Depois, quando precisei voltar ao quarto, encontrei Daniel mexendo no celular. Para minha surpresa, ele ficou quieto.
Entrei esperando alguma gracinha, algum comentário inconveniente ou aquele sorriso convencido que já estava começando a me tirar do sério, mas ele apenas levantou os olhos rapidamente para mim e voltou a prestar atenção na tela.
O restante do dia passou até que normalmente.
Quando chegou a hora do banho, para minha sorte, a mãe dele ficou conosco no quarto. Confesso que aquilo me deixou muito mais tranquila. Ela foi me auxiliando e explicando como costumava fazer desde que ele havia voltado para casa depois do acidente, principalmente quais movimentos precisavam ser evitados por causa dos ferimentos.
Eu fiz tudo certinho.
Naquele momento, Daniel também se comportou. Não fez nenhuma brincadeira de duplo sentido e não tentou me constranger na frente da mãe. Consegui realizar todos os cuidados com tranquilidade, mantendo o profissionalismo que pretendia ter desde o primeiro dia.
Quando finalmente fui embora, estava cansada, mas aliviada.
Achei que ele tivesse entendido meu recado e que finalmente pararia com aquelas gracinhas.
Só que, naquela mesma noite, quando me deitei para dormir e peguei o celular, vi uma notificação que fez meu coração disparar.
Daniel tinha me encontrado nas redes sociais.
Primeiro, vi a solicitação para me seguir.
Depois, a mensagem.
Oi.
Fiquei olhando para aquela palavra durante alguns segundos.
Como ele tinha me encontrado tão rápido?
Abri o perfil dele por pura curiosidade e imediatamente me arrependi. Era realmente ele. As fotografias antigas, o rosto que eu conhecia tão bem da época da escola, as lembranças que eu estava fazendo tanto esforço para fingir que não existiam.
Não respondi.
Também não aceitei a solicitação.
Simplesmente ignorei.
Talvez porque eu estivesse apreensiva demais para descobrir onde aquilo terminaria.
Afinal, o que um garoto como Daniel iria querer comigo?
Ele podia estar machucado agora, preso naquela cama e dependendo dos meus cuidados, mas eu ainda me lembrava perfeitamente do tipo de homem que ele era antes do acidente. Se estivesse andando normalmente, vivendo a própria vida e cercado pelas mulheres que sempre chamaram sua atenção, provavelmente nem olharia para alguém como eu.
Foi nisso que tentei acreditar.
Deixei o celular de lado e fui dormir.
No dia seguinte, quando cheguei para trabalhar, Alan me recebeu como sempre, muito educado e simpático. Conversamos rapidamente e fui direto para o quarto.
Daniel estava acordando.
Entrei, dei bom-dia e comecei minha rotina, tentando agir como se não tivesse visto absolutamente nada na noite anterior.
Eu estava novamente usando uma calça legging e uma camiseta confortável. Prendi o cabelo para trabalhar e fui organizar as coisas de que precisaria naquela manhã.
Em determinado momento, abri uma das gavetas e me abaixei para pegar alguns materiais. Fiquei de costas para Daniel por alguns segundos.
Quando me virei, ele estava olhando descaradamente para mim, mordendo o lábio.
— Olha... ela está de calcinha vermelha. Que delícia.
Arregalei os olhos.
— Daniel!
Ele riu e fez um gesto indecente.
— Abaixa a calça aí, deixa eu dar uma olhada.
— Você não aprende mesmo.
— Pô, Mônica, preciso confessar uma coisa, com o maior respeito...
— Quando você começa dizendo “com o maior respeito”, já sei que não vem respeito nenhum depois.
Ele começou a rir.
— Eu estou numa seca do caramba. Estou doido para dar uma e goz.ar.
Fiquei olhando para ele sem acreditar.
Mas Daniel ainda não tinha terminado.
— Ó, já que você vai trocar minha sonda... Meu pai foi trabalhar, minha mãe não está aqui...
Meu coração começou a bater mais rápido antes mesmo que ele terminasse.
— Você pode abaixar a calça, vir por cima e montar no meu p.au. Deixa eu goz.ar em você. É rapidinho, ninguém precisa saber. Pode ter certeza de que você vai ficar cuidando de mim por muito tempo.
Fiquei simplesmente perplexa.
Dessa vez, ele tinha ultrapassado todas as gracinhas anteriores.
Minha boca ficou entreaberta enquanto eu tentava descobrir se aquele homem estava realmente falando sério.
Era o auge da safadeza, do desejo e da loucura.
Eu deveria ter dado uma bronca nele imediatamente.
Deveria ter saído daquele quarto.
Deveria ter contado para Alan que seu filho estava tornando impossível manter uma relação estritamente profissional.
Só que meu cérebro, traidor como sempre, começou a dizer justamente aquilo que eu não queria ouvir.
"Por que não?
Balancei discretamente a cabeça.
Não.
Por que não? Ninguém vai saber."
Comecei a separar o material para trocar a sonda, tentando ignorar meus próprios pensamentos.
Você sempre quis.
— Cala a boca — murmurei para mim mesma.
— O quê? — Daniel perguntou.
— Nada.
Continuei organizando as coisas.
Mas meus pensamentos estavam completamente descontrolados.
"Você está precisando. Está com teia de aranha aí embaixo na periquita. É só dar uma sentadinha, ele vai gozar e pronto."
E, como se minha consciência já não estivesse fazendo estrago suficiente, surgiu o pensamento mais absurdo de todos.
Você ainda pode engravidar.
Quase ri de nervoso.
" Meu Deus, Mônica.
Que tipo de pensamento era aquele?
Isso é melhor ainda. Já pensou? Ganhar pensão e ter um filho lindo desse? Afinal, seu sonho é ser mãe."
Eu definitivamente tinha perdido o juízo.
Era só aquilo que meu cérebro dizia. Uma sucessão de ideias completamente absurdas que eu jamais teria coragem de falar em voz alta.
Comecei a me preparar para retirar a sonda.
Daniel continuava me observando.
— Já escovei os dentes.
Olhei desconfiada.
— E eu precisava saber disso por quê?
— Vai que você quer me dar um beijinho na boca para esquentar as coisas...
Soltei o ar lentamente.
Ele sorriu.
— Posso tocar em você?
Aquela pergunta me pegou desprevenida.
Fiquei alguns segundos em silêncio.
Eu estava num dia difícil. Estava cansada, carente, confusa e, para piorar, diante de um homem por quem já tinha sentido atração muito antes de imaginar que um dia estaria naquela situação.
Olhei para trás, na direção da porta.
Depois voltei a encará-lo.
Afastei-me um pouco da cama.
— Sim, você pode me tocar. Mas só isso.
Os olhos dele se arregalaram.
— É sério?
— Só isso — repeti.
— Vai ter que goz.ar sozinho.
Daniel parecia não acreditar na própria sorte.
— Você vai fazer a boa para mim?
Revirei os olhos, mas meu coração estava disparado.
Fui até a porta, parei.
Ainda tive alguns segundos para desistir.
Em vez disso, tranquei.
O pequeno estalo da fechadura pareceu absurdamente alto naquele quarto silencioso.
Quando me virei, Daniel estava sorrindo.
Voltei para perto da cama e comecei a abaixar a calça lentamente, ainda apreensiva, revelando minha calcinha fio-dental vermelha.
Daniel imediatamente esticou a mão na minha direção.
— Me dá um beijo, gata.
— Você está abusando.
— Seja boazinha, vai. Eu gosto de carinho. Estou carente. Dá atenção para mim.
Eu não sabia mais se queria rir, fugir ou descobrir até onde aquela loucura iria.
Acabei me aproximando.
Toquei os lábios dele sutilmente.
Era para ser apenas um beijo rápido.
Mas fiquei boquiaberta quando senti a mão dele alcançar minha i********e e seus dedos começarem a me tocar.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
Eu estava seca, limpa e quente quando ele começou. Mas bastaram alguns movimentos para que meu próprio corpo me traísse novamente. Aos poucos, senti a lubrificação surgindo cada vez mais abundante, molhando os dedos dele.
Daniel percebeu imediatamente.
Claro que percebeu.
O sorriso dele apareceu entre um beijo e outro.
Então ele voltou a me beijar, dessa vez lentamente, com língua, sem aquela pressa que eu esperava de alguém que tinha passado os últimos dois dias fazendo provocações.
Eu permaneci ali, em pé, com as pernas abertas diante da cama, sentindo a mão do meu próprio paciente me mast.urbando enquanto nos beijávamos.
Era completamente insano.
A maior loucura que eu já tinha feito na vida.
Por alguns segundos, fechei os olhos e tive a estranha impressão de que aquilo não estava realmente acontecendo.
Parecia um sonho.
Um daqueles devaneios secretos e vergonhosos que a gente tem e jamais conta para ninguém.
Só que, quando abri os olhos novamente, Daniel estava ali.
E a mão dele também.
Aquilo era real.