Paola Narrando Acordei com a cabeça latejando como se alguém estivesse batendo um martelo dentro do meu crânio. Demorei alguns segundos pra entender onde eu estava. O gosto amargo do uísque ainda estava na minha boca, misturado com aquele gosto horrível de calmante. Olhei em volta. A sala estava uma bagunça. O copo vazio em cima da mesa de centro, a garrafa pela metade caída no tapete caro que eu comprei em Milão. Meu celular começou a vibrar de novo. Peguei o aparelho ainda meio grogue e arregalei os olhos. Centenas de notificações. Mensagens. Ligações perdidas. Meu pai. Minha mãe. Meu irmão. O investigador. Passei o dedo na tela tentando focar. Meus olhos estavam pesados. Olhei a hora. Meio-dia. — Mërda. — murmurei. Lembrei da noite anterior. O copo cheio de uísque. Os

