A noite caía sobre o morro, mas o silêncio da rua era enganoso. Por dentro, Letícia sentia um aperto no peito que não conseguia explicar. Tinha reparado nos olhares trocados entre Coringa, Naipe e, principalmente, Charada. Algo estava acontecendo, e ela sabia que de algum jeito aquilo tinha a ver com ela. Quando Charada apareceu em casa, parecia mais cansado do que de costume. O capuz escondia parte do rosto, mas o brilho nos olhos denunciava que vinha remoendo algo sério. — Preciso falar contigo, Letícia. — a voz dele saiu firme, mas baixa, como se não quisesse que o mundo ouvisse. Ela assentiu, indo com ele para a sala. Os dois sentaram-se no sofá e Charada ficou em silêncio por alguns segundos, encarando as próprias mãos. Letícia, nervosa, quebrou o silêncio: — Você tá estranho, Cha

