A madrugada caía silenciosa sobre o morro. O vento frio batia nas esquinas e carregava consigo o cheiro de terra molhada, fruto da garoa que havia caído mais cedo. Charada saiu de casa com a postura calma de sempre, mas por dentro estava acelerado. Carregava consigo a decisão que poderia mudar o rumo das coisas — e, principalmente, aliviar o peso que via nos olhos de Letícia. Ele subiu até a boca, onde Coringa e Naipe estavam sentados, fumando e observando o movimento reduzido da noite. — Vai dar uma saída, Charada? — Coringa perguntou, franzindo a testa. Sabia que ele não fazia nada sem motivo. Charada assentiu. — Vou levar a Letícia pra Angra. Ela precisa respirar, sair da pressão daqui. Fico três dias fora. Volto na terça. Naipe arregalou os olhos. — Angra? Tu vai sumir assim, irm

