Eu não sei mais que dia da semana é. Se é segunda, sexta ou domingo. Aqui dentro do hospital tudo é igual. As paredes brancas, o cheiro forte de remédio misturado com álcool, os passos apressados das enfermeiras. O barulho dos aparelhos apitando a cada segundo. Parece que o tempo foi engolido por esse lugar. E eu fiquei preso nele. Acordar, comer, planejar, essas coisas que eu sempre fiz… nada mais importa. Só existe um único movimento que me mantém respirando: o peito da Letícia subindo e descendo naquela cama. Eu passei a madrugada inteira sentado naquela mesma cadeira, com a mão dela na minha. Não preguei o olho um segundo sequer. O barulho do monitor é como um relógio me lembrando que ela ainda tá aqui, mas a cada bip eu também lembro que é só isso que tenho dela agora. O corpo para

