Acordei com um peso leve no peito. Não aquele peso de preocupação que me acompanha todo dia no corre, mas um diferente. Suave. Quando abri os olhos, vi os cabelos dela espalhados sobre mim, respirando devagar, tranquila como se o mundo lá fora não existisse. Bianca. A sala tava escura ainda, só a claridade fraca da manhã entrando pelas frestas da cortina. O filme que a gente tinha colocado pra assistir já tinha acabado fazia tempo. Eu nem lembrava em que parte dormimos. Só sabia que ela tava ali, deitada sobre mim, e que eu não queria me mexer pra não acordar. Minha vida inteira foi barulho: rádio comunicador, som de moto subindo o morro, grito de “olha o polícia”, estampido de tiro no meio da madrugada. E ali... silêncio. Só a respiração dela. Só o calor dela. Passei os olhos pelo ros

