Praia

888 Words
A semana passou em um piscar de olhos. Estava trabalhando tanto naqueles dias que nem vi passar. Trabalhava como costureira e naquela época do ano, as pessoas costumavam comprar mais roupas já que o final do ano se aproximava, o que significava que tinha hora extra praticamente todo dia. Estava cansada, mas a distração me caia bem. E o dinheiro também. Não era fácil sobreviver sozinha naquela cidade. Aquele não era exatamente o meu sonho de criança e com certeza, quando pensava em meu futuro naquela época, não imaginava minha vida atual, mas a vida não é tão simples, como pensava. As contas não param de chegar, mesmo que você não tenha dinheiro para pagar e felicidade é importante, mas encher a barriga é mais importante ainda. Não que fosse uma vida r**m, apenas não era exatamente o que planejei para mim quando pensava em meu futuro. Poderia dizer que me sair melhor que alguns e pior que outros. Realizar seus sonhos é para os fortes e esforçados, a maioria de nós desiste no meio do caminho. Quando a sexta chegou finalmente, só queria cair na minha cama e acordar na segunda feira, mas Gabriel tinha planos diferentes, já que me arrastou para viajar para a praia. Disse que era exatamente disso que estava precisando. Não discordava dele, mas depois de passar a semana toda evitando encontrar com meu vizinho, ir em uma viagem com ele era uma péssima ideia. Não que eu pudesse dizer isso ao meu namorado que estava tão animado para passar tempo com sua família. Esse lado família dele foi o que mais me atraiu nele quando nós conhecemos. Por causa do trabalho, ele não passava muito tempo com eles, mas sempre que podia estar com sua família, fazia isso. Normalmente, sempre me esquivava desses momentos e era o que queria fazer daquela vez, mas Gabriel foi insistente. Depois de dar diversas desculpas que ele não aceitou, acabei concordando em ir. Agora estava presa com Guilherme por duas noites e dois dias. Perfeito. —Você vai ficar comigo em meu quarto, não é? —questionou Paula animada. Por algum motivo, ela me adorava e sempre queria ficar perto de mim. —Se não for incomodar —respondi com um sorriso e ela agarrou minha mão. —Nenhum incômodo. —Espera aí —Gabriele segurou meu braço, a impedindo de mim puxar —Ela vai ficar comigo. Paula olhou de cara feia para ele e iria abri a boca para retrucar, quando Dona Helena respondeu: —Layla vai ficar com Paula —isso fez a menina do meu lado abri um largo sorriso vitorioso. —Mãe —resmungou ele —Toda vez ela fica no quarto com a Paula. —Quando vocês se casarem, aí permitirei que fiquem no mesmo quarto —respondeu ela olhando séria para nós dois. —Mas... —belisquei sua perna o impedindo de continuar. —Para de discuti —o repreendi em voz baixa e ele fez bico. —A culpa é sua —resmungou ele. —Até mais tarde —dei um beijo rápido nele, antes de pegar minha bolsa e deixar sua irmã mais nova me arrastar para seu quarto. Passamos por Guilherme e por um momento nossos olhos se cruzaram, mas desviei o olhar. Não trocamos nenhuma palavra desde o dia em sua casa e durante toda a viagem de carro, fiquei em silêncio, enquanto ele e Gabriel conversavam. Ele também não dirigia a palavra para mim, o que era perfeito. Não queria conversar com ele. Me acomodei no quarto de Paula enquanto ela não parava de falar, muito animada sobre passamos um tempo juntas. Essa não era a primeira vez que ficava em um quarto com ela, mas a animação era sempre a mesma. Era meio obvio que ela sentia falta de ter uma irmã. Não deveria ser fácil está sempre rodeada por garotos. Sua animação era um tanto irritante, mas também agradável. Me fazia sentir como se tivesse uma irmã mais nova. Estávamos cansadas da viagem e não demorou para cairmos no sono. Quando acordei novamente, tudo estava silencioso e calmo, a garota na cama ao lado dormia profundamente, entretanto já estava claro lá fora. Deveria ser umas 5 horas da manhã. Não costumava acordar tão cedo, mas não estava em minha cama. Me levantei, tentando não fazer barulho. Tirei o pijama que vestia e coloquei um top com um short confortável. Iria aproveitar que tinha acordado e iria caminhar um pouco. A praia ficava há apenas 20 minutos da casa e aquela hora era tão calmo. Poucas pessoas iam para praia tão cedo. Sair do quarto com o sapato nas mãos já que não queria acordar ninguém. Talvez só Gabriel, mas ele deveria está no décimo sono àquela hora e depois de uma semana cansativa, sei que era um descanso merecido, então desistir dessa ideia. Pensei que todos estariam dormindo, mas quando cheguei na sala, encontrei Guilherme se preparando para sair. Ele vestia um short de correr e uma blusa regata, que deixava muito dos seus braços expostos. Ele com certeza não tinha mais o corpo magrelo que eu me lembrava. —Gosta do que vê? —ele perguntou chamando minha atenção. Quis me bater por ser pega o observando por tanto tempo. Não respondi, lhe dando as costas, pronta para voltar ao quarto.
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