CAPITULO 6 - Parque e beijo

2310 Words
Já estava anoitecendo e eu ainda não tinha decidido onde queria ir. - Não posso fazer nada. Você me convidou e eu que tenho que dizer onde ir? - Falei frustrada comigo mesma por ser tão indecisa. - Você é sempre assim? - Ele encostou o carro e me olhou sério. - Eu te chamei para sair porque queria te conhecer melhor, e não sei do que você gosta e nem o que faz para se divertir. - ele parou de falar e olhou para frente. - Por isso que queria que você escolhesse, mas acho que você não está muito na vontade de sair com o capitão aqui. - Ele ligou o carro. Tenho certeza de que ele iria me levar de volta para minha casa. Fiquei sem graça por ter dito isso. Deve estar pensando que eu sou uma chata sem coração que não sabe se divertir. Se bem que metade disso é verdade. - Diga você onde quer me levar. - Falei e sua atenção foi rapidamente em mim. - E você se enganou. Eu quero sair com você. - Falei, mesmo não sendo totalmente verdade, mas queria ser legal. - Vamos ao parque então. - Ele voltou a olhar o transito e deu partida no carro. - Parque? Voce tem certeza disso? - Perguntei aflita. Eu prometi a mim mesma que nunca mais iria em nenhum parque. As ultimas vezes que fui, sempre me acontecia alguma coisa que me deixava constrangida. - Sim. Foi você que me mandou escolher. - ele disse fazendo a curva. - Ta, mas não achei que fosse dizer parque! - Todo mundo adora um parque. - Eu não sou todo mundo. - Rebati. Odeio quando falam de mim em geral, como se eu tivesse que gostar do que todos gostam. - Você sempre leva tudo que falo ao pé da letra? - ele sorriu fraco. - E não adianta falar mais nada. - parou o carro. - Nós já chegamos. Olhei em volta para conferir e saí do carro. Faz mesmo muito tempo que não venho ao parque, está tudo tão diferente. Tem mais barracas de jogos e de comidas, pessoas por todos os lados com seus ursinhos de pelúcia na mão. Eu acho ridículo esses jogos onde os garotos ganham ursos para as garotas, depois de tanto sapo de pelúcia que ganhei dos garotos na minha adolescência, aprendi a detectar uma barraca de ursos bem de longe e não passar por ela. Mas também sai ganhando, pois vendi alguns. Não me julguem. - Você é diabética? - Ele me preguntou enquanto passávamos pelo carrossel. - Não, porque? - Porque ia te perguntar se você gosta de algodão doce. - Ele tirou o braço de trás das costas, e segurava algodão doce. Nem percebi que ele tinha comprado, estava tão distraida pensando em que poderia me acontecer de r**m hoje no parque. - Eu gosto, mas não como. - Falei. - Já sei. - ele revirou os olhos. - Você é dessas que passam fome para ter o corpo ideal, é isso? - Ele disse fazendo cara de tédio. - Claro que não! Eu não como porque eu não quero, só isso. Continuamos a caminhar passando pelos brinquedos e barracas. - Você gosta de jogos? - abriu um sorriso malicioso. Ele tinha parado na barraca de ursos, onde você tinha que acertar a bola em algum pato se mechendo na parede. - Mais ou menos. Mas você não vai acertar esse pato, é impossível. - Falei sorrindo. - Você não me conhece bem Gracinha. - Ele gargalhou. - Sou amigo dos patos. - Ele disse piscando para mim e com aquele sorriso bobo. Voltei a atenção para os patos. Ele pagou ao homem da barraca, e pegou três bolas brancas pequenas, mas nem precisou de três, pois ele acertou o pato com apenas uma jogada. Ninja - Como foi que você... - Estava sem acreditar que ele tinha feito isso. - Eu falei que sou amigos dos patos. - Disse e mostrou os dentes. Olhei em volta a fila para a montanha russa. Como alguém paga para andar nisso? Eu não me dou bem com alturas, deve ser por isso que sou baixinha. - Grace? - Alguém me chamou. Eu conheço essa voz. Era a Fiorella. Será que tem um buraco por aqui? - Oi. - Disse seca. Ela me abraçou e falou para seu acompanhante que eu era sua amiga. - Aqui, presente para você. - Rodrigo falou e me entregou um panda de pelúcia. - Obrigado. - Sorri para ele com vergonha. Pela primeira vez, eu gostei do meu presente, pois não era um sapo. - Rodrigo! - Fiorella disse surpresa ao ver-lo. - Vejo que vocês estão bem proximos... - Sim estamos, vamos Rodrigo, eu preciso ir em um lugar. - Puxei seu braço e ele não hesitou em vir. Sei que não adianta tentar fugir dela, mas não custa tentar. - Onde você precisa ir? - ele me perguntou. Olhei para trás e não vi sinal da garota irritante. - Lugar nenhum, só precisava sair de perto dela. - Disse e continuamos a caminhar. - Vocês não se dão muito bem. - Ele sorriu. - Mas ela não é tão r**m assim quando se conhece direito. - ele falou sorrindo. Só vive sorrindo, mas vou resistir. - Vocês já namoraram? - Não escondi minha curiosidade. - Não, não. Apenas amigos. - Ele olhou para o chão. - Não encontrei a pessoa certa, ainda. - Ele continuava a fitar o chão, e eu continuava a admirar seu jeito e os traços marcantes de seu rosto, que deixariam qualquer mulher louca por ele. Deve ser por isso que tem essa fama de mulherengo, mas pelo que conheci dele até agora, isso está fora de questão. - Ai! - Bati minha cara no poste. Estava muito concentrada nele e não prestei atenção ao caminho. - Você está bem? - Ele estava muito sério e parecia preocupado comigo. - Estou sim, não foi nada! - falei massageando minha testa com a mão.  - Não fala Grace! - Ele disse e me sentou no banco mais proximo.  - Não fala, pode piorar a dor! - Eu machuquei a testa, e não as cordas vocais. - Mesmo assim, fica sentada ai que vou pegar gelo. Vai ficar roxo! - ele disse e saiu correndo pra algum lugar. Que exagero! Nem doeu muito pra falar a verdade, mas ele se preocupou demais comigo e isso chega a ser fofo. Percebi que meu panda não estava mais comigo, deve ter caido de minha mão depois depois do meu encontro com o poste. Levantei e fui até o poste assassino procurar, mas não estava lá. Olhei ao redor e nada. Alguém deve ter achado ele no chão e levou consigo. Bufei frustrada por não ter achado meu urso que ganhei de Rodrigo e voltei pro banco. Quando eu gosto de ganhar um urso, ele some. - Voltei. - Rodrigo sentou ao meu lado segurando uma bolsa de gelo. Onde ele arrumou isso? Segurou meu rosto com sua mão, virando para ele, e com a outra mão, pegou a bolsa de gelo e segurou contra minha testa. - Não precisa de tudo isso. - Falei e minha voz saiu estranha. Ele estava segurando meu rosto apertando as bochechas, meus lábios ficaram em forma de peixinho. - Vai ficar roxo se não fizer isso, e você não quer uma mancha roxa em seu rosto lindo. Quer? Apesar de não ficar f**a. - Ele deu de ombros e continuou me encarando. O momento estava ficando estranho, principalmente depois que ele fixou o olhar em meus lábios de peixe. - Certo. - Tirei sua mão de meu rosto. - Muito obrigada, estou bem melhor. -Falei encarando os pés. - Vamos. - Vamos. - Ele disse se levantando. Continuamos a caminhar observando as coisas ao nosso redor, sem nos falar. Não sei ele, mas eu estava sem coragem de olhar em seus olhos mais uma vez. Houve um momento que caminhávamos lado a lado, e nossas mãos se tocaram, encaixando-se. Fiquei envergonhada na hora e ele só fez sorrir. Acho que ele gosta de me ver contrangida, por isso fico mais sem graça ainda. Observei uma garotinha caminhando em nossa direção, lambendo seu sorvete de chocolate que parecia bem saboroso. Pelo menos até antes da garota ter esbarrado em Rodrigo e sujado toda sua camisa. - Desculpa! - Ela falou com aquela voz fofa e continuou a caminhar, como se nada tivesse acontecido. Olhei para a cara dele de espanto e pelo seu jeito com as mãos na cintura olhando a garota ir embora. Gargalhei alto por ve-lo assim. - Do que está rindo? Por acaso pareço um palhaço? - Perguntou cruzando os braços e depois se arrependeu de ter feito isso, ficou ainda mais sujo e eu ri mais. Ele pôs um sorriso malicioso no rosto e começou a se aproximar, só entendi o que ele queria fazer, depois de estar sendo completamente agarrada por ele, ficando toda suja de sorvete. - Me solta! - Gritei, mas ele ainda me abraçava. - Estou compartilhando as doçuras da vida com você. - ele gargalhou. Depois de algum tempo, ele me soltou e correu para o banheiro masculino. Com certeza por medo de mim. Fui para o banheiro feminino e limpei todo o sorteve que estava em meu corpo, mas não consegui tirar da blusa e de minha calça. Saí e esperei ele sair do banheiro também, e só depois de um tempo ele saiu, com a camisa jogada nas costas.  Fiquei em pânico por dentro. Vou ter que andar com ele por ai desse jeito? Como vou prestar atenção a paisagem ao meu redor? Se bem que essa paisagem não é das piores. - O que foi? - Ele perguntou ao me ver. - Nada não. - Tirei meu olhar de sua pele a mostra e me concentrei em não acertar os postes. - Pode ver, eu sei que sou irresistível. -disse passando a mão pela barriga. - O que tem de fofo, tem de ridiculo.  - revirei os olhos. - E já me contentei em ver o capitão América sem blusa nos filmes. - falei sorrindo. - Mas lembre-se que ele ficou daquele jeito depois do experimento. Eu sou natural. - Natural da academia. - Sorri. - Vamos parar de falar nisso e não fale m*l dele outra vez. - Parei de andar ao chegar no carro. - Então mande o Capitão América te levar pra casa. - ele entrou no carro e fechou a porta. Quando fui abrir a porta para entrar, ele deu partida no carro e parou a dois metros de mim. - Isso é sério? - Me preguntei andando até o carro, e quando cheguei até ele, andou mais dois metros, me deixando furiosa. Começei a caminhar na direção oposta com rapidez. Ele não vai fazer isso outra vez, pois vou a pé para casa. - Grace! - Ele gritou e o carro deu meia volta, me seguindo.  - Onde você vai? - Não respondi.  - Entra no carro, eu parei. - Não respondi mais uma vez.  - Certo. - Ele falou e parou o carro, ficando para trás. Ele desistiu assim tão facil? Continuei a andar sem olhar para trás, mas senti uma mão forte me puxando. - Não vai voltar? - Parei de frente para ele, sentindo sua respiração. - Brincadeira sem graça. - Disse o encarando. - Me desculpe por isso, mas não achei que fosse ficar tão furiosa assim. - ele falou soltando meu braço e descendo sua mão pelo meu corpo, parando em minha cintura. - Por hoje, conclui que você não é que parece ser. Você é divertida, alegre e até fofa quando quer. Era isso que eu queria descobrir em você nessa vinda ao parque. - Ele falou tudo isso com um sorriso que não se desmanchava de seu rosto. Sua mão direita estava acariciando minha bochecha e meu cabelo. - O que você está fazendo? - Perguntei pelo quanto ele estava se aproximando de mim. - Estou tentando te beijar. - Sorriu e se inclinou para frente, me beijando. Eu continuei com os olhos abertos tentando ver se aquilo era real, e quando caiu a ficha, me deixei levar pelo seu beijo, o que não havia sido mais que um selinho, pois ele não se atreveu a ir mais adiante que isso. Se afastou lentamente, descolando nossos lábios e observando minha reação atento, devia estar esperando uma broca, mas tudo que consegui dizer foi: - Porque fez isso? - Falei quase inaudível. - Porque eu guardei isso desde quando te conheci. - Porque não deixou quardado? - perguntei sem olhar em seus olhos, mantendo olhar fixo em seu peito. - Porque eu deixaria? - ele levantou meu rosto com os dedos. - Isso foi só para te provar o quanto eu gosto de você Grace. - Não pode ter gostado de mim assim tão rápido... - Posso sim. - ele disse balançando a cabeça para cima e para baixo. - Quero ir para casa. - Falei séria. Ele não brigou e nem respondeu, só me soltou e eu rapidamente entrei no carro. Demorou um pouco para ele entrar também. Observei ele pelo retrovisor do carro, e o vi parado no mesmo lugar, olhando pro chão com as a mãos na cintura. Eu não posso deixar acontecer de novo. Eu já passei por isso e não são boas as lembranças que me machucam até hoje. E tudo começou assim, me apaixonando em pouco tempo por alguém. **** Oi pessoal! Queria agradecer as pessoas que estão votando e comentando. (Vocês são umas fofas) e o cap foi grande, espero ter saciado a fome de vcs por ele. Hehe Grande beijo e comentem o que acharam! Isa mandou um oi. 
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