O sol já batia forte no alto do morro, aquecendo o chão de cimento da boca. O movimento era constante: aviõezinhos correndo de um lado pro outro, rádio chiando, os olheiros atentos nos becos. Mas no canto reservado, atrás da mesa onde o dinheiro era contado e organizado, três figuras se reuniam em silêncio. Coringa estava sentado, beck na mão, observando o movimento com aquele olhar atento que parecia nunca descansar. Ao lado, Naipe ajeitava a corrente de prata no pescoço, olhando de vez em quando pros meninos que passavam, mas claramente distante, perdido em pensamentos. Charada, como sempre, parecia indiferente ao caos em volta, mexendo em alguns papéis e no celular, a mente sempre trabalhando além do que qualquer um conseguia acompanhar. — A Letícia dá muito trabalho. Hoje cedo quase

