1-O Dono da Escuridão
O Dono da Escuridão
A chuva caía forte sobre Nova York naquela madrugada.
As luzes da cidade brilhavam entre a fumaça e o asfalto molhado enquanto carros pretos atravessavam as ruas vazias em alta velocidade. Dentro do último carro da fila, Lorenzo Mancini observava o movimento da cidade pela janela fumê.
Frio. Impiedoso. Intocável.
Era assim que todos o conheciam.
O terno preto perfeitamente alinhado escondia as tatuagens que marcavam sua pele e também os pecados que carregava na alma. O relógio caro em seu pulso marcava duas da manhã quando o motorista estacionou diante do galpão abandonado no porto.
— Encontraram o traidor, senhor Mancini — informou o homem no banco da frente.
Lorenzo ajeitou lentamente o anel prateado no dedo e saiu do carro sem dizer uma palavra.
O vento gelado misturado à chuva atravessou sua camisa escura, mas ele nem sentiu.
Homens armados cercavam o galpão.
Todos abaixaram a cabeça quando ele passou.
Medo.
Era isso que Lorenzo causava.
Ao entrar no lugar, encontrou um homem ajoelhado no centro do galpão, amarrado e ensanguentado. O desespero estampado em seu rosto arrancou um sorriso discreto dos lábios de Lorenzo.
— Eu posso explicar… — o homem implorou, com a voz trêmula.
Lorenzo caminhou devagar até ele.
Silêncio absoluto.
O som da chuva batendo nas telhas enferrujadas parecia mais alto do que qualquer respiração naquele lugar.
— Na minha organização — Lorenzo disse calmamente — traição não tem perdão.
O homem começou a chorar.
— Foi por dinheiro… eu precisava…
Lorenzo segurou o rosto dele com força.
— Todos precisam de alguma coisa.
Seus olhos escuros eram assustadoramente frios.
Então, sem hesitar, ele pegou a arma da cintura.
Um disparo ecoou pelo galpão.
Silêncio.
O corpo caiu no chão.
Lorenzo limpou uma gota de sangue que havia atingido sua mão e se virou como se nada tivesse acontecido.
Até que ouviu passos.
Uma mulher surgiu na entrada do galpão completamente encharcada pela chuva.
Os homens imediatamente apontaram armas para ela.
Mas Lorenzo permaneceu imóvel.
Porque, pela primeira vez em muitos anos… algo chamou sua atenção.
Ela ergueu o rosto lentamente.
Olhos perigosos.
Lindos.
E cheios de ódio.
— Então você é Lorenzo Mancini — ela disse com a voz firme.
O galpão inteiro ficou em silêncio.
E, naquele instante, Lorenzo sentiu que aquela mulher mudaria tudo.