O departamento de polícia de Smoorenburg estava em alerta. Eles sabiam que aconteceria outra vez, mas com quem? Quando? Alguém importante ou um desconhecido?
Muitas perguntas passeavam pela cabeça de ambos detetives naquela sala. Aquilo era uma afronta a policia de Smoorenburg e aquilo não podia chegar a uma impressa local pois uma ameaça dessas vira noticia no país todo em horas. Ninguém queria a policia sendo desmoralizada por um criminoso que nem se quer tinha um rosto conhecido.
Um detetive Mariah resolve pedir a gravação de todas as pessoas que passaram pela entrada do DP na última hora. Não era possível que ninguém tenha visto nada suspeito. Após ver e reverter a mesma sequência de minutos, somente uma pessoa chegou com todas as cartas para o DP. Sempre havia cartas para lá já que muitos funcionários pediam para que fosse entregue suas correspondências la pois estava trabalhando boa parte do dia.
Era o carteiro do bairro, ele não parecia o de sempre e foi ai que obter informações sobre quem ele era. Será que o assassino seria tão confiante de si que ele mesmo iria em pessoa entregar aquela ameaça ao DP? Com uma análise rápida e algumas ligações foram descobertas que aquele carteiro que levou como carta à tarde, era um funcionário novo da agência de entregas, mas ainda sim era suspeito.
Quando se tratava daquele caso, daquele homicida em específico, tudo era suspeito. Arthur Voxel conseguiu o que queria, deixar uma policia de Smoorenburg de cabeça quente, assim cairiam em qualquer "pista" que ele deixasse pois iriam acreditar cegamente em tudo por medo de errarem e mais uma pessoa ser vitima. Esse era seu plano, jogar com eles pois tudo seria motivo para eles perderem horas e horas tentando decifrar o que aquilo significava, assim quando descobrirem que não é nada, mais uma vitima já foi.
Enquanto uma policia tentava encontrar rastros de quem havia enviado aquilo, Voxel estava se preparando para mais um dia de trabalho. Era impressionante como ele se mantinha calmo e focado em suas tarefas como se não tivesse cometido um crime contra um dos maiores empresários do seu país. O que mantinha Arthur para a suspeita era sua calma invejável, sua frieza em não demonstrar nada e principalmente a descrição. Era como se ele fosse profissional naquilo, sempre escondendo seus rastros e fazendo com que a policia corresse atrás do próprio r**o.
Naquela noite teve uma briga no bar, nada muito grave, mas alguns copos quebrados e olhos roxos, coisas do cotidiano de pessoas bêbadas que sempre brigavam por qualquer coisa. Aquilo só fazia crescer a raiva dentro de Arthur, pois era assim que seu pai ficava quando chegava em casa depois de horas de bebedeira em dias de semana. Só que ao invés de ser outro bêbado machucado, era sua mãe.
Depois de separar aquela briga, Arthur pediu para que Raphael ficasse em seu lugar um pouco, ele precisava respirar e tentar não lembrar de seu passado. Era algo que doía e que ele precisava esquecer porque se não ele iria começar uma briga com homens bêbados somente para descontar a raiva que sentia do seu pai por tudo que ele fez. Depois de fumar dois cigarros em menos de 10 minutos, Arthur volta para o bar. Felizmente não houve mais nenhuma briga até fechar o lugar e isso era bom, pois assim não serviria de gatilho para Arthur que certamente não iria se segurar dessa vez.
Na manhã seguinte, Mariah acorda com um pressentimento estranho, como se algo fosse acontecer, mas ela não sabia se aquilo era bom ou r**m, então ela somente ignorou e foi se arrumar. Ao olhar o celular, tinha varias mensagens de Matthew dizendo que a policia não conseguiu achar nada que levasse a quem escreveu a carta.
Do outro lado da cidade, Arthur acorda disposto. Naquela manhã ele teria treino, então ele descontaria toda sua raiva em sacos de areia e poderia ter um dia tranquilo, sem magoa antiga e raiva acumulada. Depois do seu treino, ele resolve passar na mesma cafeteria de sempre para tomar aquele café reforçado, o dia estava apenas começando.
Mariah se xinga mentalmente por ter se atrasado e ter que tomar café na rua já que só vai poder parar para comer a tarde. Mariah procurou a cafeteria mais perto do DP, assim não irá se atrasar mais ainda. Era uma lanchonete aparentemente bem bonita. Tinha aquelas janelas grandes de vidro que dava para ver tudo do lado de fora. Aquela manhã estava fria e Mariah novamente se xingou por não pegar o casaco no carro.
Ao entrar na cafeteria o cheiro de café inunda suas narinas. Mariah se permite por alguns segundos fechar os olhos e apreciar aquele cheiro bom de café moído na hora, mas logo foi interrompida quando um corpo se chocou com o seu.
- Me desculpa.. eu... Detetive? -era Arthur que havia acabado de colidir com seu corpo. Mariah olhou o mesmo de cima a baixo e sentiu seu rosto queimar ao notar que ele estava olhando atentamente para o seu rosto enquanto ela olhava todo o conjunto de músculos na rua frente. Era nítido a tensão que pairava sobre os dois naquele momento
- É. eu sou, sou eu.. que bom te ver Sr. Voxel, né? Ai meu deus me desculpa ter ficado parada aqui, é que eu quase nunca vou em cafeterias e eu já tinha me esquecido como o cheiro é bom. - Mariah falava sem parar e Arthur só observava sorrindo, não era nenhum sorriso de deboche, mas era um sorriso de graciosidade, pois a morena falava e se gesticulava toda, era fofo ver aquela cena
- A culpa também é minha que tava mexendo no celular e não vi você. Como pedido de desculpa, eu pago seu café, vem. - Arthur parecia um completo cavalheiro ao direcionar Mariah ao balcão principal.
- E aí amigo, você sumiu cara. - um homem alto e com algumas tatuagens a mostra cumprimenta Arthur e logo olha para a mulher ao seu lado - e então, não vai apresentar a moça?
- Me desculpa, Gustavo essa é a detetive Spiazzi, detetive esse é meu amigo Gustavo. - Arthur meio sem jeito apresenta os dois. Mariah não interrompeu e sorriu do homem aparentemente envergonhado
- Detetive? O que você aprontou Art? Cara eu não vou te visitar na prisão não hein. - Gustavo parecia tão apavorado que Arthur e Mariah rirem
- Para de falar m***a Gustavo, vai espantar a moça. Me desculpa por ele. - Arthur comenta a última frase mais baixo, somente para Mariah ouvir
- Desculpe. O que vão pedir? - o atendente pega seu bloco de anotação e olha para os dois sentados em sua frente. Arthur disse que queria o de sempre e Mariah demorou pouco para escolher o que queria. Ambos tomaram café silenciosamente e Arthur foi o primeiro a se levantar, pagou a conta dos dois e deu um sorriso para Mariah.
Mariah sorriu de volta e seguiu ele saindo da cafeteria e indo até a moto que estava do outro lado da rua. Seus olhos estavam fixos em Arthur até que ele liga a moto e sai do seu campo de visão, somente quando o reporter do jornal que passava na televisão disse as horas, que Mariah notou que naquele momento ela estava atrasada e saiu correndo. Ao chegar no DP, tinha algumas pilhas de pastas em cima de sua mesa, olha ao redor e não acha ninguém aparentemente culpado por aquilo, mas logo entende o motivo, tinha um bilhete feito a mão e assinado por Matthew Scott, dizendo que ele reuniu todos os possíveis suspeitos.
Mariah passou boa parte do dia lendo e tentando achar uma ligação de algo daqueles suspeitos com a vítima. Afinal o culpado sabia muito sobre as corrupções e daquela documentação que incriminaria a vítima.
O trabalho dos detetives era não colocar um inocente atrás das grades e deixar o verdadeiro culpado na rua fazendo mais vítimas. Por mais que Mariah quisesse colocar o culpado atrás das grades para pagar pelo seu crime, não adiantaria colocar uma pessoa "inocente" no seu lugar só para abafar os casos da mídia, pois se prendessem a pessoa errada, o criminoso ainda estaria por ai matando e sujando a imagem do DP.
- Mariah vem cá, tenho uma coisa pra te mostrar. - Matthew diz abrindo uma pasta digital de um dos suspeitos. - Esse é James Falin, russo de 30 anos. Ele saiu fugido do país depois de ter sido ameaçado por fazer justiça com as próprias mãos, ele matou um homem que teria abusado de sua prima de 10 anos na época, então para não ser pego ele veio para a Alemanha e todos os chamam de Pirata porque tem uma cicatriz no olho e toda briga que ele se mete, ele precisa usar curativos no mesmo olho, daí veio o apelido. Já foi preso por furto e agressão, vive em bares e pode ter ouvido falar da nossa vítima.
- Okay, ele tem um perfil que pode sim ligar ele a vítima, mas antes de tudo, precisamos conferir álibi e qualquer conexão dele com a vítima. Não podemos simplesmente chegar e prender ele.
Mariah estava certa, eles não tem nenhuma prova se não sua sede de fazer justiça com as próprias mãos, mas aquilo era um começo, era tudo que eles tinham e era tudo que eles vão poder analisar. Mesmo que James Falin seja um suspeito do caso, todas as verificações precisam ser feitas de forma correta e comprovadas. Mesmo que Matthew Scott queria só colocar um rosto no caso para encerrar de vez, Mariah queria justiça pelas famílias prejudicadas pelo crime. Ela queria ser uma detetive como seu pai foi e sabia que fazer as coisas somente para esconder da mídia, ia contra seus princípios de vida.
Seu objetivo no Departamento de Policia de Smoorenburg, era fazer o certo até onde possível. Nada mais justo do que isso, mesmo que custe a sua carreira.