Capítulo 2

1052 Words
Rodolfo passou a manhã toda pensando no que Michele havia dito sobre a barriga de aluguel. Ele queria ser pai mais do que qualquer coisa, mas levar essa ideia adiante sem contar a Flávia o fazia se sentir inquieto. No fim, pegou o celular e discou o número de Suzana. A decisão já estava tomada, marcou uma ida até a clínica dela para conhecer mais detalhes sobre o programa de barriga de aluguel, mesmo sem Flávia saber a princípio e mesmo estando um pouco receoso. Ao chegar em frente ao prédio, observou que o local era bem discreto, o que de certa forma imaginou ser para proteger a integridade de todos, ainda inseguro se tinha tomado a decisão certa, Rodolfo entrou na clínica, já notando ser a recepção. — Boa tarde, como posso ajudá-lo? — perguntou a secretária, amistosa. — Boa tarde! Estou aqui para ver a Suzana. Rodolfo Williams. — Certinho, senhor Williams, vou comunicar a ela que o senhor chegou, pode se sentar na recepção que daqui a uns minutinhos ela te chama. — falou e Rodolfo assentiu, indo se sentar. Ele se sentou na recepção, tamborilando os dedos na perna enquanto observava o ambiente. Era tudo muito organizado e silencioso, o que o fez se sentir ainda mais nervoso. Poucos minutos depois, Suzana apareceu e chamou Rodolfo, eles vão para a sala dela e ela se senta bem de frente pra ele e começa a falar. — Então, como posso ajudar o senhor? — perguntou ela. — Eu queria saber como funciona a barriga de aluguel. Meu maior sonho é ser pai, mas a minha esposa se recusa a engravidar, por questão de estética. — Então, geralmente nós conversamos com os dois, mas dada a situação atual, vamos prosseguir. No caso, sua esposa é quem deveria dar o óvulo, e esse óvulo seria inseminado pelos espermas do senhor, e só depois inserido na moça que for a barriga de aluguel. Mas nessa questão, é obrigatório que o casal ofereça moradia e uma certa estabilidade para a candidata escolhida. — ela fala e Rodolfo prestava bastante atenção. — Certo e quais procedimentos pra começar a busca pela candidata? — ele perguntou. — O senhor vai precisar responder a um questionário que vai ser lançado no nosso banco de dados e ele mesmo vai apontar as possíveis candidatas que se adequam ao que o senhor deseja. — Suzana explica. — Tudo bem. — Depois se tudo der certo, será preciso que sua mulher venha para a coleta do óvulo e para fazer a inseminação. Depois a candidata vem, e injetamos o óvulo fecundado nela, e a gravidez segue até o bebê nascer. Temos um programa também de assistência social que faz visitas, uma vez por mês, pra saber como estão as coisas. — Explicou. — Ok, onde eu posso fazer esse questionário? — Rodolfo perguntou. — O senhor pode se sentar na sala aqui ao lado, geralmente oferecemos um cafezinho, mas é um ambiente tranquilo. — diz e entrega os papéis pra ele. — Certo, obrigado. — É muito importante que o senhor seja sincero ao responder TODAS as perguntas, senão isso pode atrapalhar a encontrar a candidata perfeita. — falou num tom de seriedade. — Eu com certeza serei. — disse já se levantando. — Quando acabar o senhor me traz os papéis. Rodolfo assentiu e saiu da sala. Cada pergunta o fazia refletir sobre o impacto daquela decisão. Ao final, depois de preencher cerca de 4 folhas, frente e verso, Rodolfo voltou para a sala de Suzana e entregou os papéis a Suzana, que garantiu um retorno em poucos dias. Ele saiu da clínica e, sem saber ao certo o que sentia, decidiu parar em uma cafeteria. Pediu um cappuccino e uma fatia de torta de chocolate, saboreando cada mordida como se quisesse acalmar a mente. Depois de comer, volta pra empresa, conversa um pouco com Michele e trabalha mais um pouco. Chegando a hora de ir embora, ele vai direto pra casa e novamente chega na frente de sua esposa, então toma banho e vai até a cozinha para ver o que ele mesmo poderia preparar para eles jantarem. E logo Flávia chegou, ele já estava finalizando o jantar, mas não pretendia contar nada a ela ainda sobre onde foi visitar. Porém sua frustração é evidente ao ver que mais um dia Flávia havia passado o dia todo no SPA. Ambos se sentaram um de frente para o outro e Rodolfo tentou puxar conversa com a esposa. — Como foi seu dia? — ela perguntou casualmente, enquanto guardava a bolsa. Rodolfo hesitou. Uma parte dele queria despejar tudo ali mesmo. Mas a outra, a parte que ainda não sabia como ela reagiria, o fez apenas soltar um suspiro e dizer: — O de sempre. Amor, temos que ver uma empregada para vir fixo limpar a casa. — falou. Flávia revirou os olhos levemente, mas depois de soltar um suspiro pesado, concordou. — Tudo bem, eu só não quero nenhuma daquelas candidatas aqui de novo. Eu mesma vou escolher dessa vez. — falou ela num tom sério. — Sem problemas, na verdade eu até ia te sugerir isso. — disse e colocou a última porção de comida do prato na boca. — Tá bom. Tenho alguns contatos, amanhã eu resolvo isso. Terminando os dois de jantar, a louça ficou por conta de Rodolfo, como sempre, se olhasse bem, Flávia nunca teve motivos para reclamar dele. Era um homem bom e fiel, e o mais importante, sempre cuidava dela, tanto em sentido material como físico. Com a louça lavada e guardada no armário, ele conferiu se todos os cômodos da casa estavam trancados e subiu para o quarto. Flávia já estava deitada, dormindo com o seu tapa-olho, então ele passou direto para o banheiro para escovar seus dentes. Terminando de escovar os dentes, Rodolfo se dirigiu para a cama, deitando calmante e devagar ao lado de Flávia. Encarou o teto um pouco sem sono, devido a ansiedade de talvez ser chamado no dia seguinte para retornar até a clínica, Rodolfo podia sentir que o seu maior sonho estava muito perto de se realizar e essa certeza o deixava animado e em paz, por não precisar desistir por causa de Flávia. Adormeceu em meio a esses pensamentos, com o coração tranquilo.
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