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ENTRELAÇO

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Blurb

A vida de três jovens adultos se entrelaça nessa história sobre companheirismo. Ângelo e Felipe, que se conhecem na graduação em Economia; e Catarina, amiga de longa data de Ângelo, desde os tempos do internato suíço. Entrelaço se passa em tempos diferentes, cidades e países distintos até embocar-se nos Hotéis Laggerdoff, este que é o negócio da família de Catarina, local de trabalho de Ângelo e pelo qual muito recentemente Felipe começa a trabalhar. Ao longo da história, os personagens vão se revelando e suas relações se intensificando, tendo em vista seus conflitos e segredos familiares. Observação: a capa é fofinha, a história nem tanto. #Voto#

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1° Capítulo
AMSTERDÃ, 1991. No carro. Amor. Que foi? Vai nascer. Como assim, vai nascer? Estou sentindo, vai nascer. Rubens nos leve o mais rápido possível para o melhor hospital da cidade, é urgente! Na sala de parto. Catarina, minha doce Catarina. Sou seu pai, Catarina. Caroline, obrigado por essa benção. NOVA YORK, 1991. No escritório. Seu filho nasceu, Senhor. Ótimo! Ligue pra mãe, envie um buquê, o maior que houver, escreva alguma coisa no cartão, você sabe, você é mulher, dê a ela. Sim, Senhor, algo mais? Qual o nome que ela deu à criança? Ângelo. Bem, é isso, me avise se houver qualquer coisa. No pensamento. Aquela mulher... Deve ter furado a camisinha ou coisa que o valha. TORONTO, 1995. Na sala de estar. Jaque, venha cá, agora! Senhora Caroline, posso voltar aos meus afazeres, não consigo mais acompanhar Catarina? Está bem, pode ir. Mãe! Não faça birra Catarina. Não há no mundo alguém que satisfará todos os seus caprichos. Mas é muito errado, não quero viver num mundo assim. Sua vida é a vida dos sonhos de qualquer um. Pai! Pai! Na porta de entrada. Olá, minha princesa, finalmente cheguei. Olhe o que trouxe. Que é? Que é? Meu Deus! Mãe, olhe o que o pai trouxe! Catarina, não o beije tanto, não está com todas as vacinas. É só um cachorro, deixe a menina brincar de se sujar, se quiser, amor. NOVA YORK 1995. No escritório. Aristóteles, por favor compreenda, não posso me afastar do meu filho... Por favor, não faça isso comigo... Faço qualquer coisa que me peça, mas não isso. Se é assim, vão os dois pra Berna, não gosto de tê-los por perto, mas esse pentelho é meu filho e deve estar preparado pras responsabilidades - sairá mais caro que o esperado, mas é o que tem pra hoje. BERNA, 1998. Na sala de aula. Crianças, olhem para cá: esta é nossa nova colega de sala de aula, Catarina. Pode-se sentar ao lado de Ângelo, Catarina. Prometo que vocês se darão muito bem. No pensamento. Que esse dia passe rápido. Na classe. Prazer, sou Ângelo como a Professora Angélica disse. Prazer Ângelo, sou Catarina, como a Professora disse. Então, já vou te dizer: jamais me procure, não tenho tempo para ser amigo de ninguém. NEW JERSEY, 2000. Na entrada de casa. Meu bebê lindo, olhe como ele é fofão, Adão. Sim, sim, um bicho que vai comer toda nossa comida. Porquê? Não gostei da fuça desse teu filho. Nosso filho. Enfim, outra hora tenho essa conversa. TORONTO, 2007. No pátio. Como é bom ver Catarina se divertir tanto assim. Gostei desse rapaz, ele é tão educado e a família dele é bastante adequada para Catarina. Sabe, seria uma boa nos aproximarmos mais dessa família. Pensei que seu foco era apenas na rede de hotéis. É nisto que estou a pensar. Na cozinha. Senhor e Senhora Laggerdoff, gostaria se possível convidá-los para passar o ano-novo na casa de campo da minha família. Ficamos muito gratos pelo convite, Ângelo. Pensaremos a respeito com muita consideração. Obrigado. Mãe, Pai, ele partirá hoje à tarde, por favor, aceitem. Está bem, se os seus pais estiverem de acordo. BERNA, 1997. Na aula de teatro. Garotos e garotas, quero que apresentem suas melhores versões de Romeu e Julieta. Vocês sabem que todos os anos comemoramos o festival de fim de ano e não será diferente neste ano. Eu quero ser Julieta! Não, eu quero! Eu que serei ela! Eu nasci para esse papel! Vocês não sabem de nada, eu sou Julieta! Não, eu sei essa estória de cabo a rabo... Que garotas mais idiotas, tanto faz. O que disse? Me desculpem, acabei falando sem querer. Pois agora que já anda sozinha, não terá nenhuma de nós, as idiotas, ridícula! No pensamento, desta vez. Gente, esse lugar não me faz bem, como eu queria voltar pra casa. BERNA, 1998. No teatro da escola. Senhores e Senhoras, pais destas crianças incríveis, que no futuro comandarão nosso mundo, apresento a vocês: Romeu e Julieta. Na plateia. Não vejo a hora: que luz é essa que brilha naquela janela? É o leste, e Caroline é o sol. Ó Victor, Victor! Por que és tu Victor? No mesmo teatro, há um mês atrás. Não sei por que motivos nos colocaram para fazer Romeu e Julieta. Também, não sei e não quero fazer. Decorar esse texto decrépito e batido. Catarina, sei que não tivemos o melhor convívio até agora como colegas, mas quero te propor algo. * Na sacada. Vem, vem, sua vespa; por minha fé, você está brava demais. Se eu sou uma vespa, é melhor tomar cuidado com meu ferrão. Meu remédio, então, é arrancá-lo. Sim, se o t**o conseguisse encontrar onde ele está. Quem não sabe onde uma vespa carrega seu ferrão? Na cauda! Na língua! * Na coxia. Perfeito, Petruchio! Por que fizeram isso? Estragaram com tudo! Meus pais vieram aqui ver a Julieta e vocês entregam a Megera, debocham de Shakespeare! Não preciso esclarecer nada pra vocês. Na sala da direção. O que vocês fizeram com a minha peça? Professora, não é sobre a sua peça. Se fosse por isso, faríamos os papéis mesmo a contragosto. E o que é então? São os nossos pais, professora, fizemos de sua festa uma provocação pra eles. Direto para detenção. NEW JERSEY, 2001. Na sala de estar. Por favor Adão, eu preciso de dinheiro pras fraldas do Felipe, pare de beber. Esse Felipe não é meu. É seu, já disse isso um milhão de vezes. Pois é a cara do vizinho aqui do lado. Você está bêbado, mais uma vez, como sempre. Você pensa que é quem pra se dirigir assim comigo. Sou eu que sustento essa casa, eu bebo minha bebida o quanto eu quiser, você e seu filho que se ferrem. No pensamento. Se eu tivesse sabido o que ia me acontecer, eu jamais estaria com este homem. Como vou fazer com Felipe?

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