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MANU NARRANDO Eu nem reconheci a voz do meu pai. Doeu. Doeu porque ele sempre foi meu colo, meu escudo… e hoje veio como um murro de realidade. Fiquei olhando pra ele sem saber onde enfiar a cara, com um nó na garganta que não descia. Subi. Subi rápido, quase tropeçando no primeiro degrau. Entrei no quarto sem falar nada. A minha mãe tava com o Cauã no colo, ninando baixinho, aquela musiquinha que ela canta desde que eu era criança. — Me dá ele, mãe… — saiu num fiapo. Ela só assentiu e colocou o Cauã nos meus braços. O quentinho dele me acalmou e despedaçou tudo ao mesmo tempo. Sentei na beirada da cama, encostei as costas na parede e abracei meu filho como se ele pudesse me segurar inteira. Chorei. Chorei em silêncio, com o rosto escondido no cabelinho dele, o cheirinho de leite gr

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