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Imorais: Contos eróticos

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Imorais é uma coletânea de contos destinada exclusivamente ao público adulto, criada para explorar desejos, fantasias e fetiches que ultrapassam os limites do convencional. Cada história apresenta personagens diferentes, todos maiores de idade, vivendo experiências marcadas pela curiosidade, pela liberdade s****l e pela descoberta de desejos que, muitas vezes, permanecem escondidos.

Entre os temas abordados estão a lactofilia, fetiche relacionado à atração pela lactação; o cuckold, fantasia relacionada ao prazer de ver ou imaginar o parceiro se envolvendo com outra pessoa; o b**m, universo que reúne práticas consensuais de dominação, submissão e jogos de poder; o ménage, envolvendo três adultos em uma mesma experiência; e o swing, baseado na troca consensual de parceiros entre casais.

Sem seguir apenas um casal ou uma única história, Imorais reúne diferentes personagens e fantasias em contos independentes, explorando desejos considerados proibidos, incomuns ou simplesmente difíceis de confessar.

Depois de Devassos e Obscenos, chegam os Imorais.

Porque algumas fantasias são feitas para permanecer em segredo. Outras são feitas para virar história.

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Capítulo 1
Comecei a estudar enfermagem porque sempre tive vontade de trabalhar cuidando de pessoas. Desde muito nova, era daquele tipo que dificilmente conseguia permanecer indiferente quando alguém precisava de ajuda. Gostava de me sentir útil, de aprender sobre cuidados, medicamentos e tudo aquilo que pudesse proporcionar um pouco mais de conforto para alguém que estivesse passando por um momento difícil. A faculdade, porém, não aconteceu exatamente como eu havia planejado. Por uma série de circunstâncias pessoais e financeiras, não consegui concluir o curso. Aquilo me frustrou bastante na época, principalmente porque eu realmente gostava da área, mas precisava trabalhar e pagar as próprias contas. Em vez de abandonar completamente aquilo que sabia fazer, comecei a procurar oportunidades como cuidadora. Foi assim que acabei trabalhando principalmente com idosos. No começo, pegava os serviços que apareciam. Fazia acompanhamento durante o dia, ajudava com alimentação, higiene, horários dos medicamentos, locomoção e tudo mais que estivesse dentro das minhas atribuições. Com o passar dos anos, fui acumulando experiência, indicações e boas referências. Era paciente, organizada e, principalmente, sabia separar o envolvimento emocional do trabalho. Sem perceber, construí um belo currículo. Até que recebi uma proposta diferente das habituais. Dessa vez, não se tratava de uma pessoa idosa. Um jovem adulto havia sofrido um grave acidente de moto e precisaria permanecer algum tempo praticamente imóvel enquanto se recuperava. A família estava procurando alguém de confiança para auxiliar nos cuidados diários durante aquele período. Para mim, parecia um trabalho relativamente normal. Aceitei participar da entrevista determinada a agir com o máximo de profissionalismo possível. Só não esperava que o primeiro problema para manter esse profissionalismo aparecesse antes mesmo de conhecer o paciente. O endereço fornecido ficava em um bairro nobre da cidade. Quando cheguei, precisei conferir o número duas vezes antes de tocar o interfone. A casa era enorme, protegida por muros altos e um portão imponente. Depois que minha entrada foi autorizada, percorri um caminho cercado por um jardim impecavelmente cuidado até chegar à entrada principal. Aquilo não era simplesmente uma casa. Era praticamente uma mansão. A porta se abriu e precisei controlar a própria expressão quando vi quem estava esperando por mim. Doutor Alan. O pai do rapaz que precisaria dos meus cuidados tinha quarenta e poucos anos e era um homem absurdamente bonito. Os primeiros fios grisalhos já dominavam parte dos cabelos, mas, em vez de envelhecê-lo, davam a ele uma aparência ainda mais elegante. Seus olhos eram verdes e muito expressivos, contrastando com as sobrancelhas escuras. Tinha o maxilar bem marcado, ombros largos e um porte atlético que denunciava que aquele era um homem que se cuidava. Mesmo vestido de maneira relativamente simples, Alan tinha uma presença difícil de ignorar. Para completar, era simpático. — Mônica? — Sim. Boa tarde. Ele abriu um sorriso educado e estendeu a mão. — Alan. Entre, por favor. Estava esperando por você. — Obrigada. A voz dele era tranquila, e a maneira respeitosa como me tratou fez com que eu relaxasse um pouco. A entrevista aconteceu em uma sala ampla e muito bem iluminada. Alan perguntou sobre minhas experiências anteriores, quis saber como eu lidava com pacientes temporariamente dependentes e explicou um pouco sobre o acidente do filho. Respondi tudo com segurança. Naquele momento, não queria que absolutamente nada em minha postura demonstrasse o quanto tinha ficado impressionada com a aparência daquele homem. Alan pareceu satisfeito. — Acho que vai dar certo — disse, fechando alguns papéis. — Vou levar você para conhecer meu filho. — Claro. Levantei-me e o acompanhei pelo corredor. Quando chegamos ao quarto, entretanto, Alan abriu a porta devagar e percebeu que o filho estava dormindo. — Melhor deixar descansar — falou em voz baixa. — Desde o acidente, o sono dele está completamente desregulado. Apenas concordei. Da porta, consegui enxergar somente parte da cama e uma silhueta coberta. Não seria profissional ficar observando um paciente adormecido por curiosidade. Assim, fui embora sem conhecer adequadamente o homem de quem cuidaria. No dia seguinte, comecei oficialmente no trabalho. Escolhi uma roupa confortável porque sabia que passaria boa parte do dia andando pela casa, organizando coisas e auxiliando alguém com mobilidade bastante reduzida. Vesti uma calça legging, camiseta mais comprida e Crocs. Prendi os cabelos em um r**o de cavalo alto e praticamente não me preocupei com maquiagem. Aos vinte e poucos anos, eu era uma mulher que chamava atenção mesmo quando não fazia qualquer esforço para isso. Tinha 1,71 metro de altura e um corpo naturalmente curvilíneo, com cintura marcada, s***s fartos, quadris largos e pernas grossas. A roupa confortável acabava acompanhando minhas curvas, embora aquela definitivamente não fosse minha intenção naquela manhã. Também estava solteira havia bastante tempo. Eu não era mulher de ficar pulando de relacionamento em relacionamento. Na verdade, vivia na seca e já tinha me acostumado tanto com aquilo que raramente pensava seriamente em procurar alguém. Ou pelo menos era isso que dizia para mim mesma. Cheguei exatamente no horário combinado. Alan foi me receber novamente. — Bom dia, Mônica. — Bom dia. — Quer tomar um café antes de começar? — Obrigada, mas já tomei em casa. — Então vamos lá. Hoje finalmente vocês vão se conhecer. Acompanhei-o pelo corredor até o quarto. Dessa vez, quando Alan abriu a porta, o filho estava acordado. Entrei atrás do meu patrão e, assim que consegui enxergar direito o homem deitado na cama, parei por uma fração de segundo. Meu coração pareceu errar uma batida. Não, não podia ser. Minhas bochechas esquentaram quase imediatamente, enquanto uma sensação gelada percorria minha barriga. Eu conhecia aquele rosto. Mesmo mais velho, com feições agora completamente adultas, barba crescendo e uma aparência abatida pelo acidente, era impossível não reconhecê-lo. Daniel. Simplesmente o garoto mais popular da época em que eu estudava no colegial. Só que agora nós dois éramos adultos. Por alguns segundos, lembranças que eu nem sabia que ainda guardava atravessaram minha cabeça. Corredores cheios de adolescentes, intervalos barulhentos, grupos conversando, meninas comentando sobre ele. Daniel era justamente aquele tipo de garoto que todo mundo conhecia. E agora estava ali. Na cama. E eu seria sua cuidadora. — Bom dia — disse, fazendo um esforço enorme para parecer perfeitamente normal. Daniel levantou os olhos. — Bom dia. Ele estava bastante machucado. Uma das pernas permanecia imobilizada, o braço também havia sido lesionado e uma série de limitações temporárias tornava impossível que realizasse sozinho atividades básicas. Não podia se levantar da cama sem auxílio e muito menos tomar banho normalmente no chuveiro. Também utilizava uma sonda, o que exigiria cuidados específicos durante sua recuperação. A imagem era tão diferente do garoto popular e aparentemente invencível que eu guardava na memória que aquilo provocou em mim uma sensação estranha. Alan começou a explicar a rotina. — Os horários dos medicamentos estão anotados, mas vou passar tudo para você novamente. Imediatamente assumi minha postura profissional. Aproximei-me da mesa de cabeceira e comecei a conferir as caixas de medicamentos. Peguei o pequeno bloco que havia levado e anotei cuidadosamente os horários, doses e observações enquanto Alan continuava explicando. — Esse aqui foi prescrito para... Anotei. — Certo. — E qualquer alteração você pode me ligar. — Pode deixar. Durante toda a conversa, entretanto, eu tinha uma sensação incômoda de que Daniel me observava. E observava mesmo. De vez em quando, ele estreitava os olhos como se estivesse procurando alguma coisa na memória. Até que Alan terminou as explicações. — Acho que é isso. Qualquer coisa, estou no telefone. — Está bem. Alan saiu do quarto. A porta se fechou. Pela primeira vez, Daniel e eu ficamos completamente sozinhos. Respirei fundo e comecei a organizar algumas coisas, fingindo estar concentradíssima na própria tarefa. O silêncio durou pouco. — Eu te conheço. Congelei. Virei apenas um pouco o rosto. — O quê? Daniel continuava olhando para mim. — Eu te conheço, não conheço? Desviei os olhos quase imediatamente. Senti novamente as bochechas esquentarem e baixei a cabeça, fingindo procurar alguma coisa no bloquinho. — Não sei. Acho que não. Daniel franziu a testa. A expressão dele dizia claramente que não tinha acreditado. — Acho que conhece, sim. — Deve estar me confundindo com alguém. Virei-me para os medicamentos, querendo desesperadamente mudar de assunto. Foi então que ouvi o movimento do cobertor. Daniel começou a puxá-lo com a única mão que conseguia movimentar com mais facilidade. Olhei para ele novamente e percebi que o paciente indicava a região da sonda. A expressão dele mudou. Mesmo todo machucado, ainda havia alguma coisa daquele garoto convencido do colegial escondida ali. Ele olhou para baixo e depois diretamente para mim. — Aí... você tem que trocar minha sonda. Respirei fundo, tentando permanecer profissional. Daniel deixou escapar um sorriso provocador. — Vê se não se assusta com o tamanho do meu pa.u. Fiquei imóvel. Por alguns segundos, não soube se ficava constrangida, se dava uma bronca nele ou se simplesmente fingia que não tinha escutado. Então ergui lentamente os olhos. E naquele momento tive certeza. Podiam ter se passado anos. Daniel continuava exatamente tão convencido quanto eu me lembrava.

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