.Nina Ridley.
Acordo e me sento na cama me sentindo bastante sonolenta, junto minhas mãozinhas me espreguiçando, coço meus olhinhos e resmungo quando a porta é aberta.
Só mais um pouco poxa.
- Nina, já acordou querida? - Nala a minha babá e governanta da casa me olha com um sorriso.
- Nina está com soninho ainda...- Falo contra a chupeta. Deito novamente me cobrindo até a altura do nariz.
Nala rir levantando o cobertor e fazendo cócegas nos meus pés com meias.
- Mas tá na hora do neném da casa acordar. - n**o com a cabeça. - Vamos Nina, não quer levar bronca já de manhã cedo, quer? - Ela sabe o quanto eu odeio as broncas do papai.
Bufo me sentando na cama e tirando a chupeta da boca, a coloco na minha caveta e suspiro me sentindo triste sem ela.
- Vem vou te ajudar. - Ela me ajuda a me levantar e me conduz até o banheiro para que eu poça fazer xixi
Deve parecer estranho eu precisar de ajuda para isso, mas é que eu tenho apraxia e isso me impossibilita de fazer coisas simples sem cair ou me machucar, como andar na maioria das vezes, principalmente quando acordo.
Apraxia: Dificuldade de realizar movimentos motores, mesmo quando a pessoa tem capacidade e vontade de praticá-los.
A apraxia é causada por doenças ou danos cerebrais. O cérebro não consegue realizar e instruir movimentos corretos para o corpo.
Eu desenvolvi a apraxia com doze anos, teve um incêndio e eu tentei correr para salvar minha mãe, mas cai das escadas e fiquei inconsciente por vários dias, foi ai que eu desenvolvi essa doença, na época eu já era infantilista. Minha mãe morreu de asfixia no incêndio e meu pai foi internado, ele ficou em coma por mais ou menos dois anos, meu tio tomou conta dos negócios e me jogou em um orfanato esperando os médicos decidirem que deveriam desligar os aparelhos do papai, mas felizmente o papai ficou bem e me trouxe de volta para casa.
Meu pai não é muito amoroso e carinhoso, mas é o que eu tenho.
- Vou pegar seu uniforme. - Assinto bocejando.
Olho para cama e me concentro no coelhinho de pelúcia, sorrio me lembrando da fadinha cor de rosa.
Foi uma garota que conheci em uma excursão enquanto ainda morava no orfanato, ela me deu o ursinho para que eu tivesse com que brincar, foi tão fofa.
Desço as escadas com cuidado para não cair e me concentro nas vozes do papai e de um moço desconhecido, papai não gosta quando eu apareço na frente dos clientes dele.
Melhor sair.
Saio do apartamento pegando minhas chaves e meu celular.
Coço meu olhinhos ainda me sentindo sonolenta.
*Não gosto de acordar cedo* penso de bochechas infladas.
*Na verdade por mim eu ficalia pala semple na minha cama assistindo desenho*
Minha idade de regreção é de 2 á 5 anos, eu chupo chupeta, gosto de ursos de pelúcia, brinco bastante e costumo gostar de ser obediente com todos, além de não largar meu cobertorsinho, minha chupeta e meus desenhos animados.
- Oh... Nina, Oi... - Sorrio meiga para Yasmin, ela é a mocinha que me vende panquecas e rosquinhas.
- Ismim... - Prenúncio seu nome do meu jeitinho e ela sorrir largo.- Da uma rosquinha de chotoati pla mim, por favor. - Ela me olha com os olhinhos brilhando.
- Eu acordei triste, mas com essa fofura toda eu vou ter um ataque de felicidade. - Rio dela.
Ela me entrega duas rosquinhas e eu sorrio imediatamente.
- Não conto pra ninguém se você não contar. - Sorrio assentindo e lhe dando o dinheiro.
Eu tenho problema com doces, então meu pai faz questão de deixar claro que eu só posso comer três rosquinhas por semana e apenas uma por dia.
Pego a rosquinha e a como voltando para casa enquanto observo as crianças brincando no parquinho em frente ao meu prédio.
Sinto falta de ser criança, pelo menos eu não era tão anormal e eu ainda tinha minha mãe para me proteger.
Balanço minha cabeça afastando esses pensamentos, volto para o apartamento ainda devorando a primeira rosquinha, para que meu pai naum a veja.
Entro em casa de fininho indo para meu quarto, para pegar minhas coisas para ir para escola.
A escola começa as oito e quinze, Nala sempre me acorda as seis da manhã então eu tenho tempo suficiente para me arrumar e tomar café da manhã.
Vamos para mais um dia. *suspiro*
(...)
- Sela que hoje vai ter aula? Não disselam se achalam uma pofessola substituta. - deito meu queixo na mesa enquanto jogo um joquinho no celular.
- É eu também não soube de nada. - Tamy fala olhando para Jason.
- Nina, está tudo bem? - Olho para Claire que me olha preocupada, assinto olhando para meu pé.
- Tudo sim. - Falo em um tom meigo, não está doendo mais, deve ter sido só uma coisinha boba.
Penso ao lembrar de ter quase torcido o pé mais cedo, mas ainda bem que Claire me segurou e eu não tive nada pior.
- Pirralhos. - Dany aparece colocando sua mão na mesa e me assustando. - A diretora quer todos do 2° e 3° ano no auditório.
Assentimos, levanto pronta para acompanha-los mas a dor em meu tornozelo me faz cair rapidamente, suspiro aliviada quando sinto alguém me segurar.
- Lasquela.- Digo envergonhada. Jason me seguera firme rindo das minhas palavras.
- Vem, segura em mim. - Seguro em seu braço caminhando até o auditório.
Acho que meus amigos já estão cansados de me ver caindo, acontece mais vezes do que deveria, acredite.
Não porque eu quero, mas eu não consigo fazer coisas normais do cotidiano porque meu próprio cérebro não me permite, é tão frustrante porém eu não posso fazer nada quanto a isso.
- Façam fila aqui em cima. - A diretora fala e nós subimos no palco do auditório. - Eu vou ser breve... nós estamos recebendo o privilégio de ter um dos melhores professores do país em nossa escola, então eu estou aqui para pedir que se comportem e dêem o maximo de si. - Tombo a cabeça para o lado.
Nunca vi a diretora tão animada e com esse sorriso esquisito, quer dizer, ela é sempre estranha e ela sempre está de mau humor, então é novidade que ela esteja tão animada por algo assim.
Olho para o lado ouvindo cochichos dos meus colegas de turma, eles estão tentando adivinhar quem é.
- Senhor Santnelle, por favor. - Ela chama o professor.
- Aí... - Ouço várias pessoas resmugarem atrás de mim e olho para ver o que há, meu movimento brusco me faz perder o equilíbrio ao sentir uma enorme dor no meu tornozelo me fazendo derrubar várias pessoas comigo, quando achei que não podia piorar, tentei me levantar mas senti uma enorme dor que me fez voltar ao chão mas dessa vez eu estava pronta para me estabacar de jeito. Fecho os olhos me preparando para cair com tudo do palco.
Ah isso sim vai doer.
Abro os olhos confusa.
Espera... eu cai em algo...doeu... mas não tanto quanto era para doer.
- Hummm... - Ouço uma voz masculina resmungar em baixo de mim.
Levanto meu rosto vendo que estou em cima de um moço que me olha de um jeito estranho, coro envergonhada por ter caido em cima dele.
Meu Deus, minha vida é um desastre.
- Ah G-zuisinhu, desculpa senhor, eu não quelia cair em cima de você. - Digo me levantando e o ajudando a se levantar, sinto meu pé doer quando o encosto no chão e resmungo baixo fazendo uma careta, ouço as risadas e me sinto envergonhada, eu sou um desastre mesmo.
Ah, eu quero morrer.
- Nina o que significa isso? - A diretora puxa meu braço me tirando de perto do moço com brutalidade, sinto meu pé doer novamente e o tiro do chão rápido. Doi, doi muito. -Hugo, você está bem? Se machucou?
- Eu estou bem senhorita. - Ele diz um tanto rude.
Abaixo a cabeça segurando meu braço, com vergonha, acho que ele ficou bravo comigo, mas não foi de propósito.
Lasquela.
- Nina me espere na minha sala. - Ela diz em um tom que faz meu queixo tremer.
Não gosto quando as pessoas gritam comigo, eu sei que foi tudo culpa minha, eu já sei disso.
- Tenho certeza que não será necessário, creio que tenha sido um acidente. - Ele diz calmo. Não moço, eu realmente sou um desastle.
- Nina peça perdão ao senhor Santnelle imediatamente. - Me aproximo sentindo vontade de chorar, tanto pela dor, quanto pela forma rude da diretora e a vergonha que eu passei agora.
Eu odeio meu corpo, odeio meu cérebro, as vezes eu só queria morrer e não ter que passar por situações assim.
- Senhor me perdoa, eu vou tentar ser mais cuidadosa, plometo não cair mais cima de você. - Digo com a voz embargada, segurando firme a barra da minha saia. Sinto muito por ter te machucado, não foi de propósito, eu juro.
Sinto uma mão grande em minha mãozinha e derrepente sou puxada para um abraço quente e aconchegante, me surpreendo ao sentir um perfume amadeirado masculino... ele... ELE ME ABRAÇOU?
- Você não precisa chorar, está tudo bem, sei que foi um acidente. - Ele esfrega minhas costas me deixando completamente sem chão, não houve uma vez em que alguém tenha feito algo assim por mim, quem é esse moço?
Eu nunca me senti tão confortável como agora, o que é isso?
Seu aperto é tão confortável que me faz fechar os olhos por um instante e desejar nunca mais sair desse aperto.
Mas minha felicidade dura pouco no meu mundo.
O professor se separa de mim.
- Torceu o pé? Está Doendo? - Assinto envergonhada.
Sinto minha alma desprender do meu corpo quando o professor me pega no colo.
Lasquela em dobro.
Os proximos segundos ou minutos talvez, foram inaudiveis para mim.
Minha alma só voltou pra mim quando estava na enfermaria.
- Lasquela... - Digo alto quando volto a mim assustando a enfermeira.
- Nina! - Suzan diz com a mão no peito, ela da um tapa na minha cabeça e eu rio sem graça.
- Ah, desculpa Suzan. - Ela me olha curiosa.
- Você está bem corada, está com febre? - Não estaria corada se meu coração não tivesse batendo tão forte.
- Tudo bem sim, sabe... os desastles de semple. - Ela assente.
- Mas dessa vez conseguiu algo sério, tente não pisar com esse pé por um tempo, vá ao médico. Ok? - Assinto suspirando.
Lasquela tripla.