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1002 Words
Lorena Com o coração acelerado, despertei abruptamente quando uma mão pressionou minha boca subitamente. Meus olhos se arregalaram, esperando encontrar meu "hóspede", mas ao invés disso, me deparei com o rosto apavorado de Luíza. Seu cabelo caía sobre mim, as pontas fazendo cócegas em meu rosto enquanto ela pressionava o dedo indicador contra seus lábios, indicando silêncio. Compreendendo a urgência em seu olhar, me deixo guiar por ela, seguindo-a em silêncio enquanto evitava fazer o mínimo ruído possível sobre o piso de madeira. Cada passo era calculado, cada respiração controlada, enquanto tentávamos nos mover sem despertar a atenção de quem quer que fosse. Apenas quando saímos do quarto e paramos no corredor, que solto o ar dos pulmões, voltando a respirar. ~ Por que tem um rastro de sangue na casa? ~ Luíza pergunta em um tom baixo controlado ~ E quem é aquele cara?! ~ Seu rosto branco estava quase todo vermelho, os olhos continuavam parcialmente arregalados. ~ Ele invadiu a casa ~ murmuro, olhando para a porta do quarto fechada ~ Estava aqui quando cheguei do trabalho. ~ E por que não ligou para a polícia? ~ Ela questiona entre dentes, como se tivesse sido relapsa e não ter tido feito isto. ~ Tinha uma arma... ~ Dou dois passos na sua direção, tencionando meu maxilar com os olhos fixos nela ~ todo tempo apontada na minha direção, se eu cogitasse isto, com certeza iria me encontrar morta. Ela inspira o ar, erguendo as sobrancelhas. ~ Vamos fazer isso agora. ~ Não. ~ O quê?! ~ Ela balança a cabeça de um lado para o outro ~ Ele bateu na sua cabeça ou algo do tipo? Ele pode ser um estuprador, um bandido de alta perigosidade e você não quer ligar para a polícia! ~ Ele vai embora. ~ Ah, ele vai? ~ Vai. Ele só precisava de ajuda, Luíza. Estava ferido. ~ E você como uma boa samaritana, resolveu ajudar ~ diz com deboche. Cruzo meus braços sob o peito, não acreditando que ela estava deixando subentendido que deveria ter feito alguma coisa, lutado com um homem bem maior do que eu e mais forte, apenas para proteger aquele casa. Ela se aproxima mais um pouco, me fuzilando com o olhar, jogando o cabelo vermelho para trás dos ombros. ~ Não vou ficar com um criminoso dentro de casa ~ Dito isto, prestes a andar em direção da escada, a porta do quarto abre de repente e ela paralisa, fixando seu olhar no “hóspede”. Ele a olha com atenção de cima a baixo, a expressão indecifrável, como se estivesse tentando decifrar quem era a mulher em sua frente. Os olhos de Luíza finalmente conseguem desviar dos olhos dele, descendo para a arma que segurava e voltando mais uma vez para o meu blusão que ele vestia. ~ Algum problema? ~ Ele pergunta, a voz séria, capaz de causar um arrepio na espinha. Continuo abraçada com o meu corpo, me sentindo intimidada, mesmo ele não ter olhado em nenhum momento na minha direção. ~ N-não ~ Ela gagueja, engolindo em seco. ~ É a Luíza, não é? ~ Ela me lança um breve olhar, antes de voltar a olhá-lo. ~ Isso. Ele assenti devagar, se aproximando dela. ~ Sabe a Lorena? ~ Ele olha na minha direção e Luíza faz a mesma coisa, assentindo ~ Ela não gosta de rosa ~ Ela franze o cenho confusa ~ Sendo amiga dela deveria saber disso. ~ E-eu devo ter me enganado ~ Sua voz soa entre cortada. ~ Você mora com ela, p***a. Como se enganou?! ~ Ele eleva a voz, para a surpresa de nós duas. Ela pisca algumas vezes, abrindo e fechando a boca, tentando afastar as lágrimas dos olhos. ~ Foi desleixo meu ~ diz por fim. ~ E não tem nada para dizer para ela? Um breve silêncio se instala, enquanto ela tentava não olhar para a arma que ele segurava despreocupadamente. ~ O que quer que eu diga? ~ pergunta baixo. ~ Se desculpar é um bom começo. ~ Mas este presente foi do aniversário do ano passado. ~ Não importa. Seja uma boa amiga e seja gentil ~ Ele inclina a cabeça para o lado ~ Agora. Luíza se vira na minha direção, mexendo as mãos em frente ao corpo. ~ ... me desculpa ~ Sussurra. ~ Acho que ela não ouviu. ~ Me desculpa por isto, Jojo. Ele coloca a mão sobre o ombro dela, deixando todo o seu corpo tenso. ~ Muito bem. Agora faça um favor a si mesma e vá arrumar seu quarto, está um verdadeiro lixão aí dentro ~ Ela não hesita em virar os calcanhares em direção do quarto ~ Mas antes... ~ Ela para de imediato ~ o celular ~ A contra gosto, Luíza entrega seu Iphone de última geração, presente de seu pai e que eu teria que trabalhar praticamente dois anos em dois empregos, para conseguir pagá-lo somente. Feito isto, ela entra dentro do seu quarto, fechando a porta em seguida. Desvio a atenção da porta, encontrando os olhos dele. ~ Não vai mais ter que usar essa merda ~ Ele comenta, se referindo ao blusão, antes de voltar para dentro do meu quarto. Não havia dito que não gostava de usar aquele blusão, mas ele deve ter chegado a esta conclusão sozinho. ~ Não precisava fazer aquilo. ~ Ouvi a conversa de vocês ~ diz sentando na beirada da cama. Merda. ~ Não deixei ela chamar a polícia ~ digo rapidamente. ~ E obrigado por isto. Só que não foi isto que me incomodou e sim o modo como ela falou com você. ~ Luíza é assim quando está nervosa. ~ Você não é ~ Nos encaramos por alguns segundos, até que decido quebrar o contato visual. ~ Me avise se estiver com dor. Não espero ouvir uma resposta, invés disso, entro no banheiro, permanecendo lá até as batidas do meu coração se regularizarem e eu poder voltar para a cama.
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