MANU NARRANDO Eu já tinha passado do ponto do desespero. Era como se tivessem arrancado meu coração do peito e jogado no asfalto quente pra ser pisoteado. A raiva, o medo, a angústia, tudo misturado numa coisa só que me deixava sem ar. Eu tava no sofá da minha mãe, abraçada nas próprias pernas, o rosto afundado no joelho, chorando como eu não chorava desde o dia que pari o Cauã. O peito ardendo, a boca seca, e a cabeça martelando uma única pergunta: “Onde ele tá com meu filho?” — Calma, minha filha… — minha mãe tentava, sentando do meu lado e passando a mão no meu cabelo. — O Caio não vai fazer nada com o menino… ele é pai, Manu. Ele só tá de cabeça quente. — Mãe, ele tá maluco! — eu levantei o rosto, a voz quase sumindo de tanto chorar. — Ele pegou o Cauã sem falar nada! Ele tá co

