CAPÍTULO 16 — O ENCONTRO QUE NENHUM DOS DOIS ESTAVA PREPARADO

879 Words
Hana não conseguiu voltar para casa naquela noite. O apartamento estava pequeno demais, silencioso demais… doloroso demais. Ela precisava de ar, de movimento, de um lugar onde pudesse existir sem sentir que estava quebrando a cada segundo. Então caminhou até o parque próximo ao rio Han. Era tarde. Quase ninguém estava ali. As luzes refletiam na água escura como pequenas constelações partidas. O vento frio carregava o cheiro úmido da chuva que tinha caído mais cedo. Hana sentou-se em um dos bancos e abraçou os próprios joelhos. Não chorou. Estava cansada demais até para isso. — Por que dói tanto… confiar em alguém? — ela sussurrou para si mesma. O som da água era a única resposta. Ela fechou os olhos, deixando o vento tocar seu rosto — como se o mundo estivesse lhe oferecendo um carinho tímido. Pela primeira vez desde que chegou à Coreia, ela se sentiu realmente sozinha. Mas não sabia… que alguém estava procurando por ela. Ji-Won saiu da empresa tarde, com o coração pesado e a mente em um turbilhão. Ele precisava vê-la. Precisava falar com ela. Precisava dizer que acreditava nela. Que encontrou provas. Que estava lutando. Mas não sabia onde ela estava. E então se lembrou de algo: daquela vez em que Hana comentou que gostava de caminhar perto do rio quando sentia o mundo pesado. Foi como uma fagulha de esperança. Ele pegou o carro e dirigiu rápido, o peito apertado, a respiração curta. Quando estacionou perto do parque, o vento frio bateu em seu rosto — e por um instante ele pensou que havia se enganado. Mas então viu. Ela estava lá. Sentada no banco. Pequena. Frágil. Sozinha. E tão triste que o coração dele doeu de um jeito que nunca tinha doído antes. Ji-Won caminhou devagar até ela, com medo de assustá-la. Com medo de machucá-la mais. Com medo de não ser suficiente. Quando estava a poucos passos, parou. Hana abriu os olhos lentamente… e viu. O ar entre eles pareceu congelar. — Ji-Won…? — ela disse, surpresa, a voz suave e fraca. Ele respirou fundo. — Eu… precisei te encontrar. Ela desviou o olhar para a água. — Não sei se consigo ouvir o que você veio dizer. Ji-Won sentiu o peito apertar. — Não é nada que você tenha que perdoar — ele falou, com sinceridade luminosa. — Eu vim… para te pedir desculpa. Mas não só isso. Hana não respondeu. — Hana — ele continuou, dando mais um passo — eu descobri a verdade. Descobri que o arquivo foi falsificado. Descobri quem fez isso. E eu… Ele hesitou. Não por dúvida. Mas por dor. — Eu devia ter acreditado em você desde o começo. A garganta dela se apertou. — Não adianta agora, Ji-Won — ela disse, sem raiva… apenas cansaço. — Eu estou tão quebrada por dentro que… não sei se consigo lidar com o peso disso mais uma vez. Ele fechou os olhos por um momento, tragando a culpa. Então fez algo inesperado. Ele se ajoelhou. Ali. No frio. No chão úmido. Como se não fosse CEO. Como se não fosse o homem mais temido da empresa. Como se fosse apenas um homem que não queria perder a mulher que ama. Hana arregalou os olhos. — Ji-Won! Não faz isso… levanta, por favor… — Não — ele disse, a voz trêmula. — Eu nunca me ajoelhei para ninguém. Nunca. Mas por você… eu ajoelho. Porque eu errei. Porque eu falhei com você. E porque eu quero que você veja que eu estou disposto a mudar. Que eu estou disposto a lutar por você. As lágrimas que Hana segurava finalmente caíram. — Ji-Won… não é assim que se conserta isso… — Eu sei — ele respondeu. — Mas é assim que eu te mostro que estou começando. E que não vou deixar o medo me controlar mais. O coração dela bateu forte demais. Ji-Won ergueu o rosto, seus olhos marejados refletindo as luzes sobre o rio. — Eu não vim pedir que você volte para mim. Não vim pedir para ficarmos bem. Só… me dá uma chance de te acompanhar na sua dor. De ser alguém que te escuta. Alguém que não te machuca. E se você quiser distância… — ele engoliu seco — eu respeito. Mas quero que saiba: Eu escolho confiar em você agora. E não vou mais deixar ninguém te ferir. Nem eu. O vento soprou leve, carregando a sinceridade dele até o coração dela. Hana chorou em silêncio. Por tudo que sofreu. Por tudo que sentiu. Por tudo que poderia ter sido… e ainda poderia ser. E, inesperadamente, ela estendeu a mão. Tocou o rosto dele. Com doçura. Com dor. Com uma emoção tão profunda que fez o mundo ao redor desaparecer. — Ji-Won… eu não sei o que vai acontecer com a gente — ela disse, a voz embargada. — Mas… obrigada por vir. Obrigada por sentir. Obrigada por tentar. O peito dele afundou de alívio. Ele segurou a mão dela com delicadeza. Não pediu beijo. Não pediu volta. Não pediu nada. Só ficou ali, ajoelhado, segurando a mão da mulher que ele finalmente entendeu que amava. E foi assim… no silêncio do parque, sob o vento gelado… que a primeira cura deles começou. Não com promessas. Mas com verdade.
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