• Departamento de polícia de Smoorenburg
Mariah e Matthew foram com sua equipe até o local descrito na carta feita de retalhos de papel. Detetive Matthew estava irritado, então Mariah assumiu o controle do caso e dirigiu até o local, seria um lugar completamente vazio se não tivesse um cadáver ali dentro de um carro.
Após todas as fotos e evidências que poderiam ser conseguidas naquele local, o corpo foi encaminhado para o IML, assim com mais análises saberiam se sua morte foi apenas por espancamento ou por algo a mais.
- Detetives, encontrei isso no carro dele. -uma das policiais forense entregou um cartão do Night Utrecht dentro de um saco transparente
Aquela investigação partia dali, com o cartão do Night Utrecht. Com um tempo mais rápido de volta do que de ida, os detetives entram no bar que estava fechado para limpeza naquela manhã. Todas as cadeiras estavam para cima, uma música em som ambiente tocava e não tinha ninguém no balcão como da primeira vez.
Ao tocar o sino, Arthur sai do mesmo corredor sem camisa e com um short preto, Mariah perde o fôlego por alguns segundos enquanto admirava o corpo do jovem "lutador" em sua frente.
- Detetives, que ótimo ter vocês aqui. Me desculpa estar assim, hoje é dia de faxina. -com o mesmo sorriso alegre de sempre, Arthur puxa a camisa no balcão e veste
- Bom dia Sr. Voxel, estamos aqui porque outro dos seus clientes foi assassinado ontem a noite e antes de serem mortos, ambos vieram aqui e queremos entender. Seu estabelecimento tem imã para tragédias né? E então, quer me contar algo? - Detetive Matthew estava cheio de gracinhas aquela manhã, parece que ficou a noite inteira acordado e estava de pé porque estava com o organismo cheio de café e energético
- Não entendi o que quis insinuar Sr. Detetive. O que eu teria para contar para você? - Arthur parecia gostar de testar Matthew e até onde sua paciência iria
Mariah estava ainda com seus olhos vidrados em Arthur que parecia sorrir com o nervosismo que transpirava de Matthew. O detetive anda de um lado para o outro num pequeno espaço, Arthur abre o freezer e pega uma lata de refrigerante, abrindo-a e despertando a atenção dos detetives ali.
- Aceitam beber algo? É por conta da casa. -Arthur parecia debochado ao olhar para Matthew que transpirava irritação
- Não vamos aceitar nada de um possível assassino. - Detetive Scott dispara parando no balcão, após beber um gole de refrigerante, Arthur sai do balcão e vai ficar frente a frente com o Detetive Matthew que parecia querer espanca-lo até que se assumisse algo.
- Se desconfia de mim, você precisa de provas para me prender e pelo que eu vejo, você não tem nada aqui e meio que o sistema precisa de provas sabe. - Arthur estava lá, parado na frente de Matthew brincando com sua paciência - Mas sabe detetive, eu espero que sua raiva passe e você veja que não sou eu quem você está procurando ou tem algo que ligue a morte desses infelizes há mim?
- Vamos lá, Sr. Voxel. A primeira vítima saiu daqui acompanhado logo após terminar seu horário de trabalho e a vítima de ontem, tinha o cartão daqui no carro. Gostaria de conversar com Raphael para saber que horário você foi embora, assim poderei descartar sua participação ou não nesses casos.
- Sem nenhum problema, irei chamá-lo, Detetive. - O jeito que Arthur falava a palavra "detetive" era irônico, como se fizesse inteiramente para provocar Matthew
Depois de alguns segundos lá dentro do pequeno corredor, Raphael aparece ao lado de Arthur, ele parecia não entender porque precisavam chamar ele.
- Bom dia Sr. Raphael, acho que lembra de nós. Então eu preciso de uma resposta sua, preciso que seja verdadeiro porque caso minta para a polícia, você poderá ser preso. Estamos entendidos? - Matthew tentou colocar pressão no jovem rapaz que ainda estava confuso com tudo aquilo
- Estamos sim, no que posso ajudar?
- Ontem, qual horário seu colega de trabalho encerrou o turno? - Matthew parecia determinado para achar quem era o culpado massagear seu ego se fosse Arthur
- Por volta de 22h ou um pouco mais, eu não sei ao certo mas por que isso é relevante, Sr?
- Não é nada, muito obrigado e pode voltar ao trabalho, Raphael. -Matthew tinha um sorriso sarcástico no rosto, pois o horário que Raphael disse bateu com o horário que o carro de Falin deu partida. - Viu Voxel, mais uma coisa que liga você nos casos e eu vou conseguir provas, porque você é muito suspeito para mim. Eu vou te pegar se estiver mentindo.
- Então vá atrás detetive, procure em todos os cantos, passe horas e horas examinando tudo e sabe o que vai conseguir? Nada, porque eu não sou quem você procura mas eu vou adorar ver o Sr. correndo atrás de nada e quando não achar nada que me incrimine, você vai voltar aqui e pedir desculpas pelos seus julgamentos. Só que até lá, boa sorte na sua procura, meu trabalho e minha casa estão de portas abertas para vasculhar e tentar achar possíveis provas. -Arthur estava literalmente frente a frente com Matthew que respirava para não começar a trocar socos com Arthur
- Eu ainda vou te pegar se estiver escondendo algo Arthur, você não perde por esperar.
- Se achar algo, estarei aqui te esperando para me prender, Sr. Detetive. - naquela intensa troca de olhares raivosos, Mariah sabia que seu colega de trabalho não aguentaria muito e logo perderia a razão, então se despediu de Arthur, pediu desculpas por estar atrapalhando seu trabalho e saiu pela porta empurrando Matthew
- Que p***a deu em você, Matthew? Ameaçar um civil por uma desconfiança sem provas? Você é louco? - Mariah solta tudo que guardava dentro de si desde que Matthew começou a confrontar Arthur sem nenhuma prova aparente
- Ele é muito suspeito para mim Mariah, p***a você não vê isso? O cara fica debochando de um agente da polícia e você quer mesmo que eu mantenha a calma? - Detetive Scott da um soco na viatura
- Olha, assim que chegarmos ao DP, vamos conversar com o Capitão Barnes. -Spiazzi entra no carro e liga o mesmo, Matthew entra no carro batendo a porta com raiva.
Em dez minutos ambos os detetives estavam no DP de Smoorenburg, Matthew tentou convencer Mariah a não conversar com Barnes pois saberia que levaria uma bronca por sua atitude mas Mariah era determinada e iria resolver aquilo agora.
- Bom dia Capitão Barnes, me desculpe atrapalhar o senhor mas precisamos conversar. Nós três. - ela aponta para Matthew que parecia irritado mas envergonhado naquele momento
- Pois não Srt. Spiazzi, me conta no que posso ajudar.
Mariah contou tudo para Barnes que ouvia atentamente tudo que a jovem falava. A detetive contou dos episódios de surtos de raiva do seu colega e disse como aquilo poderia afetar no caso.
Após analisar bem aquilo, e observar o ponto de vista de ambos, Barnes decidiu que afastaria Matthew do DP por alguns dias para que ele pudesse descansar e se acalmar. Nada contente Matthew Scott sai da sala xingando Mariah por aquilo mas era o certo a se fazer, ela não podia trabalhar com quem ameaçava civis por causa de implicância.
Mariah conseguiu permissão de Barnes para voltar ao bar e pedir desculpas ao nome de Matthew, ela e o capitão. Barnes Wilson designados alguém para trabalhar com Mariah se precisasse até Matthew voltar.
Chegando no bar aquela hora, as cadeiras já estavam arrumadas e um cheiro de lavanda e talco inundou as narinas da detetive, fazendo-a lembrar de sua infância e de suas viagens a casa dos seus avós, era um cheiro bom e familiar. Sempre trará recordações.
- Detetive. -Arthur soltou sorrindo ao ver a mulher entrando no seu local de trabalho. - Não vai me dizer que mais um dos meus clientes foi morto, por favor. E eu tenho como provar que estive aqui desde que cheguei. -ele levanta as mãos em sinal de rendição e arranca risadas da mulher em sua frente
- Não Sr. Voxel, ninguém morreu mais não. -ela fala sorrindo e tranquiliza ele- Vim em sinal de paz, queria pedir desculpas pelas ameaças do detetive Scott horas atrás. Na verdade em nome do Capitão Barnes, do detetive e em meu nome.
-Ah tudo bem detetive, ele só estava irritado e eu não me incômodo com as ameaças de ninguém, eu sei me cuidar mas já que teve o trabalho de vim até aqui, eu aceito suas desculpas se aceitar algo para beber. -Arthur propõe sorrindo e convence Spiazzi com sei charme natural
- Ok, eu aceito. -Spiazzi responde e Arthur aponta para a cadeira em sua frente. Voxel entrega para ela o cardápio de bebidas e avisa que é por conta da casa, ela tenta relutar contra ele mas é inútil, Arthur conseguiu convencer ela
Depois de alguns minutos em silêncio, Mariah pigarrea atraindo a atenção de Arthur que estava arrumando a bancada em sua frente
- Sim? Deseja algo? - como um cavalheiro ele pergunta sorrindo, ela concorda e então ele para o que estava fazendo e olha para ela. - No que posso ajudar?
- Primeiro, você pode parar de me tratar com tanta formalidade e segundo, me fale um pouco de você.
Arthur parecia relutante ao ter que falar do seu passado, então tenta resumir ao máximo tudo. Era estranho a sensação que ela causava nele, Arthur não gostava de falar com ninguém mas com ela, parece que ele queria desabafar sobre tudo e contar todos os detalhes da sua vida mas ele não faria isso, pelo bem da sua liberdade ele manteria tudo em sigilo e silêncio total, assim ninguém nunca ia desconfiar dele.
- Minha vida não teve nada de empolgante, meus pais morreram quando eu era criança, fui morar em um orfanato e só sai de lá com 18 anos. Trabalho aqui desde que sai daquele lugar. Meus hobbys são fazer mágica e academia.
Arthur disse colocando um pouco de whisky em um copo. Mariah observava ele em casa detalhe e movimento, como se seus olhos estivessem grudados em Arthur e tudo que ele fizesse, fosse interessante de mais para ela desviar o olhar
- Então você faz mágica? Faz uma agora para mim então. - Spiazzi diz sorrindo com a língua entre os dentes. Ela se sentia uma adolescente perto de Arthur e aquilo era perigoso em níveis inimagináveis para ela.
- Uma mágica? Agora? Tá bom, espera que vou pegar o baralho. -Arthur puxa a caixa de cartas do alto da prateleira e mostra para ela para que perceba que era um baralho comum. Após embaralhar as cartas, ele estende para que ela pegue uma e guardasse o número em sua cabeça
- Você guardou bem o número da sua carta, madame? -Arthur falava como um cavalheiro, o que arrancou uma risada de Mariah que concordou prontamente -Então coloque-a aqui. -Arthur apontou para o topo das cartas, Mariah colocou sua carta ali e rapidamente Arthur colocou as mãos com as cartas para trás, segundos depois ele mostra a carta no fundo do baralho para Mariah e perguntou se aquela era sua carta, ao responder que não, ele solta um "d***a" e volta com as mãos para trás.
- Posso embaralhar para que você não roube? - Mariah pediu e Arthur entregou o baralho para ela que mudasse as cartas que quisesse de posição - Pronto, agora espero que ache
- Eu sou um ótimo mágico ok? Se eu não achar sua carta, troco meu nome para José. - Arthur pega o monte de carta das mãos de Mariah e antes de olhar cada uma para pegar a carta da morena, ele se debruça no balcão e olha nos olhos dela - Olha nos meus olhos que vou ler a sua mente e descobrir sua carta. -Spiazzi faz o mesmo com um sorriso sapeca no rosto mas perde toda a pose de adolescente ao ficar nos olhos de Arthur que pareciam que de verdade leriam sua alma. -Pronto, a sua carta é um rei de paus e está bem aqui... -Voxel começa a vasculhar todas as cartas e nada de achar o rei de paus mas ele para ao ouvir a risada de Mariah
- Você está procurando isso aqui, José? -ela balançava a carta de um lado para o outro e ria da cara de indignação de Arthur.
-Olha isso não vale ok? Você trapaceou e isso não é nada justo. -Arthur parecia uma criança naquele momento, ele cruza os braços e encara os olhos de Mariah que pareciam vidrados no seu
- Seus olhos carregam tanto mistério. -Spiazzi soltou sem perceber
- Pode tentar desvendar eles se quiser, Detetive.