Cap. 1
Há 1 mês do casamento do duque não podia acreditar no que ouvia. Isso era simplesmente impossível. Claire, sua doce e encantadora prima Claire, estava lhe propondo aquilo? Marina deveria imaginar que quando uma mulher invade a residência da outra e entra abruptamente em seu quarto tarde da noite, era certamente uma medida de desespero, mas nem mesmo ela, que entendia de desespero e tinha uma grande imaginação poderia supor aquele absurdo. Ela olhou para o copo d'água em sua mão e o bebeu de vez, Cristo, como desejava estar com algo mais forte.
- Mary, entenda que eu não pediria senão tivesse alternativa.
- Você se casará daqui a um mês.
- Eu sei, e é por isso que a ideia me correu.
- Por que não solicitar a uma meretriz qualquer?
- Porque ela não me ama e quer meu bem como você, fora que seria escandaloso demais.
- Ora, não ouse usar isso para me manipular!
- Preste atenção, é uma proposta bem simples. Eu imaginei que passar uma semana com uma mulher tão exuberante e interessante como você faria Gabriel reconsiderar.
- É claro que ele não irá reconsiderar, ele te ama.
- Mas eu não o amo. Por Deus, eu juro. Eu achei que era amor, mas não posso me submeter a tamanha infelicidade, nem ele. Odiaria vê-lo sofrer, tentando reaver algo que não existe.
- Ninguém deixa de amar alguém assim tão rápido.
- Você está confusa. - Marina sabia que aquilo era verdade, se você deixa de amar alguém em tão pouco tempo, você nunca o amou realmente. E se você ama perdidamente alguém que conhece a meses apenas, você está beirando a insanidade.
- Não, não estou confusa, estou... desesperada.
- Clairie... - Usou o apelido de infância num apelo para a prima recobrar a consciência
- Não, por favor, me escute. Eu amo lorde Becker. Eu o amei assim que o vi. Quando nossos olhares se
cruzaram foi como se o mundo tivesse parado. Eu senti. Gabriel estava ao meu lado, eu simplesmente o
esqueci. Meu mundo parou. Eu nunca senti nada parecido antes.
- Você e Gabriel são perfeitos, um casal ideal, são amigos, ele é um duque, pelo amor de Deus! - Claire a estava enlouquecendo.
- Por favor, não blasfeme.
- Viu? Você é certamente uma santa. Converse com Gabriel, diga que tem dúvidas adie o casamento em
alguns meses, viaje comigo. Eu convido Daniel para alguns almoços, jantares e piqueniques e vocês podem passar algum tempo juntos até que você perceba que ele não é para você.
- Como pode ter tanta certeza disso? O que há entre vocês? - Claire lhe direcionou um olhar acusatório. O tipo de olhar que recebia em salões de baile quando cometia o infeliz equívoco de estar no mesmo ambiente que Lorde e Lady Cavendish.
- Nada, somos bons amigos, e eu o conheço bem demais.
- Então não me diga nada, deixe que eu mesma forme a minha opinião.
- Para chegar a mesma conclusão que eu?
- Prima, não acredita que o amor pode mudar as pessoas? Daniel com certeza é diferente agora.
- Daniel? Você o chama pelo primeiro nome?
- Temos alguma i********e.
- Certamente. De todo modo, seguiremos o meu plano.
- Mary. - Claire se jogou aos seus pés. Seus cabelos loiros se emaranhando entre o tapete e seu vestido. - Eu não lhe peço nada mais. Quero apenas que o seduza, e case-se com ele.
- O que a faz acreditar em primeiro lugar, que eu tenho o poder para seduzi-lo?
- Você é bonita demais para o seu próprio bem, rica, estupidamente inteligente. Além do mais, se os boatos precedem de algum modo, você é sim capaz de enredar um homem.
- Não deveria dar atenção a fofocas. E eu não deveria nem estar dando corda às suas ideias. Além do mais, eu não quero me casar.
- Viu. É perfeito, pense como uma aliança política.
- Claire, a sociedade viraria as costas para mim, a milha família, a nossa família, me ignoraria mais do que já faz.
- Então não seria um grande problema.
- Perdeu o juízo?
- Veja bem, você não tem nenhuma afinidade a ideia do amor romântico. Você é prática.
- Sim, e imaculada até a última vez que conferi.
- Você não será comprometida se é o que quer saber.
- Você quer fazer um escândalo.
- Um escândalo privado.
- Me explique como isso seria um escândalo privado.
- É muito simples. Daniel planejou tudo.
- Oh, é claro! Isso não poderia ter partido de sua cabeça, é claro que não.
- A ideia central foi minha, ele só me ajudou com alguns detalhes.
Mary arqueou as sobrancelhas para Claire, e a prima a ignorou veementemente.
- Já criamos um ambiente favorável, com algumas insinuações sobre Gabriel.
- Então pretende abalar a reputação do duque também. - Concluiu incredula.
- De certo modo, será mais uma rachadura na fachada.
- Deus…..
- Eu pedirei uma prova a ele, pedirei que me comprometa.
- Ele nunca vai..
- Ele já está inclinado a aceitar. Umas doses a mais, e um beijo apaixonante serão suficientes para que não me rejeite em seu quarto. Quando eu chegar, você já estará lá, escondida é claro. Eu irei servir uma taça de vinho com uma erva que deixará os sentidos dele
abalados. A última coisa que Gabriel se lembrará, com certeza será dele indo se deitar com uma mulher.
- Com você. Ele achará que a mulher será você.
- Sim, mas não será. Nada precisa acontecer, você vai se deitar ao lado dele e quando ele acordar o senso de justiça o fará reavaliar tudo. Ele achará que comprometeu você. Se casará com você, e eu estarei livre.
- E se ele não se casar? E se quiser manter a farsa?
- Oh, ele nunca conseguirá fazer isso. Ele tem um grande senso moral, e se nada adiantar, eu direi que vi vocês, que estava esperando por ele quando entraram juntos.
- O que meu marido dirá quando na noite de núpcias perceber que eu sou virgem?
- Nada. Você pode disfarçar, adiar. Eu tenho certeza de que vocês terão o mínimo de afinidade, ele sentirá culpa.
- Ou sentirá que foi enganado, ou que é o pior dos homens. Claire! Eu não sou uma paladina da moral,
mas até eu vejo que isso é incorreto. Teríamos de casar-nos às pressas, toda a sociedade comentaria. Você submeteria a Gabriel a uma grande infelicidade.
- Eu sei que isso soa egoísta.
- Isso é egoísta.
- Sim. Mas eu não posso fazê-lo sofrer. Ele não é nada além de perfeito.
- Mesmo que eu o fizesse, mesmo que desse cabo a essa loucura. Ainda existirá a possibilidade de ele me odiar. Gabriel acharia que o seduzi, de maneira arbitraria, por puro despeito. Já fui odiada minha vida toda, não posso ser odiada pelo meu próprio marido.
- Bom... então estou perdida.
- Você voltará a amá-lo.
- Este não é todo o problema. Eu, diferentemente de você, não sou mais imaculada.
Marina piscou repetidamente, certamente ela piscou mais naquele momento do que em toda a sua vida, e então Claire completou.
- Estou fertilmente comprometida. Eu estou grávida de Daniel. Quase dois meses que minhas regras não vêm.
- Minha nossa... - Marina olhou para o corpo de Claire, absurdamente magra e delicada, em pouco tempo ficaria evidente que cedera seu ventre para um hospede.
- Quer escândalo maior?
- Gabriel assumiria a criança.
- Sim, mas saberia que eu não fui fiel. E então eu seria a mais odiada das mulheres... eu não teria forças, eu..
- Pensasse nisso antes de se deixar comprometer! .- Explodiu a prima.
- Você quase foi comprometida, sabe o que é, o amor é…..
- Não fale de amor. Isso não tem a ver com amor, e sim com desejo, o desafio, a tentação do proibido. Oh, Deus, Claire!
- Não sei mais o que fazer, simplesmente não sei.
Claire se pôs em lágrimas, e soluços.
- Podemos fazer isso. Eu posso arruinar seu noivado, mas eu não me casarei com o duque.
- Mas como?
- Seguiremos com o plano, eu acordarei ao lado dele, ele deve pensar que eu sou uma meretriz, você entrará no quarto, fará um breve escândalo, a tempo de ele despertar, será o tempo em que eu sairei. Ele nunca me verá, nunca vai saber quem eu sou, ele vai
achar que te traiu com uma cortesã qualquer. Você não irá perdoá-lo, e o resto.... bem, depois pensamos em como disfarçar a sua fertilidade com uma criança nascendo com 7 meses.
Claire caiu aos seus pés.
- Oh obrigada, obrigada, obrigada!
- Não me agradeça ainda, eu irei cobrar este favor.