MT NARRANDO Voltei pra minha casa com a cabeça chiando, igual rádio estourado. O maxilar doendo do soco do Coroa, gosto de ferro na boca, e a mão formigando de tanto segurar a raiva pra não voltar lá e fazer merda. Abri o armário de baixo, empurrei o fundo falso e puxei a mala preta. Fui catando as peças uma por uma, em silêncio: descarreguei, conferi, passei pano por cima só pra não dar papo. As da boca de cara: numeração raspada, mas que ele conhece cada uma que tá na minha mão. Joguei pro lado esquerdo da mala. As minhas — as que eu comprei com meu dinheiro, suor e cicatriz — botei no lado direito e fechei o zíper até a metade. — As da boca eu devolvo — falei sozinho, com a voz baixa, fria. — As minhas… ninguém encosta. A mão ardia. Abri e fechei os dedos, respirei. Peguei fita, ama

