Eu já não sei mais quantos dias se passaram desde que entrei nesse hospital pela primeira vez. Talvez três, quatro… ou uma eternidade. O tempo aqui não anda, só se arrasta. Cada minuto parece um castigo. Cada segundo longe dela, um corte novo no peito. Desde que disseram que a Letícia tá estável, mas dormindo… é como se o mundo tivesse parado. Eu não consigo aceitar a ideia de que ela tá ali, respirando, o coração batendo, mas não me escuta, não me responde, não abre os olhos. É uma tortura. Hoje cedo, a enfermeira pediu pra eu sair do quarto. Disse que precisava fazer uns exames, trocar curativos, sei lá mais o quê. Eu não questionei, mas meu corpo inteiro pesou. Meus pés grudaram no chão. Sair de perto dela, mesmo que por minutos, me dá a sensação de que vou perder o pouco que ainda

