecol do próprio pescoço e, sem pensar demais, colocou em volta dele.
O toque foi suave.
Lento.
Cuidadoso.
Ji-Won congelou.
— Hana… — ele sussurrou, como se tivesse esquecido como se respira.
Ela ajeitou o cachecol no pescoço dele com cuidado, as mãos roçando levemente sua pele.
O coração dele pulou uma batida.
— Está frio demais — ela disse baixinho. — Você não devia ter saído assim.
Ji-Won deu um sorriso tímido — um sorriso tão raro que Hana sentiu o peito aquecer.
— Eu não estava pensando no frio — ele admitiu. — Só… em te encontrar.
Ela desviou o olhar, corando levemente.
Era tão diferente do que estavam acostumados: sem brigas, sem lágrimas, sem cicatrizes abertas.
Só… cuidado.
Um vento suave soprou, bagunçando uma mecha do cabelo de Hana.
Sem perceber, Ji-Won levantou a mão e a arrumou, colocando a mecha atrás da orelha dela.
O toque foi delicado.
Quase reverente.
Hana não se afastou.
Pela primeira vez em muito tempo, ela deixou alguém chegar perto sem se encolher.
Sem medo.
Sem dor.
— Você sempre faz isso — ela murmurou.
— O quê? — ele perguntou, confuso.
— Olhar para mim como se estivesse vendo algo precioso.
Ji-Won respirou fundo, sentindo o coração estremecer.
— É porque… você é.
Hana sentiu o mundo desacelerar.
Sem saber como agir, ela deu um pequeno passo para o lado e se sentou novamente no banco. Ji-Won hesitou por um segundo, mas sentou ao lado dela — mantendo uma distância respeitosa, porém próxima o bastante para sentir o calor dela ao seu lado.
Hana apoiou os cotovelos nos joelhos e encarou o rio.
— Eu não sei o que vai acontecer daqui para frente — ela disse, sincera. — Ainda estou machucada. Ainda estou com medo.
Ji-Won assentiu devagar.
— Eu sei.
E… não quero forçar nada.
Nem pressa, nem resposta, nem perdão.
Eu só quero estar aqui… onde você me permitir estar.
A vulnerabilidade dele tocou fundo.
Hana respirou fundo.
Olhou para ele.
Os olhos de Ji-Won estavam diferentes: não havia arrogância, não havia dureza — apenas afeto genuíno e uma espécie de… devoção silenciosa.
— Obrigada — ela disse. — Por tentar de verdade. Por estar aqui.
Ji-Won engoliu em seco.
— Estar com você… é o único lugar onde eu realmente quero estar.
Eles ficaram assim:
sem se tocar, mas conectados.
Sem promessas, mas cheios de vontade.
O vento soprou novamente.
Hana tremia um pouco — não tanto de frio, mas de tudo o que sentia por ele e não sabia colocar em palavras.
Ji-Won viu.
E pela primeira vez tomou a iniciativa sem hesitar:
Ele tirou o casaco — ainda úmido, mas quente — e colocou sobre os ombros dela.
— É mais quente que o cachecol — explicou, com um sorriso suave.
Hana abriu um pequeno sorriso, emocionada.
— Ji-Won… você vai ficar sem—
— Não tem problema — ele interrompeu. — Enquanto você estiver bem… eu estou bem.
Ela não conseguiu responder.
O coração pulava, quente e cheio demais.
Foi então que, de forma inesperada, Hana encostou a cabeça no ombro dele.
Naturalmente.
Instintivamente.
Como se estivesse voltando para casa.
Ji-Won congelou por meio segundo.
Depois respirou fundo… e relaxou pela primeira vez em dias.
Tão devagar que parecia medo de quebrar a magia, ele levantou o braço e colocou atrás dela, encostando a mão em seu braço com carinho — não puxando, não segurando, apenas presente.
Apoio.
Acolhimento.
Silêncio confortável.
Ela fechou os olhos.
Ele olhou para o rio, o coração batendo num ritmo que ele não sabia que podia sentir.
Nenhum deles disse “vamos voltar”.
Nenhum deles disse “eu te amo”.
Nenhum deles disse “está tudo resolvido”.
Porque não estava.
Mas havia um começo.
Um começo pequeno, suave…
mas poderoso o suficiente para mudar o destino dos dois.
Ali, no banco ao lado do rio Han, sob o vento frio da noite, os corações deles se aproximaram pela primeira vez sem dor.
Era assim que começavam os grandes amores nos doramas:
com silêncio, com cuidado, com um carinho que doía de tão bonito.