Cheguei no local onde eu estava acomodada, tomei um banho para retirei de meu corpo o suor, o sangue e toda a sujeira acumulada durante o período da manhã, depois saí do banheiro e ainda de toalha, me sentei na cama para poder cuidar de meus ferimentos, mas antes peguei minha mochila e de lá retirei um kit de primeiros socorros, com base no meu conhecimento sobre enfermagem previamente adquirido nesses 5 anos com alguns cursos básicos, eu consegui fazer uns pontos no meu braço e na minha barriga, fiz um curativo e tomei alguns analgésicos, depois me permiti dormir ainda apenas de toalha.
•••
Acordei com meu celular tocando e após ver o nome de Lya brilhando na tela, eu finalmente atendi a chamada
Eu: oi_ minha voz saiu meio grogue por conta de ter acabado de acordar
Lya: pode por favor retirar o celular da orelha? Nós não queremos conhecer seu canal auditivo_ soltei uma risada anasalada e coloquei o celular na frente do meu rosto, aproveitando para ver pela tela do celular, como meu rostinho estava amassado_ obrigada_ olhei para a tela e sorri ao ver minhas duas bolinhas de queijo junto com Lya
Eu: oi meus amores_ acenei para eles
Kaio: mamãe, mamãe_ falou animado ao me ver_ cadê voxe?_ sua mãozinha repousava próxima de sua boca, certamente ele estava chupando o dedo
Eu: oh meu amor, eu estou trabalhando, mas já já eu volto está bem?_ ele assentiu freneticamente
Kar: maé, eu quelo voxe_ ela falou com seus olhinhos embargados, arrancando meu coração e o pisoteando com toda a força
Eu: eu vou voltar não demora nada, e nós vamos ir tomar sorvete está bem_ ela assentiu_ cuidem um do outro, mamãe ama vocês_ falei passando a mão disfarçadamente para limpar uma lágrima que escapou de meus olhos
Os gêmeos: amamo voxê_ então Lya saiu de perto deles
Lya: como você está se sentindo?_ perguntou preocupada
Eu: como se um caminhão tivesse passado por cima de mim umas 500 vezes, um cara esteja certamente sapateando na minha cabeça ao som de um tambor e como se tivessem arrancado meu coração, exprimido e depois pisoteado até amassar_ soltei um suspiro_ e olha que apenas são 15h_ falei olhando para as horas que eu havia mudado logo que me acomodei
Lya: você ainda pode desistir e voltar para cá, pra nós, pra junto dos gêmeos, sã e salva_ fez um biquinho
Eu: não posso mais recuar, eu já comecei, não posso parar_ me levantei da cama e pousei o celular na cabeceira de um jeito que ainda podia ver minha amiga falando
Lya: eu não sei mais o que te dizer, você sinceramente é muito cabeça dura e..._ ela fez uma pausa, enquanto eu pegava minhas roupas mas como ela inusitadamente fez uma pausa no discurso, eu também parei para prestar atenção nela_ que merda aconteceu com o seu braço_ ela praticamente gritou
Eu: shiu, tem crianças por aí_ reclamei_ não foi nada demais, eu me magoei descendo do táxi_ menti voltando a pegar minhas roupas
Lya: você acha que eu nasci ontem? Me conta a verdade Katharine_ revirei os olhos e suspirei, pegando minha blusa preta e colocando ela de seguida
Depois daquela troca de tiros hoje cedo, eu percebi que Kalil tinha razão quanto a sua escolha de cores padrão, sinceramente preto é muito mais prático. E aqui estou eu pensando em alguém que decidi apagar da minha mente. Argh.
Lya: estou esperando_ chamou minha atenção novamente para a tela do celular
Eu: eu fui resolver aquela situação do traficante e aconteceu um tiroteio, nada demais_ dei de ombros
Lya: ufa, que bom que não foi nada demais, você só LEVOU A DROGA DE UM TIRO NO BRAÇO_ se irritou comigo_ Katharine porquê você não me ouve? que droga você está fazendo de sua vida? você devia pensar um pouco mais nos seus filhos_ ralhou impaciente
Eu: e eu penso neles, é por eles que eu estou...
Lya: não, não é pensando neles_ me interrompeu_ se você estivesse pensando neles, você estaria aqui, com eles
Eu: droga Lya, você não entende?
Lya: você quem não entende, nós precisamos de você aqui, com agente, não aí se expondo ao perigo, deixa as autoridades resolverem isso_ pediu mais calma
Eu: você melhor do que ninguém, sabe que as autoridades são sempre as últimas a saber e agir_ revirei os olhos_ eu não vou discutir isso com você outra vez_ coloquei minha calcinha e depois peguei a calça pronta para colocar_ só confia em mim Lya_ pedi me vestindo
Lya: está bem_ falou depois de um longo suspiro_ nada de se machucar novamente, senão eu mesma venho aí e te puxo de volta para casa_ ameaçou e eu assenti além da conta
Eu: eu vou me cuidar_ sorri, agradecendo mentalmente por ela não ter notado o ferimento na minha barriga_ se cuidem vocês também, eu preciso ir_ falei me aproximando do celular, já devidamente vestida
Lya: tá bom, mas não esqueça que eu te amo, fica bem_ acenou
Eu: também amo você, beijos_ falei lançando beijinhos para ela e a chamada foi encerrada
Segui para fora do quarto depois de organizar tudo e então fui para o mesmo local onde eu havia tomado o café da manhã e fiz meu pedido para almoçar. Enquanto eu comia, evitei contato com todo mundo e me foquei em minha alimentação, que já agora está uma delícia, feijoada e carne assada, hummm, tão bom.
– olá_ levantei meu rosto para ver quem se sentou na cadeira de frente para a minha
– ah, oi_ sorri para Diego que me olhava com um sorriso amigável_ tudo bem?
– tudo e você?_ voltei minha atenção para o prato de comida na minha frente
– eu estou óptima_ dei de ombros_ ah, sabia que eu i****a do jeito que sou, fui para aquela boate?_ falei como se tivesse acabado de me lembrar
– foi?_ me olhou com o cenho franzido
– eu fui, mas dei de cara com dois caras enormes que nem me deixaram perguntar sobre a minha irmã_ fingi indignação olhando para ele
– nossa, eu não achei que você estivesse querendo ir pra lá naquele momento, eu teria te avisado_ falou meio sem jeito
– culpa minha, estava ansiosa demais pra saber sobre a minha irmã que nem consegui raciocinar direito_ olhei novamente para minhas mãos_ mas essa noite quando a boate abrir eu vou lá e acabo logo com isso_ assenti voltando a manter o contato visual
– então você ainda não soube o que aconteceu_ seu olhar fugiu do meu
– o que?_ me fiz de sonsa com minha melhor cara de confusão
– houve uma confusão na boate e parece que eles não irão abrir por um tempo_ explicou
– confusão?_ incitei ele a dar uma explicação mais detalhada sobre até que ponto ele sabia do ocorrido
– segundo a polícia, houve um m******e dentro da boate e morreram 7 seguranças e ainda o dono do lugar, então lá vai estar fechado por um tempo indeterminado_ explicou me fazendo assentir
– nossa, eu não sei se isso é azar ou sorte_ suspirei e ele me olhou com certa confusão no olhar_ tipo, azar porque assim eu não vou conseguir encontrar minha irmã e sorte porque, imagina se eu estivesse lá dentro no momento que tudo aconteceu_ fiz uma expressão de tristeza
– foi sorte, acredite, esses homens são muito perigosos, certeza que se meteram em briga com alguma gangue ou coisa do gênero_ argumentou sem muito interesse_ mas por sorte o mundo se livrou de pessoas horríveis, eles faziam o tráfico de crianças e adolescentes, então ninguém vai sentir falta deles_ deu de ombros
– nossa_ falei suspirando
– ah, eu não sei se é uma boa ideia, mas eu acho que sei de um jeito de você conseguir alguma informação da sua irmã_ falou depois de termos ficado em silêncio por alguns instantes
– ah sabe?_ perguntei confusa
– tem uns caras que devem saber sobre quase todas as garotas daquela boate e eu sei onde eles estarão essa noite_ deu de ombros
– onde?_ arquiei a sobrancelha
– num baile no moro aqui pertinho, você pode vir comigo, isso, se você quiser_ propôs
– hummm_ fiz uma pose de pensativa
– eu sei que não nos conhecemos e tal e não dá pra confiar em um estrangeiro, mas eu juro que só quero ajudar_ levantou os braços em rendição
– vou arriscar, mas já te aviso que sou perigosa_ dei de ombros e ele sorriu
– pode crer que eu acredito_ assentiu se levantando_ então eu te encontro aqui as 7 PM, pode ser?_ foi minha vez de assentir e então o mesmo se retirar.
Peguei então meu garfo que em algum momento acabei pousando no prato, e continuei me deliciando com meu almoço. Depois que terminei de comer, me levantei para conhecer um pouco da cidade de São Paulo, mas dessa vez levei um tradutor que é como se fosse um airpod e com ele pude passear de boa, na verdade, de boa como quem diz, eu estava mas é com medo, de todas as coisas que eu ouvia sobre São Paulo, os assaltos era do que eu mais temia. Imagina alguém chega aqui e me arranca o celular, na certa eu enlouqueceria por completo, e nem tentaria reagir, mas por um lado, parece hipocrisia da minha parte, sentir medo de um assalto depois de tudo que eu vi hoje, mas enfim, cada um com seus temores.
Quando eram por volta das 06:25 PM, voltei para o quarto, tomei um banho demorado, troquei meus curativos, me vesti e então finalmente eu estava pronta, por isso segui até a lanchonete e esperei por Diego, que não demorou muito a chegar e quando dei por mim, eu estava em meio a multidão de jovens suados e a maioria bêbada.
– VAMOS PARA O OUTRO LADO, LÁ É MENOS CHEIO_ ele grita o mais próximo de mim, para que eu pudesse escutar por cima da música, em resposta apenas assenti e fui guiada por entre a multidão.
As pessoas dançavam e se divertiam com latinhas ou garrafas de bebida na mão, música alta fazia todos dançarem, e ao chegarmos em uma parte mais reservada, porém com uma bela visão para a pista onde as pessoas estavam dançando, tinham lá dois caras armados, que nos revistaram e depois nos deram passagem.
– DIEGUINHO_ uma garota aparece no meio daquelas pessoas com um enorme sorriso, e vem até Diego o dando um enorme abraço, fala alguma coisa baixinho no ouvido dele, então sorri de um jeito sei lá, acho que sedutor na óptica dela.
– ah, Amalia, essa aqui é a Denise_ ele apontou para mim_ Denise essa é a Amalia_ nos apresentou, mas a mesma parece que só olhou para as nossas mãos juntas.
– oi_ aceno para a mesma, mas ela simplesmente me ignora e se dirige para Diego, porém não entendo o que ela diz e muito menos as palavras que eles dizem de seguida.
– maninha, Diego_ vejo Matheus chegar e passar o braço pelo ombro da garotinha mimada e depois de me notar, ele me olha surpreso_ Ka..._ antes que ele termine de falar eu o interrompo subtilmente.
– Diego, eu não quero causar nenhum problema_ falo em inglês pra chamar a atenção do mesmo e ao mesmo tempo cortar o barato da garota.
– fica calma, você não causa_ tentou me tranquilizar_ deixa te apresentar ao meu melhor amigo, esse é o Matheus_ apontou para o garoto a nossa frente_ Math essa é a Denise, eu a trouxe porque acho que seu pai ou seu tio a podem ajudar_ explicou.
– ah, Denise?_ mesmo por cima da música, pude ouvir o tom de deboche dele ao balbuciar meu nome_ você tem razão Dih, eu levo ela pra falar com meu tio_ me encarou enquanto falava.
– eu vou com vocês_ Diego se prontificou.
– acho melhor você acalmar a Amalia antes que ela exploda meu amigo_ Math o parou_ vou cuidar da DENISE_ foi tão sutil quanto um elefante em loja de porcelana, ao dizer "meu nome".
– pode deixar, eu vou ficar bem_ o tranquilizei e então quando o mesmo assentiu, segui novamente pelas pessoas atrás de Math.