Foi só um sonho

914 Words
O corpo inteiro de Malek estremece e seus olhos se abrem de repente. O ar é sugado para seus pulmões em uma inspiração aguda e sibilante. — Alta demais no silêncio do pequeno quarto. Seu coração bate como uma rola, pronto para alçar voo. _Dormir foi só um sonho. _O pensamento surge lentamente, rompendo o pânico, mas não traz alívio. O medo ainda aperta sua garganta, fazendo seus músculos tremerem incontrolavelmente. Malek se vira convulsivamente de lado, de frente para a parede. O lençol sob sua bochecha está fresco e cheira a ar-condicionado com aroma de baunilha e algodão. Ela pressiona a testa contra ele, tentando se agarrar a essa âncora. Ele está segura. Está tudo bem. O silêncio do quarto é quebrado apenas por sua respiração irregular e pelo zumbido constante da geladeira atrás da fina divisória da cozinha. Agora Malek finalmente está convencida de que está em seu estúdio, no dormitório do Queensborough College. Um complexo prático e um pouco decadente nos arredores de Londres, sede do Departamento de Psicologia e Ciências Sociais. Ela está em seu quarto. No quarto andar de um prédio antigo, com vista para a parede de tijolos do prédio vizinho e para o telhado de uma oficina mecânica. _ É seguro aqui . Sua mão instintivamente busca o telefone: 4h17 da manhã. Três horas antes do alarme. Malek afasta os cabelos levemente úmidos da testa e senta-se na beirada da cama. _ Será que ela vai se deitar de novo? Ah, não, obrigada. O sono ainda está muito perto, suas imagens ainda se agarram à sua consciência. São muito reais, e Malek tem medo de que, se fechar os olhos, se encontre lá novamente. Em um jardim nunca visto, com uma Fera nunca vista. O abajur ilumina o quarto com uma luz quente. _Malek permanece imóvel, ouvindo os sons: o zumbido da geladeira, o rangido do assoalho no corredor. _ provavelmente seu vizinho do quinto andar, sempre voltando de uma boate de madrugada. _ E o zumbido distante de uma cidade que nunca dorme. _Seu coração desacelera gradualmente, mas não se acalma, pronto a qualquer momento para explodir em um ritmo frenético de medo. Ela olha ao redor do quarto. _Sobre a mesa, um caos de cadernos, canetas e embalagens de biscoito vazias. Na parede, um horário de aulas, com os prazos circulados em caneta vermelha. Tudo isso é a sua realidade, suas âncoras. Mas nem mesmo isso consegue apagar completamente a sensação de pavor persistente deixada pelo sonho. _Ela espera o amanhecer. Não aquela luz carmesim apocalíptica do sonho, mas uma manhã comum e cinzenta de Londres. _Espera o momento em que terá que, mais uma vez, vestir a máscara da modesta estudante Malek Sinner e sair para um novo dia. *** A chuva bate na vidraça como um metrônomo irritado. _Não é chuva de verdade, mas aquela garoa persistente que se infiltra por baixo da gola, se deposita no cabelo em gotículas finas e mantém o fluxo de água baixo. Malek agora completamente desperta, larga o laptop frustrada, a página inacabada da sua redação congelada na tela. O cursor pisca no final do parágrafo, como se zombasse da sua incapacidade de organizar os pensamentos. Maldita redação Malek pega o maço de cigarros, tira um e acende o isqueiro. A fumaça arde na garganta, mas ela inala profundamente, na esperança de que ajude a aliviar a tensão acumulada sob as costelas. Dá outra tragada. Não que fumar ajude a estruturar seus pensamentos, mas certamente a relaxa. _Malek boceja e olha para o celular: 7h23. Menos de uma hora para o seminário. Ela precisa se arrumar, mas uma vaga sensação de inquietação persiste, e seu subconsciente sussurra maldosamente: _Não vá, durma um pouco. No entanto, a agenda na parede a lembra de uma segunda-feira agitada: um seminário, três aulas e depois uma reunião com seu grupo de projeto na biblioteca. A máscara de estudante dedicada deveria estar no lugar, mas agora ela se sente mais como uma sombra do que uma pessoa. A porta se abre com um estrondo. _Ruth está lá parada desgrenhada com um suéter enorme cor mostarda e segurando dois copos de café de papel. _Você está horrível!Declara Ruth, fechando a porta com um chute. _ Ele se joga em uma cadeira, quase derrubando uma lata de energético da mesa, e empurra um dos copos para Malek. _Por favor, um latte sem açúcar, do jeito que você gosta. _Você é minha salvadora o café é exatamente o que eu estava sonhando esta manhã, Malek aceita o copo. Ruth sentindo o calor pega papelão e começa para abanar e sorri para a amiga. _Por que você está tão pálida?Ruth semicerra os olhos. _O ensaio não está dando certo? _Ou você passou metade da noite no t****k de novo, assistindo a vídeos de gatos sibilando para aspiradores de pó? _O ​​ensaio! murmura Malek, tomando um gole de café. _E... eu não consegui dormir!Ruth olha para o relógio de pulso e estala a língua. _É melhor você se apressar o seminário começa em quarenta minutos e você ainda não está pronta. _ E, aliás, ouvi dizer que vai ter uma inspeção nos quartos do prédio hoje. _ O comandante está furioso com a festa de ontem à noite no segundo andar. Então esconda seus cigarros ou você vai levar uma multa. _Malek suspira, olhando para o maço de Lucky Strikes. Então ele se levanta, guarda os cigarros na gaveta da escrivaninha e pega o casaco.
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