Depois daquele primeiro beijo, começamos a namorar. Não houve um pedido oficial, nem conversa, apenas um acordo silencioso. E quando me apresentou a seus amigos mais tarde, me chamou de namorada. Naquele dia, quase que não parava de sorrir. Era incrível estar apaixonada e saber que esse sentimento é retribuído.
Pouco dias depois, eu o apresentei aos meus pais. Não gostaram da ideia de eu namorar alguém e me distrair dos meus estudos, mas garantimos que isso não iria acontecer. Guilherme fez de sua missão impedi que isso acontecesse, então continuamos passando as tardes na biblioteca, entre os livros, mas também ficávamos juntos durante os intervalos e ele me levava para casa depois. E ele sempre fazia questão de me beijar quando tinha alguma oportunidade, entre uma tarefa e outra, quando estava focada em alguma história ou até mesmo no caminho para casa. Ele sempre me surpreendia. Não me importava, já que também amava o tocar.
Quando o final do ano chegou, minhas notas estavam boas o suficiente para passar de ano sem precisar de recuperação, o que deixou meus pais muito felizes e finalmente, não tinham mais nenhum receio sobre nosso relacionamento. Guilherme foi permitido me visitar sempre que quisesse e nossas tardes na biblioteca se transferirem para meu quarto. Não que tenha mudado muita coisa, na maioria do tempo estávamos estudando ou lendo ou assistindo filmes. Não importa que não estivéssemos fazendo coisas interessantes, ainda amava aquelas tardes que passávamos juntos. Nosso relacionamento se resumia a apenas passar tempo junto, na maioria das vezes, sem fazer praticamente nada. Com ele não me sentia incomodada, desconfortável. Não tinha necessidade de dizer algo ou fazer algo. Não me sentia pressionada por sua presença, como me sentia com outras pessoas.
—Eu me sinto tão bem quando estou contigo —admiti uma vez.
Estávamos em meu quarto, como em tantas tardes. Ele estava sentado com as costas escorada em minha cama e eu estava entre seus braços, minha cabeça descansando em seu ombro. Ele me segurava apertado como se tivesse medo que eu pudesse fugir. m*l sabia ele que eu nunca faria isso. Não tinha planos de me afastar dele, de deixa-lo partir.
—Também me sinto assim —disse ele e beijou minha bochecha —Quando estou com você, não preciso me esforçar para ser quem não sou, para fazer o que eu não quero.
Exatamente isso. Nós aceitávamos um ao outro como éramos, com nossos defeitos e qualidades. Ele entendia quando eu não queria conversar e eu entendia quando ele não queria conversar. Quando queria reclamar dos meus pais que exigiam que fosse perfeita ou dos meus colegas que só falavam comigo para pegar as respostas da prova ou só reclamar da vida, ele me escutava. Não me repreendia, nem debochava, apenas me escutava. Ele me apoiava e incentivava todos os meus sonhos, mesmo os que pareciam mais impossíveis ou os que eu sabia que nunca iria realizar. Ele acreditava em mim e fazia com que eu acreditasse também. E eu fazia o mesmo por ele, ou tentava. Não sei se conseguia o apoiar como ele me apoiava.
Os dias se passavam rápidos quando estava com ele e logo o natal e ano novo passou junto com as férias. As aulas recomeçaram e novamente me vi na confusão do primeiro dia, mas dessa vez, não estava observando Guilherme de longe, na verdade segurava sua mão enquanto procurava onde ficava minha sala. Eu começaria o segundo ano e ele o terceiro. No começo aquele pequeno fato não fez diferença para mim, mas assim que aquele ano começou a passar, o fato que no ano seguinte, Guilherme iria para a faculdade começou a pesar em nosso relacionamento.
Ele queria entrar para o curso de medicina, o que significava que ele iria ter que se mudar para outra cidade, já que onde morávamos não tinha nenhuma faculdade que oferecesse tal curso. Apesar de isso me deixar um pouco preocupada, não me importei muito, já que era só um ano. Um ano passa em um piscar de olhos e eu o amava. Podia aguentar esse tempo, então iria atrás dele quando terminasse a escola. Esse era o nosso plano.
Até que apareceu a oportunidade de ele ir para bem mais longe do que apenas alguns quilômetros, onde não dava para ir visita-lo pegando um carro ou um ônibus. Era outro país. Ele estava tão animado quando me contou que tinha conseguindo passar na prova e ganhou uma bolsa em uma faculdade no Canada, graças à ajuda de um amigo de sua família. Eu não podia fazer nada além de ficar feliz por ele. Era uma grande oportunidade.
—Não posso desistir disso —disse ele quando me contou —É meu sonho sair do país.
Eu sabia disso. Ele já havia me contando isso. Diversas vezes.
—É claro que não vai desistir —disse com um sorriso. Eu estava feliz por ele. Realmente estava. Era seu sonho se tornando realidade antes do que ele previu —Eu nunca te pediria isso.
—Sei que não pediria —concordou ele e o sorriso em seu rosto diminuiu —É muito egoísta te pedir para me esperar? Eu vou voltar para você, Layla.
—É claro que vou te esperar —falei sem pensar duas vezes —Eu... amo você, Guilherme.
Essa era a primeira vez que dizia isso em voz alta e fiquei com medo de sua reação, dele não sentir o mesmo, mas vi o brilho em seu olhar antes dele me puxar para si, seus braços se apertando ao meu redor. E quando iria reclamar dele está me sufocando, seus lábios estavam nos meus, roubando ainda mais meu fôlego. Tinha notado que nos últimos dias seus beijos estavam mais intensos, seus toques estavam mais ousados, ele me deixava maluca com seus beijos e mãos bobas, mas também me assustava com sua intensidade, o que ele parecia entender, pois sempre se afastava, antes mesmo que eu pedisse.
—Eu também amo você —disse ele contra meus lábios. Descansou a testa contra minha, respirando com dificuldade —Eu amo muito você.
—E por que não disse nada? —o questionei olhando em seus olhos.
—Estava com medo que não sentisse o mesmo —admitiu ele em voz baixa —Promete que vai mesmo me esperar?
—Prometo —garanti sem pensar duas vezes.
—Vai se casar comigo quando eu voltar —disse ele. Não era uma pergunta, era uma afirmação.
—É mesmo? —o provoquei —E se eu não quiser?
—Você vai querer —disse ele, um sorriso convencido nos lábios —Tenho certeza absoluta.
—É mesmo? —repeti.
—Ou eu posso te sequestrar e te amarrar no meu quarto até aceitar que o único homem para você sou eu —disse ele e sorri, beijando seus lábios.
—Não precisa disso tudo —falei passando meus braços por seu pescoço —Eu aceito me casar com você.
—Eu sei —foi tudo o que ele respondeu.
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Suspirei cansada. Aparentemente não iria consegui dormi aquela noite. Meu sono tinha indo completamente embora, enquanto embolava em minha cama, lembrando de coisas que não queria lembrar.
Agora queria ter insistindo para Gabriel fica comigo. Se ele estivesse comigo, não estaria pensando em coisas desnecessárias, mas amanhã ele começava a trabalhar cedo e seu apartamento era bem próximo do trabalho. Se ele ficasse por aqui, iria se atrasar para o trabalho e eu não queria isso. Seu patrão era seu pai, mas sabia que isso só significava que a bronca seria em dobro. Ele era muito exigente com seus filhos. Talvez por isso, ele e seu filho mais velho brigassem tanto. Enquanto Gabriel era obediente, Guilherme é o rebelde, que responde e enfrenta, não abaixa a cabeça, nem desisti do que quer pelos outros. Os dois são completamente diferentes nisso. Gabriel se importa demais com o que pensam dele para que possa só fazer o que quer sem medo das consequências.
Não que eu seja tão diferente dele assim. Deixei de fazer tantas coisas em minha vida simplesmente por medo do que iam pensar, de que ia desagradar meus pais. Não sair muito da minha área de conforto, não fui atrás de coisas que eu queria. Não me arrisquei. A única vez que me permitir desejar mais do que podia ter foi quando desejei ter Guilherme para sempre em minha vida e estava disposta a fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para isso acontecer, mas foi quando aprendi que não devemos fazer planos que dependem de outras pessoas. Era pedi para se decepcionar.