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Doutrina da Submissão

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Malek é uma jovem criada em um culto religioso brutal se vê envolvida em um jogo perigoso com seu professor de psiquiatria, cujos métodos de tratamento despertam demônios há muito esquecidos e desejos proibidos.

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Prólogo
Um vento frio corta as faces de Malek enquanto ela caminha pela trilha tomada pela vegetação. O jardim na colina é seu refúgio secreto. É especialmente encantador ao entardecer, quando uma brisa prateada balança as folhas do olmo e o sol poente emoldura o jardim com seu fogo frio. Nuvens, como se estivessem encharcadas de suco de cereja, pairam tão baixas que parecem estar ao alcance. Principalmente se você subir a colina. O jardim, do século passado, há muito tempo se tornou selvagem. O tempo confundiu a geometria das alamedas, transformando-as em um emaranhado de caminhos e matagais que se debruçam sobre a ruidosa faixa da estrada. Assim como Londres foi dividida em metades norte e sul, o mesmo acontece com o jardim. Na encosta sul, pavilhões de mármore em estilo grego, bancos e estátuas de deusas com mãos quebradas permanecem. Malek evita o sul; essa Hélade artificial evoca tédio. Ela se sente atraída pelo norte, pelo reino dos carvalhos e faias ancestrais, onde a grama é macia como um colchão de penas e flores exóticas crescem, como lírios-tigre. O silêncio aqui não é ameaçador, mas sim pacífico. Os passos se perdem num tapete de folhas do ano passado e grama gelada. Não se ouve o canto dos pássaros, nem o farfalhar das árvores — apenas o zumbido abafado da cidade lá embaixo, tornando o silêncio do jardim nebuloso. Audrey se enrola num cachecol enquanto sobe. Ela olha para os pés, para o padrão das raízes, para o chão congelado. Então, de repente, um chamado inexplicável a faz levantar a cabeça. À direita, numa suave encosta, banhada pelos últimos raios de sol, o bairro dos imigrantes se agarra; o sol poente toca seus telhados inclinados. E à esquerda, acima das ameias da torre da cidade, a lua paira. O sol ainda nem tocou o horizonte, mas a lua já reina. Ambos os astros brilham no mesmo plano do céu com uma força inimaginável, mutuamente destrutiva. O firmamento parece dividido: a ferida carmesim do pôr do sol e o silêncio prateado da noite que se aproxima. Dois reinos. Dois deuses. Um morre, o outro nasce, e o encontro deles ocorre bem acima da cabeça dela. Um horror puro e paralisante se abate sobre Malek. Sua mão alcança por baixo do lenço e agarra convulsivamente o pingente de sol com tanta força que os dentes cravam em sua palma. Mas a dor não ajuda a abafar a voz de seu pai, cortando sua memória: E eis um grande sinal nos céus! Dois luminares coroam a hora que virá: o Sol — O rosto do Antepassado, cedendo seu trono, e a Lua. — O coração da Mãe, congelado em tristeza. E entre eles.— o Portal para a b***a, cuja hora chegará em sua cópula. Ela virá com uma aparência familiar, com fala doce e um olhar penetrante. Ele levará os fracos e os que duvidam, pois eles não escaparão do Juízo Final. Ela se desvia do caminho. Atira-se para dentro do arbusto de sabugueiro, buscando refúgio do céu insuportável. Os galhos chicoteiam seu rosto, prendem-se em suas roupas. Seus movimentos são um impulso convulsivo contínuo, como se impulsionados pelo próprio vento. Ela tropeça e cai no abraço espinhoso do zimbro. Agulhas afiadas cravam-se em suas palmas. A menina se encolhe e tapa os ouvidos, enquanto as palavras do pai continuam a ecoar: _Aceite o sinal! Aceite a b***a! Ela lhe mostrará o caminho! _Não se mexa. Não se perturbe. Espere. Logo tudo terá acabado. Ela congela. Desesperado, esparramada num leito de espinhos. O vento entrelaça espinhos em seus cabelos, adornando-os com uma coroa de espinhos. Seu conhecimento acadêmico sobre cultos, seus trabalhos eruditos, suas tentativas de racionalização. Tudo se desfaz em pó diante do medo martelado em seu subconsciente. Através de uma a******a nos galhos da roseira-brava, banhada pelo carmesim do pôr do sol, ela vê uma figura. Na trilha ao pé da colina, onde o jardim encontra a muralha da cidade. Uma silhueta alta e ereta, vestindo um casaco escuro. Ele permanece imóvel, o rosto voltado diretamente para ela. Muito distante para distinguir suas feições, mas ela sente seu olhar. _Um rosto familiar... com voz doce e olhar penetrante. _ As palavras de seu pai ecoam em seus ouvidos, e o medo dá lugar à dormência. _Será Ele?_ A b***a da profecia? A figura dá um passo à frente, em direção ao início da trilha que sobe. O sol, pondo-se no horizonte, lança um último raio, pintando sua figura de vermelho-sangue. A lua derrama uma luz fria e prateada sobre ele, projetando uma sombra dupla e difusa. _ Malek fecha os olhos com força, afundando-se ainda mais nos galhos espinhosos. Seu coração bate tão forte que ameaça estourar sua caixa torácica. _Ficar? _Correr?_ Gritar? Mas sua garganta está apertada por uma faixa gélido. Ela só pode esperar de costas para o céu despedaçado, até que a noite ponha fim a essa catástrofe de luz, até que passos na trilha.— se forem ouvidos e sequestrem seu destino. Ou até que a b***a se revele.

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