A noite caiu devagar sobre a cidade, como se tivesse pena de interromper a paz frágil que Hana e Ji-Won haviam construído.
O apartamento estava silencioso, iluminado apenas pelas luzes suaves da sala e pelo brilho distante dos prédios do outro lado da janela.
Hana estava sentada no sofá, as pernas dobradas, envolta em um cobertor.
O dia tinha sido pesado demais para palavras.
Ji-Won observava de longe, respeitando o espaço dela — aprendendo, pouco a pouco, que amar também é saber esperar.
Ele se aproximou com duas xícaras de chá quente.
— Camomila. — disse baixo. — Dizem que ajuda a acalmar.
Ela sorriu de leve.
— Você anda aprendendo muito rápido.
— Estou tentando ser o tipo de homem que você merece.
Hana ergueu o olhar, surpresa com a sinceridade.
— Você já é.
Ele se sentou ao lado dela, deixando um espaço pequeno, quase tímido.
Por alguns segundos, ficaram apenas respirando o mesmo ar.
— Você está com medo? — Ji-Won perguntou.
Ela demorou a responder.
— Estou. — confessou. — Mas não do que estão dizendo. Estou com medo de perder isso. — tocou levemente o braço dele. — Esse lugar onde consigo respirar.
Ji-Won virou-se totalmente para ela.
— Então vamos proteger isso. Nem que seja só aqui, entre essas quatro paredes.
Ela encostou a cabeça no ombro dele, sentindo o corpo dele relaxar.
O silêncio que se formou não era vazio — era confortável.
— Quando eu era mais nova — Hana disse, quase num sussurro — eu achava que amor precisava doer para ser real. Hoje… só quero que seja seguro.
Ji-Won fechou os olhos por um instante.
— Eu passei a vida inteira achando que precisava ser forte o tempo todo. Que mostrar sentimentos era fraqueza. — Ele riu sem humor. — Você mudou tudo isso.
Hana ergueu o rosto para olhá-lo.
— Eu não te mudei. Só te vi de verdade.
Ele passou o polegar pelo dorso da mão dela, com cuidado.
— Ficar com você me dá medo. — confessou. — Mas é o tipo de medo que vale a pena.
Ela sorriu, com os olhos marejados.
— Então estamos quites.
Mais tarde, no quarto, a cidade parecia distante.
A janela aberta deixava entrar o som suave do vento.
Hana estava deitada, observando o teto, quando Ji-Won se aproximou.
— Posso? — perguntou, apontando para o espaço ao lado dela.
— Sempre pôde.
Ele deitou-se, mantendo uma distância respeitosa.
Mas Hana foi quem se aproximou primeiro, encaixando-se no abraço dele como se aquele lugar sempre tivesse sido seu.
— Fica comigo hoje? — ela pediu.
— Eu fico. — respondeu sem hesitar. — Quantas noites forem necessárias.
Ji-Won passou a mão pelos cabelos dela, devagar.
— Se amanhã tudo ficar mais difícil… — ele começou.
— Então a gente lembra dessa noite. — ela completou. — Do silêncio. Do calor. Do jeito que você me segura como se eu fosse importante.
Ele engoliu em seco.
— Você é.
Hana fechou os olhos, sentindo o coração bater no mesmo ritmo que o dele.
Ali, protegida nos braços de Ji-Won, ela não era manchete, nem vítima, nem símbolo.
Era apenas uma mulher amada.
No meio da madrugada, Hana acordou assustada com um sonho antigo.
Respiração curta, mãos trêmulas.
Ji-Won acordou no mesmo instante.
— Ei… está tudo bem. — sussurrou, puxando-a para mais perto.
— Desculpa — ela disse, a voz embargada. — Às vezes o passado ainda grita.
— Então deixa ele gritar. — Ji-Won beijou a testa dela. — Eu fico aqui até ele cansar.
As lágrimas vieram, silenciosas.
Ela se agarrou à camisa dele, como se aquele abraço fosse uma âncora.
— Promete que não vai embora quando ficar difícil? — Hana perguntou, quase em prece.
Ji-Won segurou o rosto dela, fazendo-a encará-lo.
— Eu prometo ficar. Mesmo quando eu não souber como ajudar. Mesmo quando eu tiver medo. Mesmo quando o mundo tentar nos separar.
Ela sorriu, chorando.
— Isso já é tudo.
Ele a beijou com ternura, um beijo lento, profundo, cheio de cuidado.
Não havia pressa.
Não havia urgência.
Só a certeza silenciosa de que aquele amor estava crescendo do jeito certo.
Quando o sono voltou, Hana adormeceu nos braços dele.
Ji-Won permaneceu acordado por mais alguns minutos, observando o rosto tranquilo dela.
Pensou em tudo o que ainda viria.
Nas batalhas.
Nas decisões difíceis.
Mas, ali, naquela noite simples, ele soube:
não importava o que o mundo trouxesse — ele lutaria por ela.
Porque amar Hana não era um risco.
Era a única escolha que fazia sentido.
E, do lado de fora, a cidade continuava acordada.
Planejando.
Esperando.
A tempestade ainda viria.
Mas, por enquanto, o amor tinha um lugar seguro para existir.