E aí princesas.. Vou me apresentar.
Meu nome é Matheus. Mas por aqui, ninguém me chama assim. Meu vulgo é Charada.
Não porque gosto de enigmas. Mas porque sou um. Até pra mim mesmo, às vezes.
Tenho 28 anos. Moreno, cabelo na egua, barba rala. Tenho 1,92m, tatuado. Ninguem entende minhas tatuagens, mas nao observam. As tatuagens de perto, sao formas. De longe, um desenho completo. Nunca fui muito de sorrir. Desde cedo entendi que no mundo onde eu cresci, sorriso era sinal de fraqueza — e fraqueza, ou a gente enterra ou é enterrado.
Meu pai era subchefe do antigo dono - pai do Coringa. Um homem duro, calejado. Não era santo, mas também não deixava o sangue subir à cabeça como muitos fazem. Sempre dizia:
“Gritar é pra quem não sabe mandar.”
Ele me levava pra boca quando eu ainda m*l sabia escrever. Eu escutava, observava e anotava. Enquanto os outros moleques queriam empinar pipa ou jogar bola, eu ficava de canto, vendo os radinhos, os pacotes, as ordens. Eu e o Coringa, aprendemos as rotas, horários, fornecedores, tudo.
Aos 18, perdi tudo. Uma operação do BOPE veio rasgando a favela numa madrugada sem aviso. Mataram meu pai. Mataram o chefe. E mataram um pedaço meu.
O chefe e eu meu pai, sabiam que nao venceriamos aquela guerra, entao pediram para gente se enconder. Alguém precisava liderar o morro depois e o futuro era a gente.
Vinicius virou o Coringa. Eu, virei o Charada.
A dupla perfeita. O caos e o perigo. Ele pensava, eu agia. Antes dele falar, eu já sabia.
Enquanto ele assumia a linha de frente, eu mergulhava na tecnologia. Aprendi sozinho: Câmeras, criptografia de rádio, rotas via GPS, leitura de drone. Nos tínhamos dinheiro, mas a gente nunca confiou em ninguém. Eu estudava, buscava, aprendia e instalava. Ninguém passava por ninguém, nunca.
Eu sei. Ninguem diz quem realmente é.
Tenho uma tatuagem de interrogação no pescoço — não porque quero atenção, mas pra lembrar que toda resposta esconde outra pergunta. E nesse mundo, confiar é fatal. Eu não confio.
Aos olhos de fora, talvez eu pareça um cara frio, perigoso. E sou. Mas tenho uma regra:
Não amo ninguém. Não quero ninguém.
Meu irmão quase não voltou da dor da traição quando a Beatriz foi descoberta - a fraqueza enterra você. Por isso eu observo.
Minha mãe sumiu quando me ganhou, nunca apareceu. Não sei nem seu nome e não faço questão nenhuma. Fiz minha casa ao lado da casa do Coringa.
Fiel, eu não tenho. Mas marmitas? Todas do morro já passaram por mim.
Tem umas duas mais fixas, que eu pego num barraco da viela 13 - Bruna e Ana.
Pego, pago e saio. Nunca me amarrei em mulher - não que eu não quisesse.
Mas a vida de um sub, procurado é perigosa. Quase não saio do morro, que mulher aguenta isso? Eu escolhi essa vida, não ela.
Quando eu era mais novo, comprei uma casa em Angra, era longe de tudo. Afastada.
Mas nunca nenhuma mulher mereceu. Então, fechei a casa e mantive lá.
Quando fiquei sabendo que o Coringa levou uma desconhecida para dentro da casa dele, eu desconfiei. Isso era estranho - ele nunca fez isso.
Cheguei e vi a menina, algo fora do padrão.
Ela não tem tatuagem.
Ela não tem maldade.
Não existe esse tipo de inocência.
Puxei toda a ficha dela, cada detalhe. Cada pessoa dá família. Nada.
Limpa como a água. Transparente.
Fiquei feliz até, pelo irmão merece alguém de bem pra ele - mas vou ficar de olho. Como eu sempre faço.
Durante a madrugada chamei a Ana para o barraco e ele chegou, roupas curtas, provocantes, vulgar.
— Cola na 13. Agora.
Em minutos, ouvi a portão abrindo e depois a porta.
— Oi amor, estava com saudades.
— Amor é car.alho. Para de me chamar assim.
— Tá bom patrão.
Quando ela chegou perto, tentou me beijar. Eu não beijo a anos. Depois que eu entendi como funciona, eu evito. E não chupo nenhuma delas.
Pode me chamar de viad.inho mas eu não vou por minha boca, onde outro p.au entrou.
Coloquei ela de 4 no encosto do sofá, ba.ti forte na sua b***a, p.au encapado e entrei forte.
— Aiiiii chefe, devagar... - ela gemia com aquela voz fina.
— Cala a boca. Fica quieta. - Eu falava, nunca gostei de gemido. Eu mesmo, não soltava um suspiro.
Assim que eu gozei, joguei a camisinh.a. no vaso e dei descarga.
— Eiii, eu não terminei.. vem cá. - Lá vinha ela de novo.
— Bate siriri.ca. - Falei seco, frio. Joguei u.a nota de 200 e fui pra casa.
Entrei e em casa, silêncio. As vezes, eu queria alguém - de verdade.
Subi até o quarto, a cama arrumada. Grande, perfeita para um casal. Tomei banho no chuveiro mesmo, acho que usei poucas vezes a banheira.
No fundo a vontade de alguém, de uma família gritava no fundo -por mais que eu negasse. A água tirava todo o cheiro daquela put@, o perfume forte.. Me dava ânsia.
Finalizei, coloquei uma bermuda e fui para a sacada, na minha rede. Acendi o beck e observei o céu. Era meu refugio.
A lua, as estrelas, a calmaria.
Quando relaxei, entrei e fui dormir. O morro não descansava, mas eu precisava para manter a ordem.
Depois que acordei, fui na casa do Coringa irritar ele e pegar aquele café 0800.
Sai correndo e desci para boca.
Organizei as finanças, a mercadoria das bocas, troquei uma ideia com o nosso gerente, Naipe.
Isso mesmo, Naipe. Ele era as cartas na nossas mãos. Era um único em que a gente confiava. Com ele, nosso jogo rodava fime.
Ele tinha 26 anos - cresceu com a gente.
— Charada, ta tudo aqui. Recolhi tudo. Valor bateu. Tudo rodando. Tinha dois vapores se pegando, porém já resolvi.
— Jaé. Fica esperto.
— Sempre.
Naipe saiu da sala e Coringa entrou e pela cara dele. Precisava de algo.
— O que você fez? - Perguntei, conhecia ele.
— Preciso de uma ajuda sua. - Ele falou, sentando na cara dele.
— De novo? - Fui sarcástico.
— A Laura tem uma amiga que vai sair do orfanato, daqui dois meses, eu acho. Ela vai ficar na sua casa. - Coringa deu aquele riso frio, que ele tinha. Antes de toda desgraç@, ele sorria.
— Não. Não vou por uma criança dentro da minha casa. Isso é loucura. - Falei do sofá e fui pegar uma bebida quente.
— Você vai. A Laura vai cuidar da minha casa e morar lá. A amiga dela vai ficar na sua casa. Eu pago. - Coringa era debochado e aquela risada me tirava do sério.
— Na moral, as vezes, queria você atirasse na minha testa. - Falei, bebendo um gole do whisky que desceu ardendo.
— HAHAHAHA - Coringa tinha a risada ecoando na sala, quem fosse de fora, iria se assustar.