Assim que cheguei na boca e contei meu plano para o Charada - ele surtou.
Mas ele vai me ajudar sim - ele que supere esse medo de mulher.
Conferi a contabilidade e guardei todo o dinheiro no cofre. Aprovei a ronda dos vapores, o novo turno e aprovei dos moleques novo para entrar no movimento.
Estava na sala fumando um beck quando o Charada entrou.
— Ok. Mas se eu não confiar nela, ela vai sair. - Charada se jogou no sofá.
— Vou em casa almoçar e contar pra ela. - Eu estava levantando quando Chara segurou no meu braço.
— Vai com calma irmão. Não quero ver tu daquele jeito. - Charada esteve do meu lado e me ajudou, me salvou.
— Eu só quero ajudar. Confia. - Falei colocando minha juju e saindo da sala.
Subi na minha moto e fui pra casa. Aí passando pelas ruas devagar, cumprimentando os moradores, as crianças. E ignorando as marmitas que faltavam pular na frente da moto.
Eu amava dar essa volta, ver minha quebrada feliz, rodando. Abri o portão de casa e entrei na garagem.
Laura estava na cozinha, um cheiro bom me atingiu na porta. Quando a vi, meu coração gritou.
Ela toda baixinha, com a minha camiseta e uma bermuda que ficou enorme, no pé meu chinelo - que mais parecia uma lancha.
— Eae como vai tá esse dragaozinho? - Brinquei com ela, que me olhou com raiva.
— Peguei uma roupa sua. E tomei a liberdade de fazer o almoço. Tem feijão, arroz, bife, farofa e batata frita. - Ela tinha um jeito suave de falar.
— Nossa, vou vim em casa almoçar todo dia. - Respondi lavando as mãos e se sentando a mesa.
Ela me serviu e ficou finalizando algumas louças na pia.
— Almoça comigo pô.
Ela secou as mãos e deu um sorriso que iluminou a casa inteira.
Pegou um prato e se sentou na minha frente.
— Tu manda bem na cozinha, tá loco. - Falava batendo a mão na barriga e ela sorria.
Quando finalizamos, ela recolheu a mesa e lavou a louça.
— Bora lá comprar umas coisas pra tu.
— Não preciso de muita coisa. - Ela era tão delicada, tão.... não sei.
"Se controla Coringa, tu é ban.dido. Mente treinada"
Assim que saímos pela porta, abri a porta do meu carro e ela entrou. Subi no motorista e abri a garagem.
Eu tinha um Rand Rover toda preta, blindada. Vi a cara que ela fez quando viu o carro, não era ganância ou interesse - era algo como se custasse a acreditar que era real.
Nossa primeira parada foi na farmácia. Descemos juntos e eu entrei atrás dela. Bati a mão no balcão e na hora a atendente saiu, quando me viu, abriu os botões da blusa, os p****s saindo para fora.
— Oi patrão, boa tarde. Posso ajudar? - ela debruçou no balcão, queria exaltar os p****s.
— Guarda os p****s, car.alho. Isso é farmácia, não puteiro. A ajuda é pra ela, pega tudo o que ela quiser. - Falei alto, sério, batendo a mão no balcão.
Na hora Laura começou a pegar as coisas e pega as mais simples, uma ou duas unidades.
— Pega de marca melhor, vai. Não precisa economizar. - Falei perto do ouvido dela, o suficiente para o braço dela encostar no meu peito.
Então ela deu um sorriso de canto. Pegou tudo. Tudo as coisas de mulher.
— Obrigada. É bom ter coisas boas, só minha.
— Não tinha lá onde tu morava? - Falei jogando as sacolas na porta mala.
— Vivíamos de doações. E o pouco dinheiro, tinha que dar para todas as meninas. - Ela respondeu, enquanto entrava no carro.
Seguimos para a loja de roupas e calçados do morro. No carro, trocava aqueles funk românticos.
"Os cara me seguem, os inimigo se escondem.
Mas por ela, até o fuzil some.
Não entendo esse feitiço, essa calma no olhar.
Só sei que se for por ela... tô pronto pra mudar"
Assim que chegamos na sala, as vendedoras já vieram se jogando. Já joguei logo a real.
— Atende ela. Guarda os p****s. Agora! - Sentei num puf e puxei o celular do bolso.
Laura andava pelas araras, passou direto pelos vestidos de marca. Foi nas promoções.
Pegou shorts, regatas, blusas. Roupa íntima. Pijama. Sempre pouca coisa, coisas mais em conta.
Um par de tênis, um chinelo, uma sandália e uma rasteirinha.
— Só isso? - Eu perguntei porque toda mina iria querer as roupas mais cara - era assim com aquela nojent@.
— Tá perfeito. Não preciso de muito. - Ela era delicada, calma.
Assim que saímos na loja, perguntei se queria um sorvete e ela concordou.
Sentamos numa mesa de fundo, geral parou pra olhar a gente. Senti ela travar o corpo e o rosto corar.
Mas como sempre, tinha as marmitas de plantão. Ana se aproximou da mesa, quase nua.
— Hoje chefe, quer companhia?
— Tu é cega? Não tá me vendo com ela aqui? rala vai... - Fui seco. Grosso.
Ana saiu jogando o cabelo, comigo ninguém teimava.
— Parece que você é bem disputado aqui. - Ela falou com deboche, olhando o cardápio.
— Nenhuma vale a pena. Tô esperando a acertar. - Joguei olhando pra ela e mesmo de cabeça baixa, vi o sorriso aparecer.
Escolhemos os sabores e fizemos nosso pedido. Laura devorou o sorvete dela e pediu outro.
— Vai com calma dragaozinho.. Falei rindo no final.
— Quem vê, pensa que eu como muito. - Falei falava isso, raspando o segundo pote.
— Imagina.. - Respondi com sarcasmo e ela ainda pegou uma colher do meu sorvete.
Quando eu peguei, levei um pote pra ela em casa. Anotei mentalmente. "Sorvete de
Flocos".
Voltamos para casa e fui subindo com ela, levando as sacolas até o quarto. Assim que coloquei toda as coisas na cama, ela me abraçou. Se encaixou certinho no meu peito.
— Obrigada. Por tudo. Principalmente pelo sorvete.
Eu não recebia carinho assim, a muito tempo. Então, apoei a bochecha na cabeça dela e passei os braços pela suas costas.
Sentei meu perfume nela - e junto, um pedaço do paraíso.
— Precisa agradecer não. Tamo junto. Arruma tuas coisas aí. - Falei e sai do quarto dela.
Finalmente, soltei a respiração. Eu nem me lembro de quando prendi ela.
Eu precisava manter o controle, era questão de segurança, sanidade.. ou medo.
Eu me fechei para o mundo e não queria machucar de forma alguma. Nunca.
"Se controla Coringa. Tu não é adolescente porr@".