Damião Estou em Bali. Abro caminho por entre densos bosques tropicais. Eles grudam na sua camisa, grudam no seu rosto e arranham a sua pele. Eles esticam os seus braços sinuosos, semelhantes a chicotes, enrolando-se e transformando-se em laços mortais. E eu estou procurando água. Preciso de água para esfriar a queimadura na minha mão. Não lembro de onde veio, mas minha pele queima como se alguém a tivesse marcado. De vez em quando até coloco a mão nos olhos para ter certeza de que não há nenhuma marca ali. Em algum lugar distante um pássaro está gritando. Ou não é um pássaro, é uma criança chorando. Uma garota. De novo, po*rra, garota. Uma folha enorme de uma planta desconhecida, parecida com uma samambaia, está pendurada na minha frente. Talvez seja uma. Não sei se samambaias crescem

