Luiza olhou completamente decepcionada e disse:
- Achei que fosse diferente, mas você é pior. É egoísta o suficiente para julgar coisas assim como desnecessário, se não luta pela mulher que sua mãe é, vai saber como você é. Tá certo – disse enquanto se levantava.
Bom, o grupo foi embora, inclusive eu. Ficou uma atmosfera pesada, mas não liguei de termos nos separado, mas a reputação de que eu era machista, egocêntrico se espalhou por aí, e acho que não tenha sido ela propositalmente, mas sim, uma de suas amigas fez esse trabalho de fazer minha reputação. p***a, de um jeito ou de outro ela foi responsável! Ela tirou suas conclusões e contou para alguém, por isso odeio essas pessoas exacerbadamente devotas em lutar por algo: se foge de sua perspectiva, de seu discernimento, torna-se alvo. Eu não liguei pelo fato de ser reconhecido como tal, já que somente eu sabia o que eu era, mas Luiz ficou enfurecido pelo que foi espalhado e até pelas brincadeiras (enfim, a hipocrisia – brincadeira). Por mais que eu diga ‘não importa’, ela mediu bem as palavras de “lutar pela mulher que a mamãe é”, lutar por alguém que você admira é prazeroso porque através disso, você pode salvar outras pessoas como ela, você dará um mundo para alguém que não tinha chão antes. Vocês lutam por vocês ou por alguém que os representa? O quem vem em seus pensamentos ao pensar em lutar? Sendo honesto, não me importaria de morrer como um egoísta ou a pior pessoa do mundo, pois sei que estaria satisfeito em atender meus caprichos e anseios. Morreria sendo e*****o dos meus desejos, pensamentos e fé. Isso parece bom. Talvez nasça alguém para conquistar o que os incapacitados não podem ter, aqueles que estão impossibilitados ou restritos a algo só para não alcançar seus objetivos reais, e isso será bom, mas com certeza: não sou essa pessoa. e estou pouco me fodendo
Mas foco: isso não é relevante! Quando chegou a aula de matemática, o professor falava, falava e falava e eu ficava distraído com meus pensamentos fora da aula. Até que o professor notou e disse:
- Artur, o que é eixo X e Y? – Disse enquanto cruzava os braços e impaciente.
- Ah, sim... é... eu acho que Y é da diagonal e X da horizontal. – disse enquanto olhava para o quadro em branco, pelo fato dele ter apagado as anotações.
- Você acha? – disse frustrado –, não estava assistindo? Como é que você acha?
- É que não entendi a explicação. Pode repetir? – Disse para descontrair.
- Qual parte?
- Tudo, professor. – disse um pouco envergonhado.
- Não prestou atenção mesmo, né? Incrível, é sempre você atrasando o povo. Pessoa fala pacientemente e você fica aí brincando. Se não vai estudar, não atrapalha quem quer e nem que faz seu trabalho. – Disse enquanto desenhava o plano cartesiano, totalmente impaciente.
Bom, ele é um excelente professor, mas era necessário falar dessa forma? Refleti como se ele estivesse dizendo “faça alguma coisa”, e isso não faz diferença a meu ver. Talvez eu tenha tomado essa atitude por escutar murmúrios do gênero “não entendi nada”, então fiz algo útil. Quem não compreendeu sua explicação, eram meros empecilhos por simplesmente não entender o método matemático de René Descartes e seu plano cartesiano, segundo ele, não era? Ou suas palavras estavam revestidas de rigidez com o real proposito de estímulo para estudar? Ou ele simplesmente se frustrou. De qualquer forma, encurtei o tempo para sair da escola e jogar.
Ele chamou a mamãe depois alegando que não prestei atenção na sua explicação e atrasei meus coleguinhas. Mamãe retrucou “engraçado que é só você que me chama. Olha, estou farta disso! Fala com ele, pois ele também sabe falar. Não venho mais aqui falar com você a mesma coisa não.” e ele silenciou-se e ela saiu com raiva.
NOTA *: isso foi outro dia após eu ter levado a bronca, certo? E fiquei desconfiando que na verdade, ele estava a fim dela, pois era muito estranho. Tinha o pessoal do fundo que fazia coisa pior, então por que era sempre eu? Hmmmmmm...
Em meio ao caos, ainda desfrutei dos meus sonhos: sonhei com acidentes no caminho da escola, mas no sonho eu evitava, NO SONHO. Sonhei que denunciava meu vizinho alegando que ele tentara assassinar seu amigo por causa de traição, mas no sonho. Eles discutiam muito e poucas vezes se entendiam e eu questionava por que eram amigos. Até que um deles começou a namorar. No sonho, eles discutiram fervorosamente e começavam a brigar, e eu imediatamente chamava polícia. Na realidade, por mais que eu pensasse “ele vai remoer essa culpa por repensar que isso não é o que ele queria”, não vi por que interferir. Ele cometeu suicídio e escreveu uma carta admitindo seus crimes contra sua namorada e amigo, e então, pensei: seres humanos vivendo; suas emoções, complicações e interpretações desta realidade colide diretamente com a liberdade cada vez mais, colide contra todas as possiblidades. De onde esses problemas vieram? Meu sonho não salvaria a humanidade e não evitarei todos os problemas que estão enraizado na humanidade, não sou herói, nem vilão: mas sim, sou humano por ficar puto enraivecido de sonhar com isso e não com os números da loteria.
Após uma semana de ter sonhado com isso, tive um sonho repetitivos que eu estava descendo uma escada infinita em um caminho escuro que estava distante do cenário do sonho: era uma vila com suas respectivas casas e no final dela, encontrava-se essa escada que descia infinitamente para essa escuridão. Não escutava direito, mas uma voz me chamava calmamente, algo como “ei, ei, pode me escutar? Ei”, e depois, não escutava direito. Esse sonho vinha antes de começar os meus sonhos paranormais, mas outro fato curioso: nos meus sonhos, eu ficava cada vez mais confuso! Eles ficavam menos intensos e nítidos, ou o sonho desta vila obsoleta e tenebrosa com escada rumo ao vácuo se sobrepunha aos sonhos que eu queria. Então, me concentrei cada vez mais e tentava quebrar de todas as formas meu mundo inconsciente do sonho e, de grosso modo, tentava reconectar meu inconsciente, subconsciência e consciência com esta realidade, e eu estava tendo sucesso em reintegrá-los, mas assim que consegui, meu primeiro sonho foi com a Marcela cometendo suicídio na escola. Na minha escola! E eu acordei suado, ansioso e completamente preocupado. Quando me levantei, era quase a hora de trabalhar, então me concentrei, me acalmei e disse “vamos pensar com calma”, e me preparei para ir ao trabalho. Antes de sair, mamãe disse:
- Filho, hoje ficarei mais tarde trabalhando: hora extra, sabe. Se você puder cuidar do seu irmão a chegar antes das 16hs hoje, ficaria grata.
- Ok, vou contratar alguém pra fica cuidando dele. – retruquei enquanto olhava o relógio.
- Nossa, filho, não gosta de cuidar de seu irmão? – disse mamãe enquanto sorria, como se estivesse brincando.
- Não, não tenho cabeça para isso. Por isso chamarei alguém que tenha paciência.
Mamãe não gostou tanto da minha resposta e ficou um pouco enfurecida e indagou:
- Eu faço isso e não é tão difícil. Ele é seu irmão e precisa da gente! Você não o ama?
- Não. – disse rispidamente – Ele é meu irmão, eu sei, estamos unidos através dos laços de sangue que estão interligados com você, mas não significa que eu possa amar ele ou sentir obrigação em fazer algo por ele. Sempre disse que devêssemos colocá-lo na APAE, mas você não aceita meu conselho quando solicitado. Enfim, será do meu dinheiro, então nem se preocupe.
- Ah, então deixa eu ver se entendi: seu eu estivesse debilitada, você iria me colocar em um asilo? – disse mamãe enfurecida e indignada.
- Sim.
- Olha, Artur, você não vai estragar meu humor. Hoje terá uma comemoração importante no trabalho. Dê o seu jeito então e nem fale mais nada, pelo amor da Deusa – disse enquanto revirava os olhos e voltava a tomar café.
Peguei minha mochila e fui até o trabalho pensativo... realmente, após refletir profundamente e estar imerso nos meus pensamentos reconheci algo: então Marcela estuda na mesma escola que eu. É questão de tempo até eu descobrir evitar esse terrível incidente.