A chuva continuou durante toda a noite, como se o mundo estivesse lavando as dores de todos — mas Ji-Won não conseguia sentir alívio algum.
Ele ficou ali, parado na entrada da empresa por longos minutos depois que Hana desapareceu na calçada.
Min-Ho tentou falar com ele.
Funcionários passaram olhando com preocupação.
Mas Ji-Won não ouvia nada.
Só uma frase ecoava como um martelo dentro dele:
"Confiar não é tentar. Confiar é escolher."
Ele repetia mentalmente, como se aquilo tivesse sido arrancado da alma.
E quando finalmente voltou para seu escritório, encharcado, exausto, devastado — algo dentro dele virou uma chave.
Ele fechou a porta, apoiou as mãos na mesa e encarou o próprio reflexo no vidro da janela.
— Eu não posso perder ela — disse, quase sem voz. — Não assim. Não de novo.
Pela primeira vez, ele admitia em voz alta que não era Hana o problema.
Era ele.
O medo dele.
Os traumas dele.
O passado que ele nunca enfrentou.
E ao perceber isso…
ele sentiu algo novo nascer:
Vontade. Não de fugir. Mas de mudar.
No dia seguinte, a empresa estava em caos.
Conselho convocado.
Advogados correndo.
Rumores crescendo como fogo.
Soo-Yeon circulava como uma rainha em seu palácio, convencida de que tinha vencido.
Mas Ji-Won entrou na sala de reuniões como um furacão silencioso.
Calmo.
Firme.
Determinado.
— Antes de qualquer decisão — ele começou — quero deixar claro que Hana está proibida de ser usada como bode expiatório ou alvo de acusações sem provas.
Soo-Yeon arqueou a sobrancelha, sorrindo.
— Ainda defendendo ela?
Ji-Won virou lentamente o rosto para ela.
— Não estou defendendo. Estou protegendo a verdade.
O clima na sala ficou tenso.
— O sistema interno foi adulterado — continuou. — E eu quero acesso aos logs completos. E quero agora.
Soo-Yeon tentou rebater:
— Isso não é simples assim, Ji-Won. Quem garante que você não está apenas tentando salvar—
— Eu disse AGORA — ele repetiu, sem elevar a voz.
Mas a intensidade fez todos engolirem seco.
Foi a primeira vez que o conselho viu Ji-Won agir não como um CEO…
mas como um homem decidido a salvar algo que realmente importa.
Horas depois, Ji-Won estava trancado na sala de TI com três especialistas analisando registros, linhas de código, logs de acesso.
Ele não arredou o pé.
Não comeu.
Não piscou.
Em certo momento, um dos analistas hesitou.
— Senhor… isso é estranho. Olha isso.
Ji-Won se inclinou.
O acesso que incriminava Hana…
veio de um dispositivo externo.
Um que imitava o login dela.
Um que só poderia ter sido conectado manualmente.
— Quem usou esse dispositivo? — Ji-Won perguntou.
O analista engoliu seco.
— Só alguém com acesso ao 17º andar.
O andar da diretoria.
O andar de Soo-Yeon.
O olhar de Ji-Won caiu como gelo sobre o monitor.
E naquele instante, ele soube:
Soo-Yeon fez isso.
E ele deixou Hana sofrer por culpa de outra pessoa.
A culpa o atingiu como uma avalanche.
Ele levantou tão rápido que a cadeira quase caiu.
— Quero tudo rastreado. Tudo. — Sua voz saiu como aço. — E quero que o resultado vá diretamente para mim. Somente para mim.
Os analistas assentiram, intimidados.
Ji-Won fechou os olhos por um momento, a respiração pesada.
— Hana… — murmurou. — O que eu fiz com você?
Ao final do dia, Ji-Won pegou o celular e ligou para Min-Ho.
O médico atendeu de imediato, como se estivesse esperando.
— O que foi agora, Ji-Won? — perguntou, cansado, mas firme.
Ji-Won respirou fundo.
— Eu preciso falar com você sobre Hana.
Min-Ho ficou em silêncio.
— Eu sei o que você vai dizer — Ji-Won continuou — mas eu preciso que você me ouça.
Eu… eu sei que errei. Eu sei que decepcionei ela. Eu sei que fui fraco—
— Foi sim — Min-Ho cortou. — E muito.
Ji-Won apertou os olhos, aceitando a verdade.
— Eu descobri que ela é inocente.
Eu descobri quem realmente fez tudo.
E eu vou expor.
Eu vou defender ela.
Eu vou atrás dela.
E desta vez… não como CEO.
Mas como um homem que finalmente entendeu que não pode viver com medo para sempre.
Min-Ho suspirou.
— Você acha mesmo que basta dizer isso e ela vai te ouvir?
— Não — Ji-Won respondeu. — Eu acho que vou ter que provar.
Silêncio.
Então Min-Ho disse algo que surpreendeu até ele mesmo:
— Se você realmente for lutar por ela… lute direito.
Ji-Won fechou os olhos, determinado.
— Eu vou.
Nem que eu tenha que virar o mundo de ponta-cabeça.
Mas eu vou conquistar a confiança dela de volta.
— Boa sorte — Min-Ho finalizou. — Ela merece isso.
Quando a ligação terminou, Ji-Won ficou olhando para a cidade pela janela.
— Hana… eu vou até onde você estiver — disse, com a voz baixa mas cheia de decisão. — Eu vou mudar.
Eu vou lutar por você… até o fim.
E pela primeira vez, ele acreditou nisso.
Não era mais um homem fugindo do amor.
Era um homem correndo atrás dele.