LC NARRANDO Cheguei em casa com o pai, porta bateu pesado atrás da gente. Eu já entrei falando, porque se eu guardasse ia sair pior. — Pô, pai… como que tu quer que eu trabalhe de graça pra pagar carga, mano? — larguei, tirando o boné e jogando em cima do sofá. Japona nem olhou pra mim, só foi tirando o cigarro do maço, acendendo e soltando a primeira tragada como se estivesse guardando o esculacho pra cuspir inteiro. — Lucas, não me irrita mais não, mano. — falou sem mudar o tom, mas eu já sabia que era aviso. — Hoje meu dia foi uma merda. Se não quisesse pagar, fazia as coisas certas. Tu acha maneiro eu ficar no prejuízo por irresponsabilidade de vocês? Respirei fundo, segurei o palavrão, e fui direto pra cozinha. Sentei na mesa, olhando pro nada, rodando o isqueiro na mão. — Pai…

