VIDA NOVA

1186 Words
Já tinha passado alguns dias que eu estava na Penha. Eu saia poucas vezes na rua, não conhecia muita gente. Amava ficar na casa dele. Cuidava com carinho, limpava cada parte. Organizava. Ele empre vinha almoçar em casa -e eu amava. As vezes, vinha um amigo dele, que me assustava - me olhava sempre de canto - como se buscasse algum segredo. Eu não falava para ele, mas fiquei com as camisetas para dormir. O cheiro dele me dava uma paz tão grande. Era final de tarde, estava quente no Rio - era umas das noites, que até o ar condicionado não gelava. O Vini disse que ia voltar tarde, então não resisti. Tirei a roupa ali mesmo e entrei de calcinha e sutiã - era por volta das 20h, a lua brilhava alto no céu. A água estava gostosa, aconchegante. O jardim em volta da piscina, era perfeito. Eu tinha plantado algumas flores e estava perfeito. Estava boiando na piscina, olhando o céu quanto me assustei com a voz dele. — Se eu soubesse que veria essa cena.. voltava tarde todo dia. - Ele falava de agachando na borda. — Engraçadinho... - Falei, o sutiã e a calcinha eram parecidos com biquíni, então não mostrava tanto. — Se importa? - Ele disse apontando para a água. — A casa é sua. Nessa hora, ele levantou e tirou a camiseta. Que corpo perfeito, as tatuagens.. Tirou a bermuda, o tênis, as meias e pulou na água. — Meu Deus.. Vini.. - Falei quando ele jogou água em mim, assim que pulou. — Princesa, tu sabe que só pode me chamar assim, dentro de casa né? Só nos dois. E não pode falar meu nome.. - Ele falava e aos poucos entendia as regras do jogo. —Promessa de dedinho. - Eu falei, esticando o mindinho. — Não vou fazer isso. - Respondeu sério. — O grande Coringa, dono da Penha.. Com medo da promessa de dedinho? - Debochei dele. — Nunca. - Ele falou sério, me puxando pra perto e fizemos a promessa de dedinho. Ficamos perto um do outro, ali na água. Ele não recuou e nem eu. A tensão era nítida, os olhos dele estavam na minha boca - a respiração incorreta. Por um momento, pensei que íamos nos beijar, mas lembrei que ele tinha várias no morro e jamais me queria. — Melhor tomar banho.. Vou esquentar a janta. - Falei me afastando dele, saindo da água. — Demoro. - Ele respondeu, senti uma tensão na sua voz. Peguei minha roupa e vesti, entrando correndo em casa para não molhar muito. No banheiro, deixei a água cair e o pensamento nele, me consumia. O corpo, as tatuagens, a respiração, o cheiro dele. Meu corpo todo parecia deseja-lo, eu nunca tinha sentido isso - era novo. Assim que finalizei o banho, coloquei uma calcinha que lembrava um shortinho e vestia a camisa dele. Era grande, iria me cobrir sem problemas. Desci na cozinha e liguei as panelas. Fogo baixo para não queimar. Organizei a mesa, talheres, pratos, copos. Então, precisava de uma bacia para fazer a sala e não alcançava. Apoiei uma mão no balcão e subi nas pontas do pés. Nada. Foi quando senti ele nas minhas costas, cheiroso, o peito quente. — Eu pego... - Ele falou pegando a bacia e sussurrando no meu ouvido. — Obrigada. Respondi com vergonha. — Conheço essa camisa, dragaozinho. - Ele falou se sentando na mesa e dando risada. — Eu gosto de dormir com ela. - Falei dando um sorriso e só percebi depois. - VISÃO DO CORINGA - Eu fui tomar banho logo depois dela. Eu recuou na piscina e não vou mentir que balançou meu coração. No chuveiro, eu tentava me concentrar, tirando a imagem dela na piscina, o corpo dela a poucos centímetros de mim. Finalizei meu banho e desci para a cozinha. Mas jamais imaginei o baque que o bandido aqui ia tomar. Ela com a minha camiseta, se apoiando no balcão para pegar algo que estava no alto. Desci a escada no modo furtivo e quando cheguei perto, vi a calcinha dela na beira da camisa. Não era muito, somente aquela polpinha da bund@ e vi que usava um shortinho. Me aproximei por trás dela, encostei sutilmente nas costas dela e o cheiro me travou. Ela tinha cheiro de baunilha. Um cheiro delicado, simples. Peguei a bacia no alto e percebi que ela arrepiou. Me afastei dela, porque meu p@u subiu na hora. Sentei na mesa para esconder a ereção e falei.. — Minha camisa. - Falei provocando, ela podia levar tudo meu - mas não sabia disso. — Eu amo dormir com ela. - Ela disse na inocência e vi o sorriso que se formou. E na mente do b@ndido, eu tinha um fio de esperança ainda. Depois que jantamos, ajudei ela a organizar as coisas na cozinha, foi quando um vapor entrou em casa. — Chefe, vamos precisar... - Na hora que o vapor entrou e começou a falar, vi que ele olhou pra ela na cozinha. Na mesma hora, puxei pra ela para trás de mim e peguei a arma, colocando na direção dele. — TA MALUCO, PORR@? TA ACHANDO QUE AQUI É A CASA DA MÃE JOANA. - Gritei alto. Foi quando eu senti a mão dela no meu ombro. — Pra fora. Agora. - Ordenei com sangue nos olhos. O vapor saiu correndo, fechando a porta. — Me espera aqui, já venho. E então, eu sai. Chamei os dois vapores que ficavam no quintal e os da ruas. — Parece que vocês perderam a p***a da noção. Minha fiel tá dentro da casa. Antes ninguém entrava e agora, muito menos. Puxei o vapor que tinha entrado e dei um sorriso. — Você entendeu? — S-sim chefe.. f-foi mal.. - O vapor tremia. Então, dei um tiro no pé dele. Usei um silenciador, não queria assustar a Laura. — Na próxima vez, qualquer um que seja. Vai ser na cara. Leva pro posto. Rebaixa, vai voltar pra barreira. Ninguém no quintal. - Ordenei e voltei para dentro. Assim que voltei, falei pra ela. — Bora tomar sorvete? A gente vê um filme no meu quarto. — Tá bom. - Ela respondeu, pegando o pote junto com as colheres. Entramos no meu quarto e se ajeitamos na cama. Ela escolheu um filme de comédia romântica. Mas pra mim, estava perfeito. Em uns 40 minutos, vi ela ficando com a respiração lenta. A cabeça pesou para lado e encostou no meu ombro. Ali eu soube, eu tava fudi.do. Não achei que ela fosse dormir ali. Então, me ajeitei na cama com calma, joguei o edredom só nas pernas dela. Liguei o ar pra gelar a gente. Ela simplesmente virou, deitando no meu peito. O cheiro de baunilha invadiu meu nariz, a perna dela jogada em cima de mim, a mão passou pelo meu abdomem. E eu aceitei. Não queria resistir. Passei a mão nas suas costas, dando uma apertada. Queria passar segurança pra ela. Desliguei a TV e dei um beijo na cabeça dela. — Boa noite princesa.
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